Por Eduardo Luiz, da Redação PTD - 06/05/2019 - 12:08h.
Blog do Vingador: Leandro Santile analisa o Balanço de 2018 do Palmeiras


Amigos Palestrinos, bom dia.

Fazer uma análise técnica de um balanço, nem sempre extingue todas as dúvidas de quem não conhece o mundo contábil, porém nesse pequeno post, vou tentar mostrar o que nos diz o Balanço da SE Palmeiras referente ao ano de 2018. Tenho certeza que dúvidas surgirão e ai sim com base nos questionamentos que surgirem ficará mais fácil elucidar essas dúvidas.

Ouça o que eu digo, não ouça ninguém, apesar de ser uma linda canção de Humberto Gessinger não é o meu estilo e o que irei reportar abaixo é para que os senhores possam entender melhor a foto que o balanço nos mostra em 31/12/2018.

Vale lembrar que o balanço é auditado pela empresa GF Auditores Independentes e segue as normas conforme determina a Legislação, isso busca inviabilizar práticas de erros ou mesmo fraudes nas demonstrações contábeis, dando maior confiabilidade as informações.

Toda informação de números na análise, estará em milhares de reais, para facilitar a exposição dos mesmos.

A primeira pergunta que nos vem a mente quando falamos do balanço é: A DÍVIDA AUMENTOU? E a resposta é bem simples: SIM. A dívida aumentou dos R$ 484.895 para R$ 586.285, ou seja, houve um aumento de 20,91% do endividamento total do clube, ou R$101.390 em valores monetários.

Se for considerar que o aporte da Crefisa para aquisição de jogadores foi de R$142.685 (considerando juros já transcorridos), a dívida cresceu menos do que o esperado, pois contratos antigos foram liquidados, contratos esses que estavam no curto prazo, e a dívida atual está lançada para pagamento em longo prazo.

Mas o que isso significa?     

Simples, o Palmeiras terá mais tempo para pagar a dívida contraída, com base nas notas explicativas, essa liquidação deverá ser feita em dois momentos:

a) Em caso de venda do atleta: restituição do saldo devedor (principal e juros) será realizada após o recebimento deste pelo Clube. Caso o valor do recebimento seja menor que o saldo da dívida, o Clube deverá efetuar o pagamento da diferença em até 24 meses;

b) Em caso de término definitivo do vínculo trabalhista: O saldo devedor (principal e juros) será liquidado em até 02 anos contados da data do término definitivo do vínculo trabalhista entre Clube e atleta.

Nota: A garantia para pagamento desses empréstimos é o valor pago pelo patrocínio e as receitas de bilheteria.

Portanto o Palmeiras terá prejuízo se o jogador sair por termino do contrato, ou for vendido por valor inferior ao aportado pela patrocinadora, se o valor recebido for maior, o lucro será do clube. Vale lembrar que só pelo Deyverson o clube recebeu uma proposta de aproximadamente R$ 50.000.

Entendo que alguns jogadores darão lucros, outros trarão prejuízos nesse aporte realizado, precisamos aguardar a média dessas negociações para saber se foi um bom negócio.

Em contrapartida a essa dívida o balanço apresenta um aumento considerável no lado do Ativo que passou de R$ 513.867 para R$ 645.945, aumento de 25,70% ou R$ 132.078 em valores nominais.

Isso determina que  o Palmeiras tomou empréstimos e esses valores foram aplicados em “bens”, não para saldar juros ou obrigações existentes, os empréstimos foram feitos para aquisição de ativo, que podem ser negociados ajudando a saldar os débitos contraídos.

Isso é observado quando olhamos para o Intangível do balanço, que passou de R$ 224.495 para R$ 326.527 ou seja um crescimento de 45,45% em valores nominais R$ 102.032 (valor superior ao aumento do endividamento, acima demonstrado). Vale ressaltar que esses valores não levam em consideração o valor de mercado em futuras negociações.

Mas o que é o Intangível?

É contabilizado nesse item, todos os valores pagos para contratar jogadores (direitos econômicos), luvas, direitos de imagem, além do custo para formação de jogadores da base, ou seja, o que o Palmeiras gastou para ter o elenco atual.

Ainda segundo as notas explicativas, esses valores são amortizados conforme a vigência do contrato do atleta, portanto, divide-se o valor pago pelo atleta pela quantidade de meses que o mesmo assinou e, mensalmente, é colocada essa parcela como despesa, diminuindo assim o valor do ativo.

Em resumo, se observarmos o índice de liquidez geral do clube, que nada mais é que a capacidade do clube honrar todos os compromissos, com os seus ativos, o Palmeiras tem para cara R$1,00 de dívida, R$1,10 de bens e direitos para pagar.

O que mais chama atenção nas demonstrações financeiras do clube?

É interessante analisar, principalmente o DRE (Demonstrativo do resultado do Exercício) da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Percebe-se claramente que a administração busca diversificar cada vez mais a origem das receitas, não tendo uma dependência relevante de uma origem apenas. Conforme apresentado as receitas são:



Ou seja, nenhuma das principais fontes de renda apresenta uma concentração superior a 30% o que permite poder negociar com mais cautela qualquer contrato.

Também conseguimos perceber que houve um aumento de receitas de R$ 503.682 para R$ 653.850, aumento de 29,81%, e em valores monetários R$ 150.168,00 (vale comparar que o endividamento não cresceu todo esse montante).

O principal fator para esse aumento de receitas foi a negociação de atletas, onde a arrecadação apresentou um aumento de 354,79%, saindo de R$ 37.289 para R$ 169.585,00, seguindo do aumento de 35,72% nos valores pagos pelos sócios torcedores e a bilheteria do estádio.

Em contrapartida aos aumentos acima, verifica-se uma redução nas receitas de patrocínio e publicidade que passaram de R$ 130.910 para R$ 95.476, uma redução de 27,06%, assim com ao cota de TV teve uma redução quase imperceptível, passando de R$ 137.307 para R$ 136.724.

As despesas do clube também sofreram aumento considerável passando de R$ 428.828 para R$ 600.805, ou seja, um aumento de R$ 171.960 ou 40,1%, bem superior ao das receitas. Chama atenção o item Despesas gerais e administrativas que sozinho é responsável pelo aumento de R$ 58.309, ou seja, 1/3 do valor. Isso é apreciado na nota explicativa 13 que indica a adequação dos contratos com a patrocinadora, o que impactou em uma despesa de R$ 40.317 referentes a atualização dos valores recebidos para compra de jogadores.

Outra despesa que teve aumento considerável, foi o gasto com Pessoal, encargos e direitos de imagem que juntos passaram de R$ 228.211 para R$ 290.162, aumentando 27,15%.

Mesmo com aumento em receitas e despesas o clube conseguiu um superávit de R$ 30.688 sendo menor que o de 2017 em 46,18%, se analisar individualmente cada setor do clube, observa-se que mesmo gastando mais o futebol profissional tem superávit de R$ 63.721, enquanto os esportes amadores, clube social e futebol amador apresentam um déficit de R$ 33.033.

Em suma, verifico um Palmeiras forte financeiramente, mesmo com o aumento da dívida, demonstra condições de reduzi-la, pois as receitas também cresceram, porém ainda necessitará negociar jogadores para cobrir as despesas que possui atualmente e também liquidar os empréstimos.

Gostaria de ver uma estratégia para ir liquidando os empréstimos junto à patrocinadora da mesma forma como foi feito com o presidente anterior, dessa forma não iria comprometer futuros mandatos, mas, nesse momento não é um problema grave.

Espero que essa análise ajude a entender um pouco mais da situação financeira e econômica do Verdão, gostaria que fizessem os questionamentos sobre as dúvidas e estaremos criando um novo post para esclarecê-las, ainda essa semana.

Leandro Santile
Contador, professor universitário e especialista em legislação tributária.
 
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