Morte ao Fanático (22/10/2009)
 

Eu quero matar um fanático. Ele existe dentro da minha cabeça e já imprimi a ordem de despejo.

Fanatismo não é saudável ou aceitável. Pelo fanatismo religioso, tivemos desde as Cruzadas até o atual Jihad islâmica dos homens bombas. Com o fanatismo ideológico, abri-se mão do ponderável e pragmático para conduzir políticas essenciais para um país. Pelo fanatismo nacionalista, abre-se mão do bem-estar do indivíduo sob a máscara da hipocrisia patriótica. O fanatismo egocêntrico ignora leis e normas em prol do “eu”, temos aí psicopatas e políticos corruptos (ou seriam simplesmente “políticos”?).

Do médico ao filósofo recomenda-se o equilíbrio para reger as nossas vidas. E o fanatismo nada tem de equilibrado. Fanatismo é o extremo dos extremos. Torna-nos surdos para opiniões contrárias, por mais relevantes que sejam. Mesmo que façam sentido, escolhemos ignorá-las ou recebê-las com atitudes agressivas.

O fanatismo pelo Palmeiras era o único que minha pessoa aceitava. Ignorava o meu jeito ponderado e tranqüilo que costuma reger meu modo de vida. Assustando pessoas com quem convivo ao presenciarem reações irracionais de irritação e euforia em jogos do meu time do coração.

Freqüentar estádios nunca foi um hábito. Não o adquiri também. Porém respirar Palmeiras era uma obrigação diária. Querer saber de tudo que se passava, ter a expectativa pré jogo, ter a irritação diante de deboche dos rivais, aumentarem chances de úlcera ao ler notícias tendenciosas dos jornais, tudo girava em torno do Palmeiras. E isso tem que parar.

Pelo Palmeiras, já perdi a razão com melhores amigos, já briguei com namorada e já xinguei o chefe. E para quê? Tivesse eu perdido tão importantes amizades, jogador nenhum do Palmeiras poderia substituí-las. Não creio que se tivesse sido chutado pela namorada, apareceria alguma das modelos que tanto acompanham os jogadores de futebol. E tivesse perdido o emprego, por acaso algum jogador do Palmeiras dedicaria alguma parte de seu rico salário para sustentar minha vida e meu único luxo que é um carro 1.0?

Ontem, contra o Santo André, deve ter sido a dose final necessária para me acordar e pensar: isso tem que mudar. Irritação extrema, depressão, sentir-me humilhado no dia seguinte, perder o sono, desgosto por ter que enfrentar o dia seguinte e frustração, muita frustração. Não é algo que ser - humano algum possa gostar de conviver. Sentir tudo isso enquanto jogadores se arrastavam em campo. E estes mesmo jogadores ganham em um mês o que eu jamais vou conseguir ganhar em um ano. Quiçá na vida inteira.

É essa a dedicação que torcedores fanáticos merecem? Então dá licença, mas eu abandonarei este fanatismo. Tentarei por meios próprios, diminuindo gradualmente a exposição ao Palmeiras. O PTD deixará de ser o site inicial do meu navegador. Sumirei com os blogs palestrinos da minha lista de favoritos. Nem me darei ao trabalho de olhar o caderno de esportes no jornal. Espero que com próximos jogos, eu apenas fique triste com as derrotas, não mais depressivo. Sei também que desta maneira, apenas ficarei feliz com as vitórias, não mais eufórico. É um preço a ser pago.

Já pensei que talvez possa haver terapia para solução, caso o método próprio não dê certo. Manterei como opção.

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