Apresentação (02/08/2011)
 
Amigos Palestrinos,

Há tanta coisa para falar nessa primeira coluna que nem sei por onde começar.

Primeiramente, queria fazer um pedido a todos, que pretendo renovar sempre que julgar necessário.

Virei palmeirense em uma época parecida com essa em que vivemos agora. O Palmeiras estava na “fila” havia mais de dez anos. Apesar da ascendência italiana, havia outros motivos que me fizeram palmeirense. Foi também o verde-e-branco, a torcida apaixonada, o hino, as histórias de sofrimento e conquistas do clube que me cativaram.  Hoje, as pesquisas mostram que a torcida que menos cresce na cidade de São Paulo é a nossa – dá para entender, afinal são anos sem títulos importantes.

Mas não dá para entender. Somos o time mais vencedor do século XX e temos uma torcida que não pára de cantar um minuto, e, diga-se de passagem, que tem as músicas mais bem-feitas. Então, palmeirenses, vamos vestir a camisa. Não vamos ter vergonha de sair na rua de verde e branco e de tornar a cidade mais bonita sempre, mesmo nas derrotas. Mostremos a força de nossa torcida. Passem para frente, sempre que possível, aos mais jovens, a história de nossa equipe. Contem a seus filhos, netos, sobrinhos, primos, irmãos, vizinhos a história da Arrancada Heróica de 1942, a história da vitória na Taça Rio de 1951, a história do Supercampeonato de 1959, as histórias da Primeira Academia dos anos 60, as da Segunda Academia dos anos 70, as das equipes montadas na Era Parmalat, e tantas outras.

Contem então exatamente quem são todos nossos ídolos, de Oberdan a Marcos – sempre exemplos de humildade e caráter. Vamos fortalecer nossa torcida!

Agora, precisamos falar um pouco do que está acontecendo dentro das quatro linhas também.

Apesar das duas últimas vitórias da equipe, ainda não estou satisfeito com o time. Já vou adiantando que a intenção não é de “cornetar” nem ser da “turma do amendoim” (ou do limão, como o Felipão falou recentemente). O time está se esforçando bastante, isso é verdade. Ninguém pode ser criticado por falta de empenho. Ninguém. Felipão é um grande técnico, e nosso apoio a ele é incondicional. Vejamos o que me desagrada, então.

Não sei se minha leitura está correta, mas, desde que chegou, parece que nosso treinador está com uma idéia fixa de tentar manter em funcionamento um esquema de jogo, o 4-2-3-1. É um esquema que está dando certo em muitas equipes. Na Copa do Mundo, por exemplo, era como jogava a Holanda e a Alemanha. Vejamos:

Holanda:  Stekelemburg, Van der View, Heitinga, Mathijsem e Van Bronckhorst. Van Bommel e De Jong. Robben, Sneijder e Kuyt. Van Persie.

Alemanha: Neuer, Lahm, Friedrich, Mertesacker e Boateng. Schweinsteiger e Khedira. Muller, Ozil e Podolski. Klose.

Dois times que jogaram um grande futebol e só não foram campeões porque a Espanha estava muito entrosada, e seu meio-campo não erra passes. De qualquer jeito, o 4-2-3-1 é o que de mais interessante existe no momento em termos de táticas. Imagino que Felipão pense da mesma maneira. Ele tem toda a razão. Daí a necessidade de trazer jogadores que ocupem o lado esquerdo do campo, e sua insistência em mantê-los (casos de Luan e Rivaldo).  É isso. Hoje o Palmeiras ideal para Felipão talvez seja:

Marcos, Cicinho, Henrique, Thiago Heleno (ou Mauricio Ramos) e Gabriel Silva. Marcos Assunção e Marcio Araujo. Maicon Leite, Valdivia e Luan. Kleber.

Agora, as críticas. Ninguém precisa ficar preso a nenhum esquema tático. O ideal é adaptar o esquema aos jogadores. Se o esquema não está funcionando ainda, depois de um ano de treino, então... não sei se há tanta necessidade em se insistir. Outra coisa: Pierre tem que ser melhor aproveitado. Ele é jogador-símbolo do Palmeiras. Talvez seja como um Puyol para o Barcelona ou um Gerrard para o Liverpool. Alguns podem não achar, mas Lincoln e Wellington Paulista poderiam ter tido mais oportunidades também, como as que o Luan teve. Lincoln, no Schalke 04, é um dos grandes ídolos dos últimos tempos.

Alguns podem dizer – nosso time perdeu apenas cinco jogos no ano (o segundo que menos perdeu no Brasil, atrás do Flamengo apenas). Como se pode dizer que o esquema não está funcionando, se só perdeu cinco jogos?

É verdade. Por isso, mantenho meu apoio aos jogadores e ao Felipão. Não posso dizer que o time está uma maravilha,  jogando por música, porque não está. É só assistir a qualquer das últimas partidas. Estamos no máximo jogando de igual para igual, à custa de muita garra e disposição. Talvez estejamos acostumados com tantos times espetaculares ao longo dos anos que queremos sempre uma equipe espetacular... mas parece que faltam ajustes. Esperamos que o Felipão consiga chegar lá, e que ele fique aqui por mais uns anos, e o mesmo vale para Valdívia, Kléber, Cicinho, Araujo, Pierre e outros, seja pela técnica apurada, seja pela disposição.

Rumo a um centenário glorioso. Vamos lá Verdão!

Saudações e boa semana a todos.

Tundisi
tundisi@palmeirastododia.com


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