Manifesto por Pierre e Pacaembu (09/08/2011)
 
Amigos Palestrinos,

Em primeiro lugar, a questão do estádio. Não sei se foi noticiado, mas, nesse sábado, milhares de torcedores ficaram sem conseguir entrar no Canindé para assistir ao jogo contra o Grêmio. Um time de uma torcida apaixonada e fiel como a nossa, e que está disputando o título, não pode se apequenar e mandar jogos em estádios desse porte. Piada. Absurdo. Não dá mais para suportar essa mentalidade de time pequeno. Na capital, sabe-se que atualmente só há dois estádios que comportam nossa torcida: Pacaembu e Morumbi. Nesse sentido, restaria apenas o Pacaembu, por razões óbvias. Jogar partidas de pequena importância de Paulistão no Canindé ou Arena Barueri é até aceitável, mas clássico de Brasileirão não faz o menor sentido. É no mínimo falta de esclarecimento. Contra o Flamengo, foram 35 mil pessoas. No Canindé não cabem 20 mil. Há a possibilidade, também, de se presentear a forte torcida alviverde do interior e mandar alguns jogos em Ribeirão, Presidente Prudente ou Araraquara, por exemplo. Totalmente plausível, mas Canindé não dá mais.

Aliás, sobre o Pacaembu, precisamos levantar alguns pontos. Em primeiro lugar, o Pacaembu sempre foi nossa segunda casa (em alguns momentos, acreditem, chegou a ser nossa primeira casa). É muita falta de conhecimento da história do futebol paulista pensar que o Estádio Municipal seja a “casa dos corinthianos”. Chega a ser revoltante ouvir esse tipo de coisa. É o estádio municipal (diga-se de passagem, um dos mais bonitos do país), casa de todas as torcidas paulistas, mas, sobretudo, de Palmeiras e Santos, que, nos anos 60 e 70 dominaram o futebol brasileiro. Um lugar de muitas histórias e de glórias do nosso Palestra-Palmeiras. Foi lá nossa Arrancada Heróica em 1942, e onde também vencemos o Supercampeonato de 1959, o Robertão de 1967 e o Brasileiro de 1994 (em cima do Corinthians), para citar alguns exemplos. Já jogamos mais de mil jogos no Pacaembu e quem diz que o lugar não dá sorte simplesmente ignora a História. Por isso, fico chateado em saber que o clássico do dia 28 não será lá, já que sempre foi e deveria continuar sendo nossa segunda casa. Insisto. Chega de mentalidade pequena!

Quanto ao time, volto a algumas colocações da semana passada. Continuo achando que poderia render mais. O elogio a ser feito é que ao menos conseguimos jogar de igual para igual em todos os jogos. É difícil ver o Palmeiras sendo dominado, no entanto raras vezes tivemos o controle de alguma partida esse ano. Para um time que quer ser campeão, estava na hora de demonstrar superioridade em alguns momentos, como, por exemplo, o Botafogo de Caio Junior fez no clássico contra o Vasco. Afinal, nosso elenco é o mesmo há algum tempo e o esquema tático não muda. Já era hora de observarmos um resultado mais convincente dentro de campo. Olha que nem estou falando de goleadas, mas de posse de bola e volume de jogo. Acho que muito disso se deve a certa falta de flexibilidade de nosso treinador em alguns sentidos. Se, por um lado, tomamos poucos gols e perdemos poucos jogos até agora, por outro, o time não consegue manter a posse de bola e cria muito pouco.

Um dos melhores times do Brasil na atualidade, há que se admitir, é o Flamengo. Após algumas tentativas de acertar o esquema, parece que Luxemburgo, para aproveitar melhor o potencial dos laterais, de Thiago Neves e de Ronaldinho, resolveu implantar um 4-3-2-1, com três volantes cobrindo os jogadores mais ofensivos e com um atacante fixo. A idéia de Luxemburgo foi interessante porque não ficou preso a nenhuma tática e montou o time de acordo com as características dos jogadores. Não seria bom pensarmos em algo semelhante?

Para o Verdão, uma opção seria usar o 4-3-1-2, variando para um 4-4-2 losango, parecido com o esquema do Milan de Massimiliano Allegri. O meio-campo rossonero é formado por três volantes (Van Bommel, Gattuso e Seedorf) e um meia de criação com maior liberdade (ultimamente tem sido o Boateng). No ataque, Pato (ou Robinho) e Ibrahimovic – um atacante fixo, outro que sai mais da área. Para aproveitarmos melhor as qualidades dos nossos melhores jogadores, Kléber tem que ter um companheiro de ataque e Valdívia maior liberdade para criar. Caso contrário, continua acontecendo o mesmo que vimos no sábado. Kléber cai pela esquerda, faz boa jogada, mas na hora de cruzar não encontra nenhum atacante. No meio, três volantes dariam mais liberdade a Valdívia e aos laterais, sobretudo Cicinho. Se Felipão precisa tanto ter o Luan no time, então que jogue de lateral esquerdo, ou até de atacante fixo, junto com o Kléber. São as duas posições em que mais temos problemas atualmente.

Por fim, impossível não se manifestar a respeito da situação de um de nossos maiores ídolos, Pierre. Preterido pelo treinador, o “guerreiro” está prestes a sair do clube, o que seria uma perda enorme. A torcida tem a obrigação de exigir uma explicação da comissão técnica sobre os motivos do desprezo pelo futebol de Pierre. Não faz sentido perder o jogador mais importante do elenco (depois do Marcos) sem que nos manifestemos.

Rumo a um centenário glorioso. Vamos lá Verdão!

Saudações e boa semana a todos.

Tundisi
tundisi@palmeirastododia.com

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