Sem pessimismo, e apoio a Felipão (16/08/2011)
 
Amigos Palestrinos,

Em primeiro lugar, quero agradecer os comentários dos frequentadores do site e pedir para que continuem participando sempre.

Recebi algumas mensagens pedindo para que eu falasse mais a respeito dos defeitos da nossa diretoria, o que estaria fazendo com que o time passasse por essa crise há alguns anos. Embora eu não saiba muitos detalhes sobre o que acontece nos bastidores, é inegável que graves problemas internos prejudicam o andamento do trabalho da comissão técnica e jogadores. Aos poucos, tocaremos nesses assuntos, já que é tema fundamental para entender o momento que passamos. Para os que não consideram o “jejum” atual de títulos algo preocupante, sintomática é a coluna do jornalista palmeirense Antero Greco, no Estadão dessa semana: http://blogs.estadao.com.br/antero-greco/2011/08/14/time-da-turiacu/.

Recebi também comentários pedindo para que eu não mais comparasse o Palmeiras com outras equipes, considerando que eu estaria menosprezando o Verdão ao ressaltar qualidades de outros. Quanto a isso, pretendo continuar sempre com as comparações, já que as julgo importantes para ajudar em nossas análises.

Sobre o time, não estou tão pessimista como deveria estar depois de quatro jogos sem vencer, especialmente pela partida razoavelmente boa que fez no domingo. Parece que a presença de um homem de área no esquema do Felipão é tão fundamental quanto a dos meias escalados para incomodar os laterais adversários. É porque o Kléber produz menos jogando pelo meio, já que suas características fazem-no cair pelas pontas ou voltar para buscar jogo. A entrada do Dinei foi importante (principalmente no primeiro tempo), e fez com que mantivéssemos mais a bola no campo de ataque. Felipão deve ter notado.

No entanto, outras questões vêm à tona. Há sempre que se analisar pelo menos quatro aspectos no futebol: técnico, tático, físico e emocional. Vou pular o primeiro deles. Ficará para a próxima oportunidade. Quanto ao aspecto tático, já falamos anteriormente. Felipão escolheu o 4-2-3-1 por ser o que há de mais interessante atualmente no mundo do futebol, mas talvez tenha ficado preso demais a essa estratégia e, dentro dela, o time ainda não conseguiu achar o padrão ideal. Sobre a parte física, talvez seja interessante pensar em se fazer um rodízio de jogadores em algumas posições, já que estamos em um ponto da temporada em que se joga duas vezes por semana – além do mais, o número de titulares pendurados nos cartões é grande. Talvez seja hora de variar um pouco a escalação para que se mantenha o ritmo até o fim do ano. Não consigo deixar de pensar que um dos motivos que fizeram com que perdêssemos o título em 2009 tenha a ver com a parte física.

A parte emocional sempre é falha no Palmeiras, porque a cobrança por títulos é grande e o ambiente não ajuda muito. Acontece que Felipão é um técnico de grande experiência nesse sentido. Sempre conseguiu unir os times por que passou. Sempre teve a equipe “nas mãos”. Quem não se lembra daquela final de Libertadores contra o Boca na Bombonera – o 2 a 2? Infelizmente, parece que hoje ele ainda não tem o time nas mãos, mesmo depois de um ano de trabalho. Na verdade, isso é o que mais preocupa atualmente.

Em 2007, defendi a permanência de Caio Junior, pelo bom trabalho que havia feito com um elenco limitado. Quem estava no Palestra naquela virada contra o Vasco (3 a 2) não pode dizer que ele não é um técnico muito competente. Em 2009, defendi também a permanência de Luxemburgo que, apesar dos pesares, conseguiu realizar uma campanha razoável, ainda que com um elenco bem mais forte. Afinal, fomos campeões paulistas, voltamos à Libertadores, e dela saímos nas quartas-de-final após dois empates contra o Nacional do Uruguai. Defendi também a permanência do Jorginho Cantinflas, pela excelente campanha que fazia durante o Brasileiro do mesmo ano. Técnico bom tem que ter um tempo para trabalhar. Vale para Felipão também. Sem pessimismo. Ele ainda vai conseguir unir o time e acertar o esquema. Esperamos que o mais rápido possível, já que os próximos jogos são fundamentais...

Por fim, ainda sobre o Canindé. Jogar lá é um menosprezo à torcida, assim como era na Arena Barueri. É pensar pequeno. Temos condição de levar mais de vinte mil torcedores, tranquilamente. Além do Pacaembu, há a opção de mandar jogos como este contra o Bahia no interior (Piracicaba, Araraquara, Ribeirão Preto...). Nossa torcida no interior do Estado é e sempre foi muito forte, e mereceria esse tipo de agrado.

Palmeirenses, sempre que possível, vamos vestir a camisa. Que o “tsunami verde” aconteça não apenas em 26 de agosto, mas em todo o mês. Que nos orgulhemos de ser palmeirenses, campeões do século XX.

Rumo a um centenário glorioso. Vamos lá Verdão!

Saudações e boa semana a todos.

Tundisi
tundisi@palmeirastododia.com

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