Uma ópera em verde e branco (06/09/2011)
 
Amigos Palestrinos,

O dia-a-dia de nosso time chega a ser tão dramático que parece que vivemos sempre dentro de uma ópera. A comparação é válida, sobretudo levando-se em conta nossas raízes italianas. Passamos sempre da glória ao inferno com a maior facilidade do mundo. Começamos a semana em uma enorme euforia, após boa vitória no dérbi, e encerramos com mais uma crise instaurada, para o deleite de alguns jornalistas mal intencionados.

À propósito, peço a todos que não deem “ibope” para esse tipo de jornalismo. Leiam, mas não fiquem comentando ou divulgando esse tipo de notícia. Nessa semana, mais uma vez ouvimos que Felipão e Valdívia estariam de malas feitas para sair. É tudo o que querem ouvir os anti-palmeirenses, mas sabemos que no momento tal informação não procede.

Sobre os últimos jogos, ainda que muitos discordem, vou continuar com meu otimismo moderado. Explico o porquê. Jogamos duas partidas muito desfalcados. Não há como negar a dependência que temos de certos jogadores, como Kléber ou Valdívia. Era como se o Botafogo estivesse sem Loco Abreu e Renato, ou o Cruzeiro sem Montillo e Gilberto. Algo assim.

Nem o palmeirense mais otimista esperaria uma vitória na quarta-feira. No futebol há sempre imprevistos, mas todos sabíamos que o Botafogo era mais forte. Além de estar com um time praticamente completo e entrosado, tem um treinador muito competente no aspecto tático. Caio Júnior pode não ser campeão, mas vai brigar outra vez até o fim ao menos por vaga na Libertadores. Já nossa equipe entrou muito desfalcada, como já dissemos. Ainda por cima, toma um gol logo aos três minutos, em lance de bola parada...

No domingo, outro “ato” da ópera. Um jogo praticamente ganho, em que mostramos superioridade física e tática. Alguns jogadores até se destacaram positivamente, como Henrique, Cicinho e Luan. No final, mais um gol tomado em uma jogada isolada. Montillo quase não tinha aparecido até então, mas conseguiu se livrar dos marcadores e empatou. Do mesmo modo que o Cruzeiro “achou” o gol, um pouco depois “achamos” um pênalti, é verdade. Mas a “ópera” do domingo não era mesmo para ser cômica.

De qualquer jeito, o que podemos perceber no momento é que o planejamento para 2011 não deu certo, ou, então, nem existiu. Chegamos em setembro ainda pensando em contratações de última hora para servirem de peças de reposição. Não faz sentido, tendo em vista que se pensava, desde a chegada de Felipão, em um projeto de longo prazo, o que até agora não se vê. Nesse caso, talvez o pouco diálogo entre a comissão técnica e a diretoria tenha sido o principal fator. Ainda dá tempo de se consertar. Afinal, não tem nenhuma equipe sobrando no campeonato.

Por fim, vale lembrar que nessa semana, um goleiro de segunda categoria fará um jogo festivo, o de número 1000, e a diretoria de seu clube está promovendo uma verdadeira festa, com uma série de atrativos para encher o estádio. Fico pensando se com Marcos será assim também, quando de sua aposentadoria. É triste ver que o seu eterno reserva na Seleção acabou conseguindo tanta fama às custas de um marketing bem-feito. Afinal, não tem como comparar Rogério e Marcos. Vou mais além. Não dá para comparar Zetti e Rogério. Zetti foi muito mais goleiro.

Já o Marcão, que tal se ele aguardasse a inauguração da Arena Palestra, para só depois encerrar a carreira? Será que daria para esperar até lá? Não custa sonhar.

Rumo a um centenário glorioso. Vamos lá Verdão!

Saudações e boa semana a todos.

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