A culpa é de quem? (16/09/2011)
 
Amigos Palestrinos,

Conseguir apenas dois pontos nos doze disputados no returno é realmente preocupante para uma equipe que sonha com o título, ou pelo menos uma vaga na Libertadores. Além dos títulos serem escassos ultimamente, o que também nos deixa inconformados é o fato de olhar para cima na tabela e encontrar nossos dois rivais disputando a primeira posição.

Mesmo sem vencer ainda no segundo turno, o Palmeiras tem alguns números interessantes. É ainda o time de melhor defesa e o que teve menos derrotas na competição (também foi o que mais empatou). Além disso, o site do Placar Real considera o Verdão a equipe mais prejudicada pela arbitragem (seriam oito pontos perdidos).

A culpa é de quem, afinal? Diretoria, comissão técnica, jogadores, imprensa, arbitragem, torcedores? Vejamos.

Em primeiro lugar, já é de conhecimento geral que os problemas políticos internos refletem negativamente no desempenho do time, que nunca consegue trabalhar com tranqüilidade. Para ser sincero, sempre foi assim. Mesmo nas épocas de títulos, o Palmeiras sempre conviveu com crises políticas.

Se o treinador é de confiança e os jogadores não estão fazendo “corpo mole”, só resta culpar a diretoria, sua falta de planejamento, sua falta de diálogo, seu “marketing” falho. No entanto, algumas atitudes da dupla Tirone-Frizzo nessa semana me impedem de criticá-los por ora. No episódio Valdívia, parece que houve diálogo e transparência, e o caso foi solucionado como deveria, sem grandes estardalhaços. Felipão ser mantido, mesmo após resultados ruins, também é importante para a estabilidade da equipe. Todos sabemos que a saída de Felipão é a notícia que qualquer corinthiano ou são-paulino quer ler (ou qualquer um que queira ver o Palmeiras afundando – e aí podemos incluir conselheiros, ex-dirigentes e jornalistas mal-intencionados).

Apóio Felipão mesmo sem concordar plenamente com a escalação da equipe ou com a formação tática. Afinal, o trabalho de Scolari não se restringe a isso.

Quanto ao time, vai parecer estranho para alguns, mas penso que teve uma melhora na última partida, apesar do péssimo resultado. Até os trinta minutos do segundo tempo, o Palmeiras criou boas chances e manteve bem a posse da bola. Vinicius e Patrik melhoraram o desempenho, Cicinho e Araujo foram muito bem, Gabriel Silva e Fernandão deram conta do recado. Sinceramente, vi um Palmeiras com limitações técnicas, mas mesmo assim se impondo e mostrando bom posicionamento e variações de jogadas, algo que há tempos não via.

Vale lembrar que o campeonato desse ano está muito equilibrado. Qualquer boa seqüência de vitórias coloca-nos entre os primeiros novamente. Talvez esta seja a hora, já que teremos quatro adversários relativamente fracos pela frente (se bem que o campeonato demonstrou que não há favoritos em 2011), enquanto a maior parte dos times do topo da tabela terá adversários mais complicados.

Há que se considerar também que dois de nossos principais jogadores machucaram-se quando mais precisamos nesse ano, na semi-final do Paulista, e às vésperas das quartas-de-final da Copa do Brasil: Valdívia e Cicinho, muito importantes; aquele, por sua habilidade, este por sua regularidade. Agora, em um momento crucial do campeonato, encontram-se novamente no departamento médico. Não dá para culpar ninguém. Contusões acontecem, e tivemos o azar de perdê-los novamente. A boa notícia é que Maikon Leite está voltando, além da contratação de Pedro Carmona. Esperamos que ele não sinta o peso da nossa camisa e chegue para contribuir.

Por fim, fica uma questão para todos. Sabe-se que o campeonato nacional no formato de pontos corridos começou apenas em 2003, diferentemente dos demais países de tradição, que mantêm seus campeonatos nesse formato há um século. Nenhum deles, no entanto, conta com 12 equipes consideradas “grandes”, como ocorre aqui. No máximo, cinco ou seis. Não há espaço para tantos times grandes em campeonatos nesse formato.

Haveria então, a tendência de, em um futuro não tão distante, algumas das equipes brasileiras consideradas “grandes” tornarem-se “médias” ou até “pequenas”? Talvez o Atlético Mineiro seja o primeiro candidato, se continuar mais algum tempo sem conquistas significativas. Com uma Libertadores, oito títulos nacionais, um estádio de padrão FIFA sendo construído e a quarta maior torcida do país (para alguns, ainda é a terceira), o Palmeiras não pode deixar de ser um dos grandes. Pelo contrário. Tudo isso tem a ver, no entanto, com um planejamento a longo prazo. Esperamos que a diretoria aja tendo isso em vista.

Rumo a um centenário glorioso. Vamos lá Verdão!

Saudações e boa semana a todos.

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