Jogar a toalha? (11/10/2011)
 
Amigos Palestrinos,

Tendo em vista a atual classificação do campeonato, as chances matemáticas de conseguirmos uma vaga na Libertadores tornaram-se mínimas. É que se calcula que, para conseguir a quinta posição no campeonato, há necessidade de mais ou menos 64 pontos. Acontece que o quinto colocado do Campeonato não estará necessariamente classificado para a Libertadores, já que deve esperar o final da Taça Sul-americana, porque o campeão dela também garante vaga para a Libertadores do próximo ano, podendo até tirar a vaga do quinto time do Brasileiro. Enfim, ficou realmente muito difícil. 

Ao que parece, pelas declarações, Felipão já “jogou a toalha”, assim como aconteceu ano passado, nessa mesma época da temporada. Mais uma vez, o Palmeiras é o time do “ano que vem”. Triste é perceber que, entra ano, sai ano, até agora não houve um planejamento sério por parte da diretoria e comissão técnica para o “ano que vem”. Se pensarmos em um “projeto centenário” para 2014, então, vai parecer piada.

Quanto ao futebol, é interessante notar que, mais uma vez, ficou clara a falta de condicionamento físico da equipe. Impressionante perceber como o time cai de rendimento no segundo tempo. Falha de planejamento, mais uma vez, da comissão técnica. Muitos estão falando em apatia ou em falta de compromisso, mas, insisto, há também um problema físico.

Além disso, Felipão resolveu, no domingo, depois de um ano com o mesmo esquema de jogo, inovar e entrar com três zagueiros. Se era para fortalecer a zaga e impedir os gols tomados de bola aérea, não adiantou. Se era para liberar os laterais, menos ainda. De qualquer jeito, o esquema com três zagueiros já caiu em desuso há um tempo. Não há, entre os principais times do futebol mundial, algum que ainda o mantenha. Para não ser injusto, vamos lembrar do Napoli, que é talvez o único esquema semelhante bem sucedido da atualidade, com Campagnaro, Cannavaro e Aronica, uma zaga que está jogando junto há três temporadas.

Agora, sinceramente, não entendi qual a vantagem de mudar esquema nessa altura do campeonato, e ainda mais fazendo uma troca tão radical. Não é à toa que os laterais ficaram perdidos em campo, não sabendo que espaço ocupar. Por isso, Léo acabou dando tanto trabalho para Marcio Araújo pelo lado esquerdo.

O que se viu nos últimos quatro jogos foi uma falta de organização tática completa. Uma defesa desatenta e um ataque sem qualquer opção. Um time que piorou demais do final do segundo turno para cá, em todos os sentidos. Aí, não há como não culpar a comissão técnica, ainda que todos saibam que as questões que envolvem a equipe demandem uma análise mais ampla. Já dissemos aqui que não adianta trocar técnico, ou hostilizar jogadores...

Se o problema do clube passa pela falta de planejamento, impossível não falar dos problemas políticos.

Ao que tudo indica, a turma de Mustafá continua causando males ao clube, plantando notícias e tentando desestabilizar a equipe. Parece também que propôs uma alteração estatutária para garantir um conselho gestor para a diretoria de futebol, impedindo, assim, que alguma futura pressão para eleições diretas para presidente influencie no comando do futebol, que permaneceria eternamente com os conselheiros.

De qualquer maneira, estamos passando por uma crise semelhante à dos anos 80. O Palmeiras precisa se reinventar para voltar a ser grande. Em uma outra oportunidade vamos discutir essas questões mais a fundo. Agora, a questão é: hora de jogar a toalha, ou ainda dá para se pensar em Libertadores? Vamos aguardar os próximos dois jogos, torcer para que o time pelo menos volte a jogar de igual para igual, mas a perspectiva não é nada boa.

Rumo a um centenário glorioso. Vamos lá Verdão!

Saudações e boa semana a todos.

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