Sampaio é a salvação? (11/11/2011)
 
Amigos Palestrinos,

Obviamente, mais uma coluna a ser escrita em tom amargo. Afinal, não é possível ficarmos muito otimistas com a nossa colocação na tabela, nem com o futebol apresentado nesse segundo turno.

Em primeiro lugar vamos falar das boas notícias. As obras na Arena estão a todo vapor. Será um estádio grandioso, e sem dinheiro público. É hora de deixar isso bem claro a toda a mídia, reforçando a crítica ao que está ocorrendo no país por causa da Copa. A manifestação do “sorriso amarelo” foi uma ótima idéia, e poderia ser feita novamente no jogo contra o São Paulo, para ter maior visibilidade.

Outra boa nova é a chegada de César Sampaio. Sabemos que talvez o clube não tenha tanto dinheiro para ficar gastando com mais um dirigente remunerado, mas não será qualquer um. Sampaio sempre demonstrou ser uma pessoa empenhada, que entende de futebol, e, o mais importante, com boa reputação. Além disso, tem imensa identificação com o clube, já que foi nosso capitão na Libertadores de 1999. Não vou dizer que vai resolver todos os problemas, mas talvez seja uma pessoa a mais para incomodar dirigentes e conselheiros que gostam de tumultuar o ambiente e que jogam contra o time. Esperamos que seja uma boa alternativa, e que ele tenha condições de trabalhar tranquilamente.

Quanto ao campeonato, resta-nos escapar do rebaixamento de uma vez por todas. Do jeito que as coisas estão, é imprescindível começarmos a nos preparar para os dois últimos jogos, os clássicos. Seria ótimo ter condições de impedir o título dos nossos maiores rivais na rodada final. Só que tem que ter time, padrão de jogo e preparação física para isso. Se nosso elenco é falho, pelo menos precisamos garantir condicionamento físico adequado e algum padrão de jogo para dificultar a vida dos adversários. Será que a comissão técnica já começou a estudá-los? Será que já sabem como eles jogam? É o mínimo. Aliás, todo adversário tem de ser estudado, mas pelo jeito parece que nem isso tem sido feito no Palmeiras.

Sobre Felipão, algumas considerações. Apesar de muitos comentarem que o time está entregando o jogo para se livrar dele, não acho que isso esteja acontecendo. Vejo jogadores correndo, buscando resultado, mas sem a menor noção de colocação em campo e com um preparo físico muito falho, além da ruindade mesmo de alguns. Falta padrão de jogo, e é estranho falar isso no final da temporada, tendo em vista que o técnico já está há um ano e meio no cargo, apesar de sabermos que o time-base muda a cada mês.

Impossível negar que o custo-benefício do Felipão é péssimo. Se ele já provou anteriormente ter qualidades como técnico, muitas de suas atitudes nessa passagem pelo Palmeiras foram equivocadas. Parece que certas teimosias se sobrepuseram, como a idéia fixa da necessidade de se jogar em um estádio pequeno para “fazer pressão”, ou de se ter um centroavante estilo Jardel e Oséas para aproveitar a bola aérea, ou de se insistir em certos jogadores “cabeças-de-bagre” em detrimento de outros, entre tantas outras. Enfim, está ficando cada vez mais difícil apoiar a sua permanência.

Ainda assim, continuo apoiando, ao menos até o fim do contrato. É que não vai ser nada inteligente ter que pagar mais uma multa, para trazer algum treinador qualquer e que dificilmente resolveria nossos problemas.

Se o treinador continua, e pelo jeito vai continuar, passou da hora de planejar não apenas 2012, mas pelo menos os próximos três anos. Não dá mais para admitir dispensar tanto jogador, como foi nesse ano. Não dá para admitir contratar vários jogadores e não utilizá-los, com a desculpa de que não são bons tecnicamente o suficiente, ou de que a camisa pesou. É o caso de Gerley, Pedro Carmona ou Ricardo Bueno. Então, qual foi o motivo de tanto desgaste para contratá-los? Custa pesquisar direito, olhar com calma e atenção se o jogador tem mesmo condições de vestir a camisa alvi-verde? Basta um elenco de 25, 28 peças. Nem precisam ser peças caras, mas que sejam de futuro, de preferência com uma média de idade baixa, para montarmos uma base para os próximos anos. Categorias de base também devem ser olhadas com mais carinho. Acho engraçado o time trocar tanto de jogador (dispensando alguns, contratando outros) e cada vez ficar com um elenco pior. É só analisar: o elenco que tínhamos no Paulista era muito melhor que o atual, e nossa folha de pagamento não mudou muito. Ou seja, uma total ineficiência administrativa.

Sabemos os problemas políticos do clube, e o quanto eles atrapalham o bom desenvolvimento do futebol profissional. Sabemos também que o futebol, por mais que esteja vinculado ao clube, pode seguir seu rumo com certa autonomia, e uma gestão eficiente. Isso implica em buscar um elenco competitivo, contratações acertadas, comissão técnica qualificada, diálogos entre o time principal e a base... quem sabe o Sampaio não dá uma ajuda nesse sentido?

Rumo a um centenário glorioso. Vamos lá Verdão!

Saudações e boa semana a todos.
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