Um ano nota quatro, e a morte de Sócrates (16/12/2011)
 
Amigos Palestrinos,

É o encerramento de mais um ano de decepções para nossa torcida. Mais um ano em que o planejamento falhou, a incompetência de alguns dirigentes ficou nítida, a sorte também não contribuiu.

Para Felipão, um ano “nota seis”. Bondade dele. Um time que gasta o que gastamos por mês não conseguir chegar sequer a uma disputa de título entre quatro campeonatos disputados é vergonhoso.  Fizemos uma campanha razoável no Paulista, e ate merecíamos ter chegado à final. No Brasileiro, um bom primeiro turno. E só. É muito pouco para a folha de pagamento que temos, e também tendo em vista a nossa tradição. Um ano, no máximo, nota quatro.

De qualquer jeito, agora é pensar no planejamento para os próximos anos. Mas antes, queria falar um pouco sobre a morte de Sócrates e o final do Campeonato Brasileiro. Acho importante pensarmos no que aconteceu naquele domingo. Por um lado, um dos maiores ídolos da história do Corinthians (se não o maior, pela identificação e por toda aquela história de democracia) morreu no mesmo dia em que o time ganhou um importante título. Daí, vieram as homenagens e muita falação a respeito. Apareceu até uma história de que o Sócrates haveria dito em 1983 que gostaria de morrer num domingo com o Corinthians campeão. Pura invenção de Internet.

Pensando a respeito e conhecendo um pouco do passado e das convicções políticas do ex-jogador, fui atrás para saber se havia alguma entrevista recente de Sócrates em que contivessem suas opiniões sobre o Itaquerão e a atual diretoria comandada por Andres Sanchez. Encontrei na revista da ESPN:

"Não precisa construir outro estádio em São Paulo. Os Estados Unidos não fizeram nenhum. A Alemanha fez um. Será um carnaval de um mês com uma bela conta para pagar depois. Que o Corinthians precisa de um estádio, é óbvio. MAS NÃO PRECISA SER AGORA, NEM COM A GENTE PAGANDO" - Sócrates sobre estádio Itaquerão

"Sou malquisto lá. A direção do Corinthians não gosta de mim. O que vou fazer na casa dos outros se eles não gostam de mim?" - Sócrates sobre atual diretoria

Não vou negar que ele gostaria de ver a homenagem feita pelos torcedores e jogadores antes do jogo. Tenho certeza de que ele gostaria de ver milhões de corinthianos felizes com o time. Isso não nego. Não tenho certeza, no entanto, se ele gostaria de ver o nome do time que defendia ao lado de Ricardo Teixeira, à frente de uma Copa do Mundo cheia de corrupção. Para Sócrates, a política sempre foi muito mais importante que o futebol. Tenho quase certeza que, por causa de todo esse contexto, Sócrates PREFERIRIA VER O VASCO DE ROBERTO DINAMITE CAMPEÃO do que o Corinthians de Andres Sanchez.

O mais interessante é que, alguns dias depois, a revista inglesa The Economist, ao publicar um texto homenageando o ex-jogador fez questão de mencionar a decepção que Sócrates estava vivenciando em relação ao futebol brasileiro, e sobretudo ao Corinthians, quando se trata de corrupção. Aí vai o link:

http://www.economist.com/node/21541371

Voltando ao Palmeiras, parece que a diretoria atual pode até ser bem intencionada, mas não tem competência quando o assunto é planejamento e contratações. Dá até saudade de gestões anteriores, como a de Della Monica-Cipullo, que, ainda que muitos não concordem, foi a que mais trouxe benefícios ao clube na última década. Vale lembrar que o contrato da Arena foi feito nessa época.

Alguns nomes que surgiram nas especulações ou são de jogadores caros e que teriam pouca eficácia (Jorge Wagner e Diego Tardelli), ou então são ex-jogadores do Palmeiras (Obina e Cleiton Xavier). Não sei que mania essa de contratar ex-jogadores. Parece que não há criatividade, ou então que não se assiste aos jogos pelo Brasil e pelo Mundo mesmo. Assistindo ao jogo do Santos contra o Kashiwa nessa quarta pensei: “O Palmeiras está falando em contratar o Jorge Wagner. Então por que não traz esse Leandro Domingues, que se destacava bastante desde a época do Vitória e é muito mais útil?”

Falta um pouco de ousadia também. Poderiam olhar melhor para o mercado latino-americano, ou até mesmo europeu. Por que não trazer um jogador do leste europeu? Tem jogadores de muita qualidade por lá. Não acho que seria algo tão fora dos padrões, em termos financeiros, ainda mais com a crise que ronda a Europa. Falta arriscar um pouco mais.

Falando em se arriscar, e ainda lembrando a crise na Europa, por que não pensar em um jogador italiano? É muita loucura? Lógico que só seria possível um jogador mais em final de carreira, mas também que tivesse certo prestígio. Até para uma jogada de marketing. Quem sabe? Não acho tão impossível . Afinal, o futebol brasileiro sempre foi um atrativo, ainda mais agora, nas vésperas da Copa 2014. No caso de um jogador italiano, haveria ainda um detalhe: ele estaria defendendo um clube de origem italiana. Por que não? A diretoria reclama que o mercado esta ruim, que os jogadores não querem vir para o Palmeiras, mas o que falta é criatividade.

Rumo a um centenário glorioso

Vamos lá Verdão!

Boas festas a todos.
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