Caso Ewerthon: mais uma politicagem da diretoria (20/01/2012)
 
Nação palestrina,

É com imenso prazer que hoje dirijo a palavra para aqueles que, junto comigo, entoaram os mais nobres cantos alviverdes durante os jogos do nosso amado Palmeiras. Fico honrado com a possibilidade de poder expressar minha opinião para uma comunidade tão grande, tão ativa e com tantos usuários, como é o PTD. E por ter tantos atributos, já era hora do PTD contar com uma coluna especializada em abordar questões jurídicas e de negócios que envolvam o Palmeiras.

Como todos nós sabemos, existe parte de uma imprensa que faz questão de noticiar toda e qualquer informação que possa deturpar a imagem do Palmeiras e colocar torcedores, jogadores, parceiros e gestores em rota de colisão. E, na maioria das vezes, são estes veículos que trazem informações sobre questões jurídicas e de negócios envolvendo o Palmeiras, tendo como pauta, é claro, somente aquilo que é negativo, combinado com textos ardilosamente sensacionalistas.

Impossível negar que nossa atual situação política contribui bastante para que noticias explosivas apareçam diariamente. Assim como é impossível negar que a imprensa tem jogado combustível nas brigas internas que ocorrem nas alamedas do Palmeiras, fazendo o leva atrás diário dos conflitos entre situação e oposição, para “vender mais jornal” – poucos são os veículos e jornalistas que ainda prezam a informação digna.

E, enquanto a imprensa vende mais com a crise, o Palmeiras perde, perde e mais perde com ela. Não por outro motivo, escrevo aqui para que falemos de palmeirenses para palmeirenses: comentando, confirmando, negando e esclarecendo informações deste tipo noticiadas pela mídia ou de interesse geral.

Aproveitando a oportunidade de apresentação da coluna, não poderíamos deixar de falar do caso que envolve o atacante Ewerthon que, segundo informações do Portal IG, foi beneficiado com uma multa de 100% por causa do descumprimento de um acordo celebrado entre o Palmeiras e o jogador, que pouco fez pelo time e acabou rescindido seu contrato em janeiro de 2011.

Ewerthon, que deixou o clube para atuar no modesto Terek Grozny, da Rússia, deixou o Palmeiras com uma bela quantia a receber – por volta de R$ 3,2 milhões, valor este que foi diminuído em negociação conduzida por André Sica, no final da gestão Belluzzo, sendo ainda dividido em parcelas.

Depois de uma série de trapalhadas que, segundo o IG, foram protagonizadas pelos departamentos jurídico, financeiro e administrativo do Palmeiras, um valor de R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais), referente aos direitos de imagem do atleta, recebeu a aplicação de cláusula do acordo que prevê multa de 100% sobre o valor devido, por conta de um atraso de mais de três meses no pagamento das parcelas. Assim, a quantia devida passou a ser de R$ 1,2 milhão.

Isso porque, com o fim da gestão Belluzo, que havia pago normalmente a primeira parcela do acordo, a gestão de Arnaldo Tirone simplesmente deixou de pagar as parcelas subsequentes. Walter Munhoz  e Marcos Bagatella, que seriam os responsáveis pelo pagamento, não cumpriram a tarefa que foi previamente comunicada pelo então gerente administrativo, Sérgio do Prado. Utilizando-se de cláusula contratual, Ewerthon exigiu o pagamento da multa que fez com que o valor do acordo dobrasse.

Membros da gestão Tirone responsabilizado pelo caso fizeram aquilo que mais sabem: alguns passaram a bola para a para gestão anterior, outros preferiram não comentar o caso. E nas trapalhadas figuram os velhos conhecidos da torcida palmeirense.

Gilto Avallone, por exemplo, em reunião do COF realizada em dezembro, deixou de lado a busca por responsáveis e culpou a gestão anterior. Por e-mail, ele disse: “O pagamento fez parte do acordo o direito de imagem que estava atrasado. Acontece que o acordo foi firmado dois dias antes das eleições. Quando tomaram posse havia R$ 50 milhões em atraso mais R$ 1,5 milhão de negativo nos bancos. Não tiveram tempo de ler todos os documentos tamanho era o rombo, nem sabiam o que fazer nos primeiros dias”.

A explicação dada somente demonstra a falta de respeito dos gestores com os associados e com o torcedor, que financiam as atividades do clube. Walter Munhoz, apontado como um dos culpados, diz, simplesmente, que a dívida foi renegociada.

Ora, mas isso é brincar com a paciência do torcedor que espera ávidamente por reforços de peso, não contratados sob constantes alegações de redução de custos. Sr. Arnaldo Tirone, me diga, qual redução de custo é esta ? Que tipo de inexperiência tem um gestor de futebol que mantém um financista que lhe dá este rombo em plena época de reforços ?
 
A falta de preparo é tanta que nem mesmo uma explicação convincente foi dada à torcida e a mídia. Inconformados, um grupo de conselheiros entrou com um pedido de comissão para apurar o caso.

Piraci de Oliveira, diretor jurídico do Palmeiras, é outro apontado como responsável, e em declaração feita ao Blog do Perrone, disse: “Em relação ao caso Ewerton cabe dizer que os valores divulgados são irreais e que não debateremos o assunto pela imprensa, até por envolver remuneração de ex-atleta que merece respeito.

Entretanto, achamos ótimo debatermos internamente o caso, momento em que aproveitaremos para discutir os R$ 10 milhões de tributos não pagos pela gestão passada, os 200 mil euros pagos para um empresário apresentar um conselheiro ao clube, o sumiço de R$ 290 mil, bem como os mais de R$ 50 milhões pagos nesse ano, relativos a obrigações vencidas até 2010.”


Novamente, o torcedor palmeirense é desafiado por uma diretoria que lava roupa suja na rua, diante da imprensa, ao ver seu diretor jurídico (que, inclusive, já patrocinou uma ação judicial de um jornalista contra o clube) jogar a culpa em outra gestão e preferir omitir os fatos alegando respeito ao atleta. E o respeito à torcida que canta e vibra, como fica ?

Como disse antes, é mais do mesmo. Não ficaremos espantados se o pedido protocolado pelos conselheiros oposicionistas não entrar na pauta de José Vergamini.

E o pior de tudo isso é que Ewerthon mal fez pelo Palmeiras – um cara que simplesmente não deu certo, mesmo chegando razoávelmente acreditado por seu histórico. Não fez nada e foi embora, deixando uma dívida que é normal nas negociações do futebol. Mas que já era alta o suficiente para que o departamento financeiro se preocupasse em fazer pagamento para evitar a incidência da multa, ainda mais quando a secura de gols é diretamente ligada à falta de caixa do clube.

Por mais absurdo que seja o caso e a falta de medidas da gestão de Arnaldo Tirone, esse é so mais um entre os tantos absurdos que estamos cansados de ver, justificados de maneira infatil por aqueles que gerem um time que conta com 15 milhões de torcedores.

Arrisco dizer que a culpa disso é que o ambiente do clube é altamente politizado, o que favorece o protecionismo - isso sem falar na falta de preparo de muitos dos diretores. 

A oposição, que já foi mais barulhenta, hoje não consegue competir com as trapalhadas da gestão atual e está mais do que silenciosa. Assim, bizarrices são costumeiramente publicadas na imprensa e o clima fica ainda mais tenso.

Enquanto nada disso muda, o Ewerthon fica R$ 1,2 milhão mais rico e a tragédia italiana que assola o Palmeiras fica cada vez mais macarrônica, sempre com o mesmos personagens e sempre com o mesmo final: pizza.

Que os responsáveis por mais essa vergonha sejam punidos.

Dá-lhe Porco!

Felipe Barreto Veiga
felipe.veiga@palmeirastododia.com

acesso rápido
 
 
 
 
 

Palmeiras Todo Dia - O Site Oficial do Torcedor Palmeirense!