A infame ditadura da maioria (20/03/2012)
 
Cada canal de comunicação tem o direito de escolher aquilo que irá abordar ou transmitir. Fato incontestável, vem sendo usado pra justificar tendências, privilégios e preferências.

Alguns podem argumentar que a imprensa não tem preferência... ela só precisa ganhar dinheiro, o que é bem verdade. Acontece que esse apetite leva à uma ditadura da maioria, já que a busca voraz pela audiência - ao invés de multiplicar as opções - concentra e pasteuriza a mensagem pra que seja absorvida pelo maior número de idiotas (ou pessoas?) possível.

Essa cultura do populacho produz aberrações que vão desde grupos musicais que causariam total incredulidade há algumas décadas, até transmissões televisivas no estilo "Vai Curíííntcha" (perdão pelo vocabulário), passando por matérias ultratendenciosas (que formam uma opinião que favoreça os interesses comerciais do canal, como a da Record descendo o pau sobre o MMA, depois que perdeu seus direitos pra Globo), ou retaliação pura e simples, como aconteceu por anos entre a Globo e o Vasco da Gama, que prejudicou a torcida carioca por conta de picuinhas com o então presidente do clube.

É tudo uma selva nojenta, encoberta por uma vegetação de "informação e verdade". Mentira. É a informação que o canal quer, pra formar "uma verdade" que favoreça seus interesses.

No fim da década de 70, foi conveniente e importante pra Globo ver um time popular alinhado com sua filosofia (não pense, consuma) alçando vôo. E dá-lhe transmissão do Framengu pro Brasil todo, ad nauseum. E agora acontece a mesma coisa com seu par paulista. Vai ter novela, transmissões aos montes, vai curintcha, vai povão, Omo é multiação.

O problema não é o que os filhadaputcha querem transmitir. Eles que enfiem na TOBA sua transmissãozinha nojenta. O problema é a exclusividade, que concentra as opções deixando o torcedor a mercê do pague (mais) pra ver, do computador (com a imagem tosca) ou do bar do Zé (ou da casa do amigo). Isso é um CRIME!

Mas não podemos fazer nada. Os clubes abriram as pernas ginecologicamente pra dona Grobo e sua exclusivitè. Ficaremos parados? É provável, mas deveríamos, aos poucos, criar NOSSOS PRÓPRIOS CANAIS DE TRANSMISSÃO E COMUNICAÇÃO, que devem extrapolar a internet ao passo que ela aumenta sua capacidade e interação com a própria TV.

O Palmeiras não deve ser baba ovo de audiência. Não fazemos parte dessa massa cada vez mais acéfala, alimentada por uma mídia que não favorece a reflexão imparcial (a não ser que essa reflexão favoreça seus interesses).

Seremos sempre plurais e multiculturais, mas enfatizando sempre nosso próprio conteúdo, nosso jeito de fazer as coisas, desde a forma de tratar o torcedor, até a forma como se transmite os jogos do Palmeiras, sem ficar a mercê da infame pasteurização Hommer Simpson dos canais de trasmissão atuais.

Sempre achei e ouvi que o palmeirense, talvez por sua cultura, talvez por seu espírito, é um torcedor diferenciado... é hora de fazer valer esse ditado. Nossa pegada não é populista, mas sim conteúdo... Palmeiras, acorda pra tua própria força!
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