O Paradigma 94 (20/03/2012)
 
Amigos Palestrinos,

Pouco tempo depois de afirmar que não seria possível começar uma partida com Valdivia e Daniel Carvalho juntos, Felipão testou a formação contra a Ponte Preta. Apesar de um início muito bom, notou-se que o time não funcionou taticamente bem como em partidas anteriores. Ganha-se em habilidade e criação de jogadas, mas perde-se em relação à marcação. Isso porque, sem a bola, Maikon Leite segura a descida de um dos laterais adversários (o mesmo que fazia Luan), algo que dificilmente Valdivia e Daniel dão conta.

O importante é podermos, agora, discutir boas opções de escalação, algo que há tempos não ocorria.

Para o Palmeiras, é uma semana importante, já que temos que garantir a classificação na quarta-feira e fazer um bom clássico no domingo, mantendo a invencibilidade e a liderança. No entanto, o que chamou atenção nessa segunda-feira foi a divulgação da tabela do Brasileiro. Interessante notar que o Palmeiras não terá nenhum de seus jogos fora de São Paulo transmitidos em TV aberta. É o Campeão do Século recebendo uma falta de consideração dessas. Quem sabe no segundo turno as coisas mudem, tendo em vista a classificação do campeonato? Esse ano, dá para se pensar nesse sentido.

A ideia do texto de hoje também é levantar a discussão do porquê de o futebol brasileiro, que durante décadas foi considerado o melhor do mundo, estar em notória má fase.

Até o final dos anos 80, as equipes no Brasil jogavam no 4-3-3, com pontas e centroavante. Os pontas desapareceram aos poucos, e surgiu a ideia do “atacante” sem posição fixa. Mais próximo à Copa de 94, a maioria das equipes jogava no 4-4-2, sendo que, no meio-campo, havia jogadores com função apenas defensiva (volantes) e outros com função apenas ofensiva (meias). É o que chamaríamos hoje de 4-2-2-2. Foi assim que o Brasil venceu a Copa que não ganhava havia 24 anos. Isso criou o que podemos chamar de Paradigma 94 nos cronistas, torcedores, treinadores, e demais pessoas ligadas ao futebol.

Acontece assim. Uma parcela significativa das pessoas que lida com futebol no Brasil acha que aquele 4-2-2-2 de 1994 ainda é a maneira de jogar dos times de futebol. Isso manteve-se mesmo depois da conquista do “penta”, já com a seleção jogando no 3-5-2. Manteve-se mesmo depois que se vulgarizaram outras tantas formações táticas.

Manteve-se mesmo depois que ficou comum, nas principais equipes europeias, a presença obrigatória de jogadores de meio-campo versáteis, bons na marcação e na armação. É difícil falarmos apenas em “volantes”, “meias” ou “atacantes”, e, além disso, percebe-se que a maioria dos jogadores dos clubes de ponta sabe jogar bem em mais de uma posição. Caso contrário, é difícil firmarem-se.

Olhamos para a escalação que as tevês abertas mostram antes do jogo, e parece que todos os times ainda jogam que nem 1994. Observamos as peneiras nas categorias de base, e parece que todos os times ainda jogam que nem 1994.

O que se vê, na verdade, é que qualquer menino de 12 anos que joga futebol no videogame sabe mais de tática que uma parcela significativa dos jornalistas ou treinadores brasileiros.

Isso tudo acaba se refletindo na formação dos atletas. Muitas das pessoas que estão nas categorias de base por aí são despreparadas e continuam formando “volantes”, “meias” e “atacantes”, posições cujos conceitos mudaram muito de uns anos para cá. Só que os treinadores brasileiros não acompanharam essas mudanças. Não é à toa que nunca um brasileiro fez sucesso em um clube europeu como treinador. A diferença de conhecimento teórico é muito grande.

Na próxima semana, um pouco sobre o “derby” e também sobre as últimas rodadas dos campeonatos europeus.

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Rumo a um centenário glorioso. Vamos lá verdão!

Saudações e boa semana a todos.
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