País do futebol? (06/04/2012)
 
Amigos Palestrinos,

Apesar do susto que tomamos na partida contra o Horizonte, a equipe reagiu bem e teve tranquilidade para fazer os gols de que precisava. Vitória importante para dar uns dias a mais de descanso nessa reta decisiva, já que é nítido que alguns jogadores começam a dar sinais de cansaço. É o caso de Daniel Carvalho e Barcos, que foram muito importantes no início da temporada, mas que estão caindo de rendimento, muito provavelmente por conta da parte física.

Outra questão que deve ser levada em conta é a parte tática. Se o time vinha se acertando bem com o 4-2-3-1, Felipão resolveu, de uns jogos para cá, testar o time com três volantes, talvez para poder liberar mais os laterais. Só que o problema é que estamos sempre variando o esquema, como nesse último jogo. Para ser sincero, não consegui entender direito a intenção do treinador, se era jogar em um 4-3-2-1 ou em um 4-4-1-1. O time parecia meio perdido taticamente, sobretudo Wesley, que ainda não se encontrou por aqui.

Era momento de alterar a tática? Os jogadores brasileiros que nunca jogaram fora em geral não têm a inteligência tática para alterar tanto o esquema com qualidade, muito menos durante o jogo, como tem sido feito. Não é melhor fazer o “arroz-com-feijão”, agora que temos mais valores individuais? Esperamos que Felipão saiba que somente são possíveis alguns testes enquanto não começam as fases finais, mas, a partir de então, é melhor que seja definido logo o esquema de jogo.

Quanto aos próximos dois jogos, não há problema nenhum em não terminarmos o campeonato paulista em uma boa colocação. A vantagem de jogar em casa o “mata-mata” é totalmente desprezível. O importante é o time estar inteiro (fisicamente, sem desfalques, e com um esquema já definido) para jogar as quartas-de-final do Paulista, contra quem quer que seja, e também as oitavas da Copa do Brasil.

Em relação aos demais campeonatos pelo mundo, destaque para as competições continentais. Deixemos a Libertadores de lado, para analisarmos em uma próxima oportunidade. Na Europa, tivemos as quartas-de-final da Champions e da Europa League. Destaque, obviamente, para o confronto entre Milan e Barcelona, já que, nos demais, não aconteceu nenhuma surpresa. Muito interessante a postura do Milan em ambas as partidas. Fez uma marcação muito eficiente e soube explorar suas melhores jogadas ofensivas (leia-se Ibrahimovic). Não fossem as decisões polêmicas da arbitragem, o resultado poderia até lhe ser favorável.

Lógico que o Barcelona tem tudo aquilo que qualquer equipe do mundo gostaria de ter. Um time sempre bem fisicamente, com grande inteligência tática (na partida de volta alternou de um 3-3-4 para um 3-4-3 losango, e depois para um 4-3-3, com muita eficiência), com jogadores que conseguem jogar em diversas posições sempre em altíssimo nível técnico. Não é à toa que já se pode afirmar que se trata de uma das equipes mais espetaculares da História. É o time a ser batido.

Se não bastasse o grande confronto que fizeram, cabe mencionar que mais uma vez se viu uma atitude exemplar de uma torcida europeia. Quando Seedorf saiu de campo substituído na partida em Barcelona, a torcida local o aplaudiu, em gesto de respeito ao seu belo futebol. Detalhe: Seedorf já atuou com a camisa do Real Madrid, grande rival da equipe catalã.

Dois dias depois, vimos no ótimo confronto pela Europa League entre Schalke 04 e Athletic Bilbao – diga-se de passagem, dois times que, ainda que não sejam dos maiores da Europa, são de grande torcida e tradição – uma atitude semelhante. A torcida de Bilbao homenageou Raul, veterano jogador espanhol, ex-Real Madrid, que retribuiu o carinho com uma homenagem a um ex-jogador do Athletic, colocando flores em seu busto.

Infelizmente, no Brasil, situações dessas tornaram-se raridade. Lembro-me que, anos atrás, em uma partida entre Brasil e Equador no estádio do Morumbi, alguns poucos torcedores (de mais idade) esboçaram aplausos a um grande craque equatoriano, Aguinaga, já veterano na época, que deixava o campo após sofrer contusão. Em represália, grande parte da torcida vaiou, num gesto antiesportivo. Ano passado, no mesmo Morumbi, em um jogo comemorativo (aquele do Zico), sem qualquer motivo aparente, a não ser por razões “clubísticas”, Neymar foi vaiado por grande parte dos espectadores. Parece bobagem, mas para um país que se denomina “país do futebol” e que vai sediar a Copa do Mundo, há muito ainda que se aprender. Há que se apreciar, antes de tudo, a beleza do jogo.

O que tudo isso tem a ver com o Palmeiras? Não sei, mas aqui em São Paulo, digam o que quiserem, não há torcida apaixonada por futebol como a nossa. Arrisco-me a dizer isso porque, não vou negar, conheço, sim, muitos corinthianos apaixonados. Já os são-paulinos são raríssimos. De vez em quando se encontra algum. Os palmeirenses, por sua vez, são sempre apaixonados. Quem vira palmeirense não é para seguir a maioria, ou uma modinha. É porque ouviu histórias de lutas e conquistas, histórias de grandes craques e títulos, de grandes esquadrões. Enfim, histórias do futebol. Do bom e velho futebol.

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Rumo a um centenário glorioso. Vamos lá verdão!

Saudações e boa páscoa a todos.
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