Projeto centenário? (15/05/2012)
 
Amigos Palestrinos,

Ainda que a importância do título estadual deva ser relativizada, todos presenciamos neste último domingo uma conquista muito significativa, do ponto de vista histórico. Afinal, desde o Santos de Pelé não se via um tricampeão paulista. Nem o Corinthians de Sócrates, nem o São Paulo de Telê, nem o Palmeiras de Evair conseguiram tal feito– no máximo, chegaram ao bicampeonato. Além disso, vale lembrar que é um título conquistado em pleno ano de centenário.

É claro que grande parte do mérito cabe a Ganso e Neymar. Não é toda hora que surgem dois jogadores desse nível no mesmo clube, vindos da categoria de base. De qualquer modo, há que se ressaltar o esforço feito pela diretoria santista para mantê-los no clube. Dois anos atrás, já se falava em Europa para ambos, mas a diretoria tinha um planejamento em longo prazo, visando 2012, ano do centenário.

Fica a pergunta: onde está nosso “Projeto Centenário 2014”? Voltaremos outras vezes a essa questão, mas podemos adiantar que muita coisa permanece errada no “projeto” do Palmeiras – se é que há algum.

Uma das primeiras atitudes que se espera de um clube que pretende fazer um trabalho de longo prazo é manter a comissão técnica. Esse ponto está sendo seguido à risca (talvez até demais). Felipão completará dois anos de trabalho em breve. Aliás, desde a década de 70 que um grande clube paulista não tem tanta paciência em manter um treinador mesmo na falta de títulos. Resta saber se apenas a manutenção da comissão técnica configuraria um projeto, já que temos observado um grande “entra-e-sai” de atletas, que se torna obstáculo para um melhor entrosamento. Parece que o caso do Pedro Carmona é exemplo de falta de organização. Primeiro, o clube faz um grande esforço para trazê-lo e impedir que fosse vendido ao Japão. Depois, após raras oportunidades no time titular, abre mão do atleta. No mínimo, estranho.

Poucos sabem, mas o nosso zagueiro Danilo, vendido ano passado à Udinese, foi considerado um dos melhores do campeonato italiano que terminou domingo. Isso mesmo – na Itália, onde os zagueiros costumam ser os melhores do mundo, um palmeirense, que nunca teve chance na seleção, nem mesmo foi considerado zagueiro de alto nível quando jogava pelo Verdão, agora, jogando por uma equipe considerada mediana, destaca-se muito, ajudando seu time a chegar em terceiro lugar, sendo titular em 36 dos 38 jogos. Não deixa de ser interessante citar o caso, para termos noção do quanto os jogadores do Palmeiras são desvalorizados pela imprensa, e mesmo pelo próprio clube e torcida (às vezes contaminados por aquilo que os cronistas dizem).

Falando em “ser contaminado”, o que falta mesmo ao Palmeiras é um líder de boa intenção, caráter e pulso firme, que atue em favor do clube, sem se deixar levar por imprensa, conselheiros, e demais pessoas com interesses escusos.

Falamos de planejamento em longo prazo em uma semana decisiva na Copa do Brasil, em que importaria apenas pensar somente no próximo adversário. No entanto, há questões que não podem ser descartadas, ainda mais tendo em vista os últimos acontecimentos, como declarações de Felipão e de Tirone, e dispensas e contratações de jogadores, em plena quartas-de-final de uma competição importante. Não é necessário dizer que é momento inapropriado para começarmos nova crise.

Os destaques da última semana (além das boas apresentações do Santos) ficaram por conta de Universidad de Chile na Libertadores, que virou um confronto que parecia perdido, e pela final emocionante da Premier League, decidida nos últimos minutos, com a vitória de uma equipe tradicional, mas que não vencia há mais de 40 anos, os “citizens” de Manchester. Vale destacar também a despedida de Del Piero na Juventus e de Nesta, Gattuso, Zambrotta e Inzaghi no Milan, fazendo com que um ciclo se encerrasse no futebol italiano. Afinal, todos são jogadores presentes no título mundial da Itália em 2006.

As próximas duas semanas reservam jogos decisivos na Copa do Brasil e Libertadores, com ótimos confrontos, de muito equilíbrio. Fica realmente difícil arriscar palpites. Se não bastasse, o sábado será de final de Champions League. Aí sim daria para arriscar que o Bayern é favorito, por jogar em casa e ter desfalques mais fáceis de serem substituídos do que os do Chelsea. No domingo, tem também a decisão da Copa da Itália, entre Juventus e Napoli. O detalhe é que a Juventus quer terminar invicta a temporada, um feito que raramente é atingido pelos clubes que jogam campeonatos de alto nível.

Esperamos bons jogos durante a semana, e nosso Verdão nas semi-finais, algo que é perfeitamente possível, se mantivermos o foco na competição.

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Rumo a um centenário glorioso. Vamos lá verdão!

Saudações a todos.
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