A Família Palmeiras Scolari 2012 merece o presente (19/07/2012)
 
Dia 11 de Julho de 2012: Coritiba 1 x 1 Palmeiras; Palmeiras Campeão da Copa do Brasil 2012. Nos minutos finais foi nítida a emoção do goleiro Bruno em conquistar seu primeiro título como jogador em ação; o meia Valdívia mesmo não jogando esta partida final vibra de alegria esquecendo-se dos dramas que passou como jogador no clube e sequestro a poucos dias; os atacantes Luan que se arrastou no campo nos minutos finais, Tiago Heleno contundido , Barcos operado da apendicite, Henrique com febre, Mauricio Ramos, Marcio Araujo, Betinho e seu gol decisivo e Marcos Assunção o maestro em campo declarando que o título pelo verdão era o mais importante de toda a sua carreira certamente demonstrou que a Familia Palmeiras Scolari merece o presente dados os obstáculos que não somente enfrentou durante esta partida ou pela invencibilidade , mas principalmente pelas dificuldades que foram enfrentadas em 2 anos de comando do Técnico L.F.Scolari.

Lembro-me que ao chegar no clube, Felipão disse de modo bem claro a imprensa não só de São Paulo, mas todo o Brasil que tanto ele quanto a Sociedade Esportiva Palmeiras voltariam a ser felizes. Com a chegada do então idolatrado e chamado Gladiador atacante Kleber somado a reforços promissores como os atacantes Tadeu (ex. Gremio Prudente/SP) e Luan (Toulose/França), o volante Rivaldo e Tinga (tido como volantes promissores vindos do Avai/SC e Ponte Preta/SP respectivamente), a recente vinda de Marcos Assunção e Lincoln jogadores com experiencia do externo e também a volta do mago Valdívia após anos no futebol arabe, tudo indicava que um novo esquadrão haveria de se formar. Ainda viviamos com a expectativa de que o meia Diego Souza após desentendimentos com a torcida voltasse a ser reintegrado trazendo de volta um conjunto de jogadores vencedores pelo verdão no Campeonato Paulista de 2008 o que aumentava nossas expectativas de titulos no Campeonato Brasileiro de 2010 e Copa Sul Americana 2010. Parecia que da noite para o dia saímos do inferno tendo em nosso elenco jogadores mediócres como Eduardo (lateral esquerdo), Ivo (meia), Robert, Ewerton sob o comando interino de Parraga e anteriormente Antonio Carlos Zago (Zagueiro campeão pelo Palmeiras em 1993 e 1994 na era Parmalat) e ido ao céu. Mas a verdade é que não foi bem assim.

Diego Souza não permaneceu no clube e foi para o Atletico/MG; Lincoln e Valdivia começaram a viver uma odisseia no departamento médico, os reforços até então promissores como Tadeu e Rivaldo não passavam de mais um de tantos jogadores mediocres que tinham passado pelo clube até então recentemente e assim nossas esperanças se depositaram em Kleber que estava em boa fase vindo do Cruzeiro/MG com um time recheado de seis volantes! (4 volantes no meio campo e dois nas laterais). O que era pra ser uma equipe com jogo vistoso naquele ano, passou a ser bem tipo Felipão (carrancudo, pragmático). Em 2010, o time não foi tão eficiente na defesa a ponto segurar resultados quando precisava como nossa primeira decepção da 2º Era Scolari ao ser eliminado nas Semifinais da Copa Sul Americana frente ao Goias e também não tinha o importante jogador camisa 9 (centroavante nato). Esta eliminação deu munição a hostil imprensa anti-Palmeiras alegando que o Técnico L.F.Scolari estava ultrapassado e que com este elenco o clube não chegaria a lugar nenhum.

Mas Felipão não desistiu de trabalhar com este elenco. Alguns deixaram o clube por causa do interesse financeiro e empresários como o zagueiro Danilo (2º semestre de 2011), o volante Edinho (negociação , trazendo o atacante Adriano Michael Jackson), Kleber (imbroglio Flamengo) e outros. E persistiu em dar um padrão tático a equipe e investir na capacitação de alguns jogadores como Luan. A incompetencia ou falta de dinheiro da diretoria palmeirense somente fortaleciam as convicções de nosso técnico que se desfizesse o elenco, os danos seriam ainda maiores. Uma característica que torna o técnico Felipe Scolari especial é a de que ele acredita em atletas quando todos não acreditam que dali possa sair algo de bom; Uma prova disso foi com o zagueiro Tiago Heleno, que foi vencedor no Cruzeiro com Luxemburgo em 2003, foi para Europa, voltou para o Corinthians e de lá saiu enxotado por uma falha cometida em jogo junto com o até então técnico da equipe Adilson Batista que o indicou para nosso comandante. A partir de então a equipe passou a ter consistência na defesa e alguma evolução no meio e ataque o que nos levou a semifinal do Campeonato Paulista de 2011 somente perdendo nos penalts para o Corinthians, penalt perdido pelo volante João Vitor e infelizmente aquela trágica eliminação (a segunda grande tragédia) frente ao Coritiba na Copa do Brasil 2011 perdendo de 6x0 no Couto Pereira em Coritiba e na volta vencendo de 2 x 0, já sem qualquer esperança de conquistar a competição neste ano. Era nítido e forte as opiniões acerca do Palmeiras, desta equipe e do técnico Felipe Scolari que se tratavam de um grupo de derrotados. Uma série de perseguições a jogadores passaram a acontecer no clube, dentre eles, o volante João Vitor, o atacante Luan , Marcio Araujo, Mauricio Ramos... Ainda sim graças a credibilidade conquistada do técnico em tempos passados, Felipão segurou a barra do clube e dos jogadores chamando a responsabilidade para si e continuando o seu projeto de formar uma equipe vencedora. Com uma equipe mais estável ainda que os resultados não tendo sido nada felizes, Felipão tratou de buscar alternativas para o centroavante: tentou com Ricardo Bueno, Fernandão... e foi somente neste ano que acertou melhor o time trazendo alguns reforços de qualidade como o lateral esquerdo Juninho que estava no Figueirense/SC – um dos melhores do país. O meia Daniel Carvalho (ex-seleção, CSKA ) que estava em evolução no Atletico/MG, somado aos retornos de Valdivia e a vinda do camisa 9 tão esperado, El Pirata Barcos; o time ganhou real competitividade apesar das limitações do elenco. O desafio era vencer a desconfiança do torcedor e toda a zombaria da imprensa. E assim silenciosamente , a Familia Palmeiras Scolari fez: discretamente formou uma base que liderou o Paulista 2012 toda a primeira fase e que infelizmente tropeçou frente ao Guarani. Mas diante desta queda , o que me chamou a atenção foi a postura do técnico e estimulo dado aos jogadores através das palavras do zagueiro Maurício Ramos que disse que o elenco depois da derrota frente ao Guarani, o grupo realmente se fechou e estaria totalmente focado na Copa do Brasil jogando estas partidas decisivas como o jogo de suas vidas. E realmente o fez frente a Paraná, Atlético/PR, Grêmio e Coritiba contando de ultima hora a inscrição das revelações vindas do Oeste , o meia Mazinho (com apelido de Messi Black), o Lateral esquerdo Fernandinho e o ridicularizado e desacreditado atacante Betinho. Felipão ainda durante um período de 2 semanas sem partidas descobre que o zagueiro Henrique seria um excelente volante, e Artur daria segurança para a descida de meias ou volantes pela direita. Tiro na mosca! O time jogou arredondado e ainda que não tão bonito, conquistou este time com qualidades, raça e coração.

O que eu mais fiquei feliz com a conquista do Palmeiras foi calar a boca principalmente da imprensa e dos adversários que diziam que verdão já era e que seu destino futuro era a morte. Hoje, não poderão mais dizer que jogadores contestados como Luan, M.Araujo, M.Ramos são um grupo de derrotados ; Não dirão mais que o Felipão é um técnico ultrapassado, e hão de observar uma evolução cada vez maior desta equipe que se tudo der certo há de conquistar tantos títulos quanto a aquela maravilhosa equipe Palmeirense de 1998-1999 de Evair, Zinho, Alex, Paulo Nunes, Arce, Galeno e outros se houver bom planejamento politico/social do clube e apoio ao sólido trabalho do técnico Felipe Scolari.

A Familia Palmeiras Scolari merece este presente. E tomara que, muitos outros presentes e títulos mais, para a nossa alegria.

Fabio Luiz Batista
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