Depois do título (27/07/2012)
 
Amigos Palestrinos,

Veio o título que esperávamos, para tranquilizar torcida e jogadores. Para fazer com que o Palmeiras volte a ser grande e temido. Para nos colocar novamente na Libertadores da América, de onde não devíamos ter saído. Merecidíssimo, diga-se de passagem. Depois do título, após as devidas comemorações, o time não pôde descansar, e voltamos à disputa do Brasileiro, e em uma situação bastante complicada. Além da posição ruim na tabela, vieram inúmeros desfalques por contusão e cartões. Chegamos a onze desfalques para a partida contra o Coritiba, pelo Brasileiro.

Sejamos justos: tendo em vista as condições, o time está se superando. Exceção feita ao jogo de ontem, foram muito boas as últimas apresentações da equipe, o que reforça a ideia de que o título da Copa do Brasil trouxe maior confiança aos jogadores. Ontem, jogo atípico. O Palmeiras foi bem na maior parte do tempo, mas não soube aproveitar as chances, e teve algumas falhas individuais. Em certo momento, o Bahia ganhou um “pênalti à brasileira”. Daí, não conseguimos reagir mais.

Não tem problema. O importante é manter o trabalho, e o grupo vai conseguir se reerguer no campeonato. Apesar da colocação ruim na tabela (16º no momento), não consigo imaginar esse time brigando para não cair até o final do campeonato, ainda que não tenhamos mais grandes perspectivas de título. Um time que tem Barcos, Assunção, Valdívia, Henrique, Juninho não é time para brigar para não cair. Logo, estaremos ao menos em posição mediana, e poderemos pensar no planejamento para o próximo ano. À propósito, seria interessante que se pensasse a respeito da permanência ou não de Felipão, para que se possa traçar com antecedência um projeto a longo prazo para 2013 e, por que não, para o ano do centenário.

De qualquer modo, um assunto continua me intrigando. Quem é palmeirense, amante do futebol, conhecedor da história do Palmeiras-Palestra e do futebol brasileiro, torcedor de ir sempre aos estádios, simplesmente não consegue entender essa história de Arena Barueri.

Sei que vou tocar no assunto pela enésima vez. Sei que muitos vão achar enfadonho. Mas, enquanto continuarmos “mandando” os jogos lá, continuarei batendo na mesma tecla. Afinal, no momento, não há nada que me incomode mais do que isso. A maioria esmagadora dos torcedores que costuma ir ao estádio simplesmente deixa de ir. A média de público do Palmeiras é ridícula, sendo a pior dos 20 participantes do campeonato. É uma piada, é um absurdo. Não há como negar que o motivo é Barueri.

Não consigo imaginar que o clássico contra o São Paulo, fosse no Pacaembu, teria, no mínimo, vinte e cinco mil torcedores presentes. Ontem, a mesma coisa. Um time recentemente campeão, que acabou de ganhar com propriedade no fim-de-semana, que precisa se recuperar no campeonato, jogando contra um adversário teoricamente inferior, precisando do apoio da torcida, em uma noite agradável. Todos os ingredientes para casa cheia, se o jogo fosse no Pacaembu. Eu teria ido, e sei de muitos outros que teriam. Mas Barueri não dá. Tem que se programar com muita antecedência, o custo é muito maior para quem vai de carro, quem vai de trem não sabe se vai conseguir voltar em tempo...

Além disso, vale lembrar que o programa de sócio-torcedor, que foi relançado aproveitando a final contra o Coritiba, teve boa aceitação, mas certamente perderá muitos sócios se os jogos continuarem sendo em Barueri.

Outra coisa que me ocorreu: onde será o jogo-despedida de São Marcos? Pelo andar da carruagem, vai ser em Barueri também. Ou então? Será que não é a hora de voltarmos à capital? E em relação à Libertadores do ano que vem? Seremos obrigados a ir até Barueri também?

Nada contra o estádio de Barueri, nem contra a cidade de Barueri, mas que fique para o Grêmio Barueri. Meu Palmeiras já tem casa. Melhor ainda – tem duas casas. Palestra Itália e Pacaembu. Quem sabe a história do Palmeiras sabe disso. Quem não sabe a história, fica repetindo o que o corinthiano adora ouvir (que o Pacaembu é só do Corinthians). É ignorância achar que o Pacaembu é do Corinthians. É ignorância achar que ele não serve para o Palmeiras (ou, pior ainda, que dá azar...)

Aliás, se o problema é sorte ou azar, parece que a “mística de Barueri” acabou ontem. Na verdade, se olharmos com atenção, o retrospecto do Palmeiras em Barueri não é grande coisa. Se considerarmos apenas os jogos contra equipes consideradas “grandes”, ganhamos apenas um terço dos pontos disputados. Ou seja, toda essa “invencibilidade”, toda essa “mística” foi conquistada contra equipes menores, e os resultados podiam ser os mesmos em qualquer estádio.

Se, após a construção da Arena, perdermos um ou outro jogo, vamos fazer o quê? Derrubar tudo e construir de novo? Chega de fazer papel de palhaço! Meu Palmeiras é grande demais para isso!

Semana que vem, começa para nós a Sul-Americana. Se não é a competição mais importante que existe, é o que nos resta nesse ano, até mesmo para treinar a equipe para a Libertadores do ano que vem. Espera-se que a base do time se mantenha, e então o planejamento visando a Libertadores poderia começar desde já. O difícil, mais uma vez, é a torcida lotar Barueri em um dia de semana para uma partida de primeira fase de competição. Afinal, nem todo torcedor vai querer sofrer para se deslocar até lá como fizemos contra o Grêmio, ou contra o Coritiba – jogos que, fossem onde fossem, teriam lotação máxima, pela sua importância.

Enfim, mais uma vez, voltemos à nossa segunda casa, o Pacaembu! Que todos tenham isso bem claro em mente: o Pacaembu sempre foi nossa segunda casa – em muitos momentos de nossa história, chegou a ser a primeira casa (os mais antigos sabem disso).

Que a diretoria tenha bom senso e acabe de uma vez com isso. Pacaembu até a volta do Palestra! E fim de papo.

Chega de sermos time pequeno. Chega de tratar os torcedores como lixo!

Forza Palestra!

Estou no twitter também. Para quem quiser seguir: @tundizap

Rumo a um centenário glorioso. Vamos lá verdão!

Saudações a todos.
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