O Palmeiras não é um time, o Palmeiras é uma idéia (03/10/2012)
 
Palestrinos,

Nesta última segunda-feira, 1º de outubro de 2012, tivemos a oportunidade de assistir a votação da alteração da redação do Estatuto Social da Sociedade Esportiva Palmeiras, para que fossem incluídas as disposições sobre as eleições diretas para a presidência, mais conhecidas como as “Diretas”.

O movimento foi muito alardeado pela imprensa – diferentemente do resultado e do impacto que esta mudança terá no futuro do clube – e inúmeros torcedores acompanharam a votação pelo Twitter, através da hashtag #Diretas JaSEP, que alcançou os trending topics do dia.

Porém, sabemos que, por vezes, a imprensa é tendenciosa e, em um momento turbulento como esse, não seria diferente. Por isso, sugeri ao meu amigo Bruno Laurito Pinheiro, palmeirense que acompanha de perto a política do clube, que elaborasse um texto contando, de forma resumida, o processo de votação das Diretas. Afinal, o intuito da coluna é reunir opiniões de juristas e executivos do desporto sobre assuntos que envolvam o Palmeiras.

Espero que gostem do texto, assim como tenho certeza de que gostaram da aprovação das Diretas.

Abraços,

Felipe Veiga

O Palmeiras não é um time, o Palmeiras é uma idéia

Certamente todo torcedor palmeirense já ouviu aquela frase: “o maior inimigo do Palmeiras é ele mesmo, está lá dentro”. Pois é, e não é que é, era (?) verdade?!

Este último 1º outubro mais parecia 12 de junho de 1993 ou 12 de julho de 2012, para remeter à nossa última conquista, frise-se, dentro de campo! A reunião extraordinária do Conselho Deliberativo tinha ares de decisão. A torcida se mobilizou, a imprensa repercutiu e o Palmeiras saiu vencedor.

Mas não foi tão simples quanto parece. O projeto de alteração da redação estatutária para inclusão das eleições na forma direta para presidente e vices, nasceu ainda na gestão Belluzzo, passou pelo primeiro ano da gestão Tirone sob o abafo de uma gaveta trancada pelo presidente do conselho, José Angelo Vergamini. Até ‘festa da gaveta’ tivemos que promover.

E após uma maciça pressão da torcida, uma grande movimentação nos bastidores do clube e algumas trocas de abraços e farpas daqueles que (apesar de não entenderem) remam para o mesmo lado, a promessa de inclusão em pauta daquele requerimento de conselheiros que virou processo judicial, estava consignada.

Na semana anterior ao lançamento do livro do eterno ídolo São Marcos, em uma quarta-feira à noite, Belluzzo, Vergamini e a Dra. Rita Cosentino, do Departamento Jurídico da SEP, entre outros, reuniram-se para por fim ao trancamento daquela gaveta abafada pela falta de democracia.

Eu poderia enaltecer o professor Belluzzo ou apenas lembrar a iniciativa positiva da Dra. Rita. Sim, claro que eles foram importantes. Mas faço aqui minha reverência à torcida do Palmeiras. Perfeita faixa que vi ao entrar de carro na Academia de Futebol, ‘NÓS SOMOS O PALMEIRAS’.

Isso mesmo! Nós, a torcida! Seja aquele torcedor que ficou de sua casa acompanhando como podia, aquele que viajou e não pôde comparecer, um conselheiro empenhado, aquele associado radical que não suportava ver conselheiros na mesa ao lado no Bar do Tênis, seja aquele torcedor que quer, como todos, ver o Palmeiras campeão. NÓS vencemos. O Palmeiras de italianos, brasileiros, chineses, devotos, pagãos, ateus, PALMEIRENSES, venceu como nasceu de Palestra para Palmeiras, campeão.

Como não poderia deixar de ser, nos momentos anterior à votação, o clima na Academia de Futebol era de pressão. Pacífica e intensa, assim foi a movimentação da torcida do Palmeiras.

E a Mancha Alviverde merece aqui uma lembrança: a partir do momento que a votação teve início, seu presidente Marcos ordenou a saída dos componentes da organizada. Era a certeza de um dever cumprido e que, na pior das hipóteses, a assembleia de sócios seria soberana.

Os carros que entravam e tentavam sair, eram recebidos sob xingamentos de amor. De amor pelo Palmeiras. Não houve relato de violência. É claro que ninguém foi recebido com flores, mas como diria um personagem importante atualmente do clube: “quer tranquilidade, vai pro Pinheiros”.

A preocupação inicial de todos os envolvidos era com o quórum, já que haviam rumores de que algumas alas do clube buscavam esvaziar a reunião para retardá-la. No entanto, ao assinar a 143ª presença, a torcida respirou e o quórum subiu para 191 conselheiros.

Mas, os problemas, claro, não tinham acabado ali: a próxima aflição palestrina veio pela deliberação sobre a forma de sufrágio, aberto ou fechado. Apenas dois conselheiros votaram pela votação fechada, assim o voto aberto venceu. E no ápice da noite, indagados pela Dra. Rita, os conselheiros que fossem contra a eleição direta e a alteração da data da eleição, deveriam levantar-se. O chato tremeu, mas ninguém levantou. APROVADO!

Passemos às emendas. Aí a conversa já estava um misto de indignação com euforia, já que se dentro do ginásio da Academia de Futebol conselheiros acaloravam a discussão e do lado de fora a torcida comemorava. A mesa da reunião tentou aprovação das emendas em blocos - e olha que havia emenda para todos os gostos e desgostos.

Como era muito falatório e pouca decisão, ficou decidido que a assembleia permanece aberta, de modo que participarão dela somente os ali presentes, e que no próximo dia 22 de outubro serão retomados os trabalhos.

Foi uma vitória da coletividade, da massa-nação-família palmeirense. Eu poderia aqui fomentar o ódio ao Mustafá Contursi, reclamar do Della Mônica, insultar esse ou aquele, mas pensemos na importância desse momento que nós conseguimos independente de nomes, mas sim a favor da instituição que nos dá o nome de palmeirense.

Sempre prego como torcedor-sócio-palmeirense, a convergência. Que as nossas diferenças políticas, pessoais, religiosas, de escalação de meio campo, sirvam para nos aproximar, sirvam para engrandecer o debate. Isso não é nem um pouco utópico, isso é realidade. Realidade alinhada numa reunião do movimento ‘Acorda Palmeiras’ na quinta-feira que antecedeu a aprovação das “Diretas Já”. Afinal, no bloco de oposição havia uma baita discussão quanto à forma e conteúdo de emendas, se iríamos ou não apresentá-las, sob o receio de que travassem a votação. E o Palmeiras nos uniu como sempre, como queremos e como devemos.

Ao pegar o carro para ir embora, mais um pouco de comemoração. A torcida esperava para xingar de amor aqueles que julgava necessário, para abraçar aqueles que com ela lutaram, esperava os palmeirenses vitoriosos. A imprensa já tinha ido embora, boa parte dos presentes do lado de fora também, mas a história que escreveu mais um capítulo glorioso em nome dos mais de quinze milhões de fanáticos palmeirenses, está mais viva do que nunca.

Parabéns à você que faz do Palmeiras uma idéia que deu certo.

Bruno Laurito Pinheiro, palmeirense.
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