Por Eduardo Luiz, da Redação PTD - 03/12/2012 - 11:06h.
Dossiê – Operação Salva Palmeiras
Esse documento tem o claro objetivo de mostrar aos leitores a situação política do clube, além de servir de alerta aos conselheiros com direito a voto o tamanho de suas responsabilidades na escolha da nova presidência do clube.

Todos os fatos aqui relatados foram coletados em diferentes órgãos de imprensa, em ordem cronológica, não sendo, portanto, objeto de devaneios de um grupo de torcedores indignados nem tentativa de denegrir a imagem das pessoas citadas. Da mesma forma, dá a oportunidade aos citados de responderem o porquê das atitudes tomadas.

O que queremos, diante desse documento, é demonstrar nossa preocupação com os rumos que serão tomados a partir de janeiro de 2013, quando uma nova diretoria tomará posse, em meio à catástrofe anunciada ocorrida, que culminou com a queda do time à série B do Brasileiro.

Esperamos também esclarecer a grande massa palmeirense, espalhada pelos quatro cantos do Brasil e do Mundo, que, acreditamos, ainda estão perplexos diante de mais um grande revés alvi verde.

Nos capítulos, após cada matéria publicada, nos damos o direito de tecer comentários e levantamos dúvidas que, acreditamos, possam ser esclarecidas com o depoimento dos citados.

Outro fato que deve ser lembrado é que esse trabalho foi elaborado por torcedores do Palmeiras que não tem nenhum vínculo com nenhum grupo político existente, nem tem a pretensão de declarar apoio a qualquer candidato que venha a se apresentar para as próximas eleições. O que desejamos é, independente de venha a vencer as próximas eleições, que se restaure a moralidade nas ações inerentes ao futebol no Palmeiras e que essa nova direção consiga resgatar nossa dignidade, devolvendo o Palmeiras ao lugar de onde nunca deveria ter saído. Da disputa constante de títulos.

A conclusão desse trabalho só foi conseguida graças aos esforços de todos os verdadeiros palmeirenses e frequentadores do fórum PALMEIRAS TODO DIA, que contribuíram com o envio das notícias veiculadas. Também contou com o irrestrito apoio da administração do site PALMEIRAS TODO DIA, na figura de Eduardo Luiz, Marta Poncio e Victor Rodrigues, além de todos os moderadores.

Esperamos que tal documento consiga sensibilizar a massa palmeirense e que consigamos retomar nossa sina de sermos de fato CAMPEÕES, OSTENTANDO NOSSA FIBRA.

Saudações Palmeirenses;

José Merici Neto – moderador do site Palmeiras Todo Dia
Valmir Borine – colaborador do site Palmeiras Todo Dia

Publicaremos 1 capítulo por dia e ao final da série disponibilizaremos em PDF todos capítulos juntos.

CAPÍTULO 1

A PRIVATIZAÇÃO DO PALMEIRAS

Ao final do contrato de co-gestão com a Parmalat, o Palmeiras tinha em caixa o equivalente a R$ 45 milhões de reais que, na época, correspondia a R$ 45 milhões de dólares, dada a paridade cambial da época. Em 16 de dezembro de 2000, a FOLHA DE SÃO PAULO publica a matéria abaixo, assinada pelos Srs. Fernando Mello e José Alberto Bombig.

PRIVATIZAÇÃO DO PALMEIRAS DÁ SUPER PODERES A CONTURSI

A criação sigilosa da empresa Palmeiras Futebol Ltda. deu poderes quase absolutos ao presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras, Mustafá Contursi, sobre os negócios envolvendo o clube. A empresa privada de capital fechado, que teve sua criação revelada pela Folha em sua edição de ontem, foi aberta em 27 de dezembro de 1999 e tem um capital de quase R$ 45 milhões, o que a colocaria entre as 300 mais ricas do país de acordo com ranking do jornal “Gazeta Mercantil”.

A Sociedade Esportiva Palmeiras é a sócia majoritária da Palmeiras Futebol Ltda.. Do total de capital atual da empresa – R$ 44.702.023-, ela tem direito a R$ 44.702.018. Os outros R$ 5 da empresa são divididos igualmente entre os cinco sócios minoritários: o próprio Mustafá Contursi e quatro vice-presidentes da Sociedade Esportiva Palmeiras - Affonso Della Monica Netto, Luiz Augusto de Mello Belluzzo, José Cyrillo Júnior e Luiz Carlos Pagnota. Como Contursi representa a parte majoritária, o mesmo foi indicado pelo clube como gerente-delegado da empresa, podendo tomar qualquer decisão sem precisar do aval dos outros sócios.

De acordo com as cláusulas 9 e 10 do contrato social da empresa, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo, Contursi tem, sozinho, poderes para:

1) “(…) representar a sociedade ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente; (…)”
2) “(…) transigir, renunciar, desistir, firmar compromissos, confessar dívidas, fazer acordos, contrair obrigações, celebrar contratos, outorgar mandatos e adquirir, alienar e onerar bens (…)”.

A criação da empresa, que administra 20 passes de jogadores que pertencem ao clube, possibilita ainda a Contursi tomar qualquer decisão sobre os quase R$ 45 milhões acumulados até agora sem precisar submeter ao Conselho Deliberativo seus resultados financeiros nos balanços anuais. Mas o poder de Mustafá Contursi não se restringe apenas ao aspecto financeiro. A partir de agora, o presidente palmeirense decide quais torneios o time de futebol vai disputar, com que outras empresas o clube vai se associar e pode até passar a outros os direitos sobre a marca Palmeiras. O dirigente também pode aumentar seu salário por representar o clube na sociedade, pois seu cargo é remunerado.

Procurado pela reportagem, o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Cláudio Mezzaranne, não quis se manifestar sobre a privatização palmeirense nem sobre a diminuição do poder do órgão que dirige. A interlocutores, no entanto, Mezzaranne disse ter ficado revoltado com o aporte financeiro destinado à empresa em 26 de setembro - a firma foi aberta com capital de R$ 10 mil e teve um incremento de R$ 44.692.023 há dois meses. Segundo a Folha apurou, não havia sido revelada ao Conselho o valor do aporte de setembro.

A revelação do patrimônio da empresa causou mal-estar também no clube. Um membro do Conselho, que preferiu não se identificar, disse que o órgão sofreu uma “rasteira”. Por causa da inexistência de uma oposição forte ao atual presidente, no entanto, o quadro sucessório no Palmeiras não deve ser alterado. Nas eleições marcadas para janeiro de 2001, Contursi é, por enquanto, candidato único à presidência e não deve ter adversários para seguir no cargo que ocupa há mais de sete anos.

Ontem, o dirigente voltou a ser procurado para comentar a abertura da Palmeiras Futebol Ltda., mas não foi localizado. O ex-presidente do clube Carlos Bernardo Facchina Nunes defendeu a atitude da atual diretoria de abrir a empresa. Bastante nervoso, o dirigente, responsável pelo acordo feito com a multinacional Parmalat em 1992, disse que a privatização do clube é lícita. “Foi aprovada pelo Conselho e não foi divulgada porque o Palmeiras não deve satisfações nem à imprensa nem a ninguém. É um absurdo publicar essa informação em meio a uma CPI. O Palmeiras é um clube limpo, que faz seus negócios sempre com lisura.”

NOSSO COMENTÁRIO

É, no mínimo, de se causar suspeita que um clube de futebol da grandeza da Sociedade Esportiva Palmeiras, com um enorme patrimônio físico, histórico, de títulos e com um número estimado em cerca de 15 milhões de torcedores, possa passar a ser administrado como uma empresa e que todo esse processo tenha ocorrido de forma sigilosa. À que atribuir esse sigilo? Seria com a finalidade de preservar os moldes para se evitar que a concorrência copie? Ou seria porque o principal interessado desejava que esse processo ficasse longe de qualquer tipo de foco por parte da mídia e consequentemente dos sócios, torcedores ou quem sabe do Ministério Público? Até porque, analisando o teor do texto, fica claro que os poderes dessa empresa ficariam restritos única e exclusivamente ao Sr. Mustafá Contursi, então mandatário palmeirense, há sete anos no poder e apresentado como candidato único para as novas eleições que se aproximavam.

Também se torna estranho o incremento de quase R$ 44 milhões ocorrido em setembro do mesmo ano. Entende-se, pelas circunstâncias da época, que há grande possibilidade de que esse incremento de R$ 44 milhões às contas da Palmeiras Futebol Ltda. deu-se justamente de repasse de verba que seria destinada aos “cofres” da Sociedade Esportiva Palmeiras, resultantes do rescaldo financeiro devido a finalização da co-gestão com a Parmalat. Ocorrido o repasse, que de fato ocorreu, questiona-se quais seriam os critérios (forma e objetivo) para a utilização desse recurso por parte da empresa Palmeiras Futebol Ltda.? Fosse nos moldes normais, depositado nos cofres da Sociedade Esportiva Palmeiras, esse dinheiro seria destinado ao clube para quitações de dívidas e aplicações em benfeitorias no clube em seus diversos setores, inclusive no departamento de futebol. Benfeitorias nas categorias de base, alojamento para os atletas, contratação de atletas, etc. Nesses moldes “normais”, observa-se que obrigatoriamente o uso do dinheiro seria discutido dentro do clube bem como teria que, ao final de determinado período da gestão, obrigatoriamente passar por uma prestação de contas. Porém, com a nova forma de gestão, o valor foi agregado no capital da empresa, cujo único administrador era, na oportunidade, o presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras, Sr. Mustafá Contursi.

Passados três anos, a FOLHA DE SÃO PAULO publica notícia em 15 de Janeiro de 2004 sobre a censura no Palmeiras (ver Capítulo 5 do presente dossiê), onde se destaca o texto a seguir:

A Folha teve acesso ao documento, que permite ainda a inclusão da Sociedade Esportiva Palmeiras como única sócia da Palmeiras S.A., empresa criada por Mustafá Contursi sem aval preliminar do Conselho Deliberativo.

Isso quer dizer que essa tal empresa realmente existe, com total poder de manipulação de Mustafá, conforme exposto. E, pior de tudo, toda essa manobra político-financeira ocorreu sem o devido aval do Conselho Deliberativo do clube.

Seguindo a mesma trilha de avaliação, o blog QUIXOTE VERDE publica texto em 11 de Setembro de 2008, questionando a situação da empresa PALMEIRAS S/A. Daí podemos tirar outras conclusões:

HISTÓRIAS QUE NINGUÉM EXPLICA: PALMEIRAS S/A

Em 2001, Seraphim Del Grande deu depoimento da CPI do Futebol questionando a criação do Palmeiras S/A. Segundo Seraphim, os membros do Conselho Deliberativo do Palmeiras muitas vezes tomavam conhecimento de assuntos importantíssimos pela imprensa, como no caso da criação da Palmeiras S/A, em 1998, que os conselheiros só vieram a ter ciência em 15/12/2000, quando divulgado por uma matéria na “Folha de São Paulo”. Essa sociedade era controlada pelo clube, porém tinha como sócios os então dirigentes do clube, com uma ação cada. Vários passes de jogadores foram transferidos para essa empresa, que ficaria com as receitas do clube.Indagado sobre a Palmeiras S/A, o Sr. Seraphim, mesmo sendo membro do Conselho Deliberativo, declarou que pouco sabia sobre o assunto e que não tinha idéia da motivação que levou à criação da nova empresa e, tampouco, se seus dirigentes eram remunerados.

Aquela CPI recomendava aos associados do Palmeiras e aos membros do Conselho Deliberativo a seleção de uma empresa de auditoria, com o propósito de examinar não somente a contabilidade, mas para emitir juízo sobre todos os principais atos praticados na gestão do Sr. Mustafá Contursi, produzindo um documento a ser divulgado a todos os integrantes do Conselho Deliberativo.

Por que isso não foi feito naquela época? Por que isso não foi feito depois da derrubada do tirano Mustafá? Afinal do que se trata essa Palmeiras S/A, qual sua finalidade, por que realmente foi fundada?

Na Junta Comercial do Estado de São Paulo, onde consta a constituição da empresa Palmeiras Futebol S/A, encontra-se a ficha cadastral onde constavam como únicos sócios duas figuras conhecidas:

MUSTAFA CONTURSI GOFFAR MAJZOUB, nac. Brasileira, CPF 29.906.368-20, RG/RNE 2577585, – SP, residente na Rua Turiassu, 1840, Perdizes, São Paulo, SP, CEP 05005-000, ocupando o cargo de diretor.

AFFONSO DELLA MONICA NETTO, nac. Brasileira, CPF 608.424.158-15, RG/RNE 1906988, SP, residente na Rua Turiassu, 1840, Perdizes, São Paulo, SP, CEP 05005-000, ocupando o cargo de diretor.

Em Ata da Assembléia Geral Ordinária para Aprovação do Balanço Patrimonial e respectivas demonstrações financeiras do exercício social de 2004, realizada em 26/04/05, foi feita “apresentação, análise e votação de aprovação do Balanço Patrimonial, e Demonstrações Financeiras do exercício social findo em 31 de dezembro do ano de 2004, consoante os artigos 175 e seguintes da Lei nº 6.404/76, combinados com os artigos 9 e 18, alínea “a” do Estatuto Social da Palmeiras Futebol S/A. Assim, após estudos e debates sobre os objetos da ordem do dia, a Assembléia Geral, por deliberação unânime: aprovou o Balanço Patrimonial e as respectivas Demonstrações Financeiras do exercício social de 2.004, tornando-os aptos aos fins legais a que se destinam. Lavrada a ata, vejam quem assinam como sócios: Mustafá Contursi Goffar Majzoub, Affonso Della Mônica Netto, Luiz Augusto de Mello Belluzzo, José Cyrillo Júnior e Luiz Carlos Pagnota.

Observem os nomes envolvidos com a Palmeiras S/A. Quem é oposição e situação? Será que é por isso que ninguém explica o que aconteceu?

Ainda naquela CPI recomendava-se, também, à Secretaria da Receita Federal, que, em face dos indícios expostos naquele relatório, avaliasse a conveniência e a oportunidade de promover uma investigação da evolução do patrimônio pessoal dos dirigentes do Palmeiras, em confronto com os rendimentos declarados.

Tai uma grande idéia! Pena que nada aconteça.

Para CPI ver: Senado Federal – Relatório Final da Comissão Parlamentar de Inquérito (Volume IV) – Criada por meio do Requerimento nº 497, de 2000-SF, “destinada a investigar atos envolvendo as associações brasileiras de futebol”.
Presidente: Senador ALVARO DIAS – Vice-Presidente: Senador GILBERTO MESTRINHO – Relator: Senador GERALDO ALTHOFF – Brasília 20014. Para dados Palmeiras S/A ver: NIRE 35300182332 ENV: 553023-4 PROT. 436.114/06-9

NOSSO COMENTÁRIO

Quando o texto comenta sobre a queda do tirano Mustafá, devemos lembrar que esse senhor ainda exerce um enorme poder sobre muitos conselheiros. Além disso, age sorrateiramente sobre decisões tomadas pela diretoria, tem sob sua custódia a confiança de muitos funcionários do clube e de parte da própria torcida.

E para refrescar a memória, a CPI instaurada na época sugere que seja feita uma investigação interna por parte dos conselheiros e associados quanto à situação da tal PALMEIRAS S/A.

Dentro dessa linha de raciocínio, que definia os super-poderes adotados pela ala liderada por Mustafá Contursi, destacamos um texto postado no BLOG DO EDMUNDO LEITE, do jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, publicado em 28 de Julho de 2011, sobre a incrível desistência do Palmeiras para a disputa do Mundial de Clubes da FIFA de 2000, quando o clube tomou uma verdadeira rasteira.

O MAIOR DRIBLE TOMADO PELO PALMEIRAS

Todos os times têm derrotas memoráveis em sua história. Algumas amargas. Dentro de campo, é do jogo. Mas quando a derrota é fora dos gramados fica difícil até de avaliar. Há exatos dez anos, o Palmeiras deveria começar a disputa de um sonhado Mundial de Clubes na Espanha.

A falência da ISL, agência parceira da Fifa, fez o sonho virar pesadelo.

Depois de, num lance de esperteza e ingenuidade dos dirigentes, ceder a vaga a que tinha direito no primeiro Mundial de Clubes disputado no Brasil para o Vasco, o time do Parque Antártica ficou a ver navios quando foi anunciado o cancelamento do torneio na Espanha.

O material promocional produzido pelo clube em parceria com agências de viagens parceiras dá uma noção de quão grande era a expectativa palmeirense com a competição. O time pretendia, 50 anos depois de conquistar a mítica e polêmica Taça Rio, o primeiro Mundial de Clubes da História, colocar seu nome como uma das grandes forças do futebol mundial.

Para acalmar os dirigentes palmeirenses, a Fifa indenizou o clube em US$ 750 mil. O então técnico Luiz Felipe Scolari resumiu numa frase o sentimento da torcida palmeirense com o drible tomado da Fifa: “Eu me sinto roubado”.

NOSSO COMENTÁRIO

A tal ditadura imposta por Mustafá já estava em vigor. Imaginem os verdadeiros torcedores se tivéssemos a oportunidade de entrar novamente no Maracanã, 50 anos depois da memorável conquista da Taça Rio. Porém, para dirigentes sem coração e descompromissados com o time, isso é coisa de menor importância.

Nesta terça-feira, capítulo 2, "O JEITO MUSTAFÁ DE GERENCIAR O FUTEBOL DO PALMEIRAS"

 
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