Gilberto Cipullo (abril 2010)

Entrevista concedida em 21/04/2010

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Palmeiras Todo Dia: Quais são as suas responsabilidades e atribuições enquanto diretor de Futebol? Há profissionais trabalhando com o senhor? Remunerados? Quantos? E não-remunerados? Quais são as funções que exercem? Qual a relação hierárquica entre os diretores não-remunerados e também entre os supostos funcionários remunerados do Departamento de Futebol?

Gilberto Cipullo: Na realidade, sou vice-presidente com a responsabilidade por todo o Departamento de Futebol, profissional e não profissional.

Além da equipe administrativa, temos no Departamento de Futebol Profissional, três diretores não remunerados, Savério, Genaro e Seraphim. Na base, três diretores não remunerados, Ademir, Lourival e Haroldo. No Profissional, o único remunerado era o Cecílio, cuja vaga está em aberto. Na Base, o Coordenador técnico, excelente profissional, é o Marco Biasotto.

No Departamento Profissional temos, além do Sergio do Prado, que é nosso gerente administrativo, mais quatro funcionários. Na Base, temos três funcionários. Temos ainda o Departamento Jurídico, composto por um advogado e três estagiários.

Não tenham dúvida de que é uma das estruturas mais enxutas entre os grandes times brasileiros.

PTD: O que o Futebol planejou para 2010? Quais são as metas que o departamento visa alcançar neste ano?

GC: Iniciamos o planejamento, com o reforço da equipe, seguindo um entendimento com a Comissão Técnica da época.

Havia (como ainda há) um entendimento geral de que a equipe, embora terminando mal o ano de 2009, é uma boa equipe. E que, com os reforços combinados teria todas as condições de brigar pelos títulos dos campeonatos disputados neste ano.

Contratamos rapidamente os jogadores para as posições combinadas, com exceção de dois jogadores para o ataque. Demoramos basicamente porque iniciamos uma negociação com o Cruzeiro, que acabou não se concretizando e prejudicando outros negócios que poderiam ter saído.

O Ewerthon foi uma transação demorada, pelo difícil relacionamento do jogador com o clube de origem e pelo surgimento de uma proposta do Betis.

Já passados quase cinco meses, estamos sentindo a necessidade de mais algumas contratações que virão.

Fez parte do planejamento a promoção de alguns jogadores da base, que estão sendo lançados com calma.

PTD: Como o senhor avalia a parceria com a Traffic até agora? Existe planejamento para a reposição de Cleiton Xavier e/ou Diego Souza, caso sejam negociados na próxima janela? A Traffic tem porcentagem sobre os direitos de quais jogadores da base do Clube? O Palmeiras detém os direitos [ou parte deles] do zagueiro Danilo, oficialmente registrado no Desportivo Brasil e emprestado ao Clube? Por fim, explique, por favor, a negociação de recompra do Pierre em 2009. O que o Palmeiras cedeu à parceira em troca do volante? Quanto a SEP ainda deve à Traffic por essa transação?

GC: Considero a parceria favorável. Em um momento de dificuldade, permitiu que conseguíssemos montar um time competitivo. Ganhamos um Paulista e disputamos até as últimas rodadas os títulos brasileiros de 2008 e 2009. Estas Campanhas foram responsáveis pelo aumento de nossa arrecadação e pelo fato de o Palmeiras ter readquirido o respeito no mercado.

Entendo, entretanto, que o Palmeiras deve diminuir, como já está acontecendo, sua dependência, sem dissolver a parceria .

A Traffic, no momento, não detém percentagem sobre nenhum jogador da base. Existe planejamento, sim, para uma eventual saída do Cleiton e do Diego. O Palmeiras detém uma pequena parcela do Danilo. O Atlético ainda detém 50% e um fundo constituído em sua maior parte pelo grupo dos Eternos Palestrinos detém o restante.

O Palmeiras adquiriu os direitos do Pierre e não cedeu nada em troca. O valor a ser pago faz parte de um conta corrente que temos com a parceira.

PTD: Com base no programa de governo apresentado pelo atual presidente, em relação aos pontos que se referem ao Futebol:

- A equipe remunerada de observadores, responsável por aprimorar a seleção dos atletas, foi formada? Se sim, quantos e quais são os profissionais que a integram? Quais foram os jogadores trazidos por ela? Se não, explique as razões que impediram a criação desta equipe.

- O relacionamento entre o Palmeiras e os grandes do futebol mundial foi estabelecido? Se sim, quais atletas foram, desta forma, transacionados até agora? O Clube elevou as receitas com a venda de direitos federativos conforme previsto? Se não, explique os motivos pelos quais tal relação não foi estabelecida.

- Tendo em vista as substituições de alguns profissionais [após a contratação de Antonio Carlos Zago] o senhor considera que a formação de uma comissão técnica permanente, unicamente vinculada ao Clube, foi realizada?

- Quais foram os convênios estabelecidos entre o Palmeiras e as principais universidades do país que permitiram ao Clube acesso à pesquisa científica na área médico/desportiva?


GC: A equipe está sendo formada. Não é fácil encontrar profissionais gabaritados.

Mantemos contatos constantes com os grandes do futebol mundial. Há muito tempo o Palmeiras não negociava jogadores com equipes como o Barcelona e o Liverpool. Estamos trabalhando em um acordo bilateral com o Ajax. Este tipo de acordo não se formaliza com muita rapidez, mas estamos trabalhando nessa linha.

As vendas citadas do Henrique e do Diego aumentaram sim nossas receitas. Somente não houve um maior incremento porque decidimos não vender jogadores no ano passado.

Em qualquer atividade aprende-se diariamente. Concluímos que nas funções de estrita confiança do treinador (preparador físico, auxiliar técnico e preparador de goleiros) é melhor trabalhar com os profissionais por ele indicados.

Nas demais, entendo que o clube deve manter uma comissão permanente como temos feito. É importante também ter um supervisor do clube. Por esta razão, a contração do Galeano.

Nossos profissionais na área médica são bastante gabaritados e estão em constante aperfeiçoamento. Fizemos um convenio, com a GE, através de nossa equipe médica, em decorrência do qual temos hoje em nosso departamento, sem custo, os equipamentos de tecnologia mais avançada nas atividades de diagnóstico e recuperação.

PTD: Após a saída de Luxemburgo, Jorginho assumiu o time e obteve considerável melhora no rendimento da equipe. O interino, além da identificação com o Clube, contava ainda com o apoio do grupo e da torcida. Porém, em vez de efetivá-lo, o Palmeiras optou pela contratação de Muricy, justificando tratar-se de treinador experiente e vencedor. Hoje, diante do que aconteceu, o senhor avalia que a decisão pode ter sido equivocada?

GC: A decisão não foi equivocada. Uma coisa é a relação do treinador interino com o elenco e outra é a relação do treinador com esse mesmo elenco, depois de efetivado. Não tínhamos certeza do que aconteceria com o Jorginho na sequência do Campeonato. E o Muricy era o único treinador experiente, vencedor e disponível naquele momento.

Imaginando-se que o Murici viesse a ser contratado por outro clube (o que é bem provável) e a equipe caísse de produção com o Jorginho, quem o Palmeiras contrataria no curso do segundo turno do Campeonato? Provavelmente, a Diretoria seria criticada por não ter contratado o Muricy...

PTD: Jorginho deixou o cargo de auxiliar no Palmeiras para assumir o Goiás no final de janeiro. A demissão de Muricy (que já vinha tendo o trabalho questionado pelo senhor) ocorreu três semanas depois. Diante da contratação de Zago [técnico inexperiente e, portanto, sem currículo vitorioso] a pergunta é inevitável: por que o Palmeiras não segurou Jorginho e o efetivou no cargo?

GC: Não seguramos o Jorginho, primeiro porque naquele momento não se cogitava da saída do Muricy e a proposta do Goiás foi muito boa para o Jorge. E, aliás, para ele será uma excelente oportunidade de amadurecimento na profissão.

PTD: Diante dos últimos resultados negativos, o presidente reconheceu [em entrevista à Folha de S. Paulo publicada no último dia 25]: "Não sei o que está acontecendo”. O senhor saberia? Na mesma entrevista, questionado se o problema maior do time estava ligado à falta de qualidade ou de confiança, Belluzzo creditou as falhas ao fator psicológico. Caso o senhor concorde, o que tem sido feito para sanar o problema?

GC: Acredito que a perda do Campeonato Nacional ainda tem influenciado o estado psicológico dos atletas que aqui permaneceram. Alguns atletas chegaram, mas ainda não temos um clima de total confiança dentro do elenco. É absolutamente necessária uma sequencia de vitórias. A contratação de uma psicóloga, para permanecer mais tempo junto ao elenco deve ajudar.

PTD: O senhor pretende se candidatar à presidência da SEP em 2011? É favorável às eleições diretas para o cargo? O que pensa sobre a campanha ‘Vota Palmeiras’ que tem recolhido assinaturas, junto aos associados, com esta intenção?

GC: Creio que é muito cedo para pensar em sucessão. O importante é que, na oportunidade, haja um entendimento, como houve em 2009, e saia um candidato de consenso. Não vejo maiores problemas em se fazer eleições diretas, desde que haja um filtro anterior pelo Conselho, como, aliás, consta da proposta em andamento.

Perguntas elaboradas por foristas do PTD

 
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