Por Eduardo Luiz, da Redação PTD - 19/10/2017 - 18:53h.
PTD rebate matéria sensacionalista da ESPN
Como o jornalista Diego Garcia, da ESPN Brasil, não dignificou a profissão ao averiguar os fatos antes de publicar a matéria extremamente sensacionalista sobre a possibilidade da WTorre "impedir o Palmeiras de usar o Allianz Parque em 300 dias ao longo de 2018", o PTD rebate abaixo (em verde) cada ponto do texto.

"O Palmeiras pode ficar cerca de 300 dias sem poder utilizar o Allianz Parque ao longo do ano de 2018. Tudo por conta da WTorre, que notificou o clube sobre as datas que pretende utilizar o estádio na próxima temporada, segundo apurou o ESPN.com.br.

Por temporada, cada time brasileiro faz no máximo 40 jogos como mandante. Em 2017, contando um amistoso, o Palmeiras terá disputado 34 jogos em casa, sendo 29 no Allianz Parque e 5 no Pacaembu, ou seja, seguindo a linha de raciocínio da ESPN, a WTorre terá "impedido" o Palmeiras de usar o Allianz Parque por 336 dias.

A construtora avisou o Palmeiras oficialmente de que pode solicitar pelo Allianz à disposição quase 300 dias durante todo o ano de 2018, de olho na promoção de shows e atividades corporativas.

Por contrato, a construtora deve avisar ao clube previamente as datas que pretende fazer eventos na arena (nem todos acabam confirmados). Isso possibilita ao Palmeiras "negociar" com federações e confederações confecções de tabelas, minimizando assim a possibilidade de não jogar na arena.

Ocorre que, para cada evento promovido, a WTorre precisa também de vários dias para montagem e desmontagem dos equipamentos, preparação do estádio e outros pontos de organização que precisam estar nos conformes durante cada show.

De fato exige uma logística, mas apenas para grandes shows, e geralmente na fase de montagem dos palcos. A desmontagem é feita rapidamente. Em 2017 o Palmeiras chegou a jogar na arena 4 dias depois de um grande show.

Outro ponto omitido pela matéria: a maioria absoluta dos eventos realizados no Allianz Parque são "pequenos", como casamentos, festas de aniversários ou ações corporativas.


Por força de contrato, o Palmeiras não pode fazer muito contra a vontade da construtora. E o problema não é apenas atuar longe de seu estádio, onde costuma ter bastante força, e sim quanto o clube vai perder em termos de bilheteria.

Palmeiras e WTorre firmaram um contrato, portanto não cabe a nenhuma parte "ir contra a vontade" de um ou de outro, e sim cumprir o que foi assinado. Quando um grande evento coincide com uma data de jogo, a construtora deve bancar o aluguel do estádio escolhido pelo Palmeiras e pagar uma multa de 50% do valor da renda bruta.

Para se ter uma ideia, em 24 jogos em seu estádio apenas em 2017, o Palmeiras já arrecadou R$ 50 milhões em bilheteria no Allianz Parque, o que dá uma média de mais que R$ 2 milhões por confronto, em números brutos. A média de pagantes no local é de 32 mil pessoas por duelo. Esse ano, foram quatro jogos no Pacaembu, com R$ 3,5 milhões de renda e média de 25,9 mil pessoas por partida - foram 32,5 mil pessoas.

Contando um amistoso, o Palmeiras já disputou 25 jogos no Allianz Parque em 2017, com R$ 51 milhões de renda bruta, o que dá R$ 2,04 milhões por jogo. É a maior arrecadação do futebol brasileiro. No Pacaembu, considerando a multa prevista em contrato, a média ficaria em R$ 1,3 milhão por jogo. De fato um decréscimo se comparado à média do Allianz Parque, mas superior ao valor obtido por 95% dos outros clubes em seus estádios.

Hoje mesmo, pela 29ª rodada do Brasileirão 2017, por exemplo, o clube atua no Pacaembu por conta de show do cantor John Mayer no Allianz. O adversário será a Ponte Preta, às 20h.

Se a WTorre realmente tirar o Palmeiras do Allianz por cerca 300 dias - distribuídos ao longo dos 12 meses do ano -, a equipe paulista atuaria aproximadamente 10 vezes apenas em seu próprio estádio durante toda a próxima temporada."

Essa possibilidade não existe. O repórter, talvez por orientação de seus superiores, ou apenas seguindo a linha editorial da empresa, de criar polêmica onde não existe a troco de ibope, escreveu uma matéria extremamente sensacionalista, omitindo a realidade dos fatos e o mais grave: tentando manipulá-los. O site da ESPN foi o único a abordar o tema desta maneira, deixando claro que a intenção não era informar.

O Palmeiras Todo Dia seguirá a postos para rebater outras situações como essa.
 
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