Por Eduardo Luiz, da Redação PTD - 30/01/2018 - 14:34h.
Galiotte nega preocupação com mudança no contrato entre Palmeiras e Crefisa
Verdão agora terá de devolver valor investido pela parceira em contratações.

Anunciada como patrocinadora do Palmeiras em janeiro de 2015, a Crefisa logo mudou o status para "parceira" pois passou a ajudar em algumas contratações. Foi assim com Barrios, Thiago Santos, Vitor Hugo, Luan, Fabiano, Guerra, Bruno Henrique, Dudu (50%), Borja, Deyverson e Lucas Lima, o único reforço de 2018 que contou com o aporte da empresa. No total, foram aproximadamente R$ 120 milhões investidos.

Pelo contrato original, a Crefisa adquiria propriedades de marketing e o clube realizava as contratações (sempre ficando dono dos direitos econômicos). O risco da operação ficava com a empresa, já que o Palmeiras só teria de devolver o valor investido em caso de venda empatada ou com lucro. Um eventual prejuízo ficaria com a Crefisa.

O modelo do negócio, no entanto, foi considerado irregular pela Receita Federal, que via a operação como um empréstimo, não como despesa da Crefisa (a cobrança de impostos é diferente). Em função disso, o órgão aplicou uma multa de R$ 30 milhões pelas negociações de 2016, e a Crefisa se antecipou e pagou uma multa de R$ 80 milhões pelas operações de 2017.

Para adequar a parceria ao formato considerado "legal" pela Receita, Palmeiras e Crefisa atualizaram o contrato. A partir de agora, mas contando todas negociações passadas, o clube terá de devolver o valor de cada contratação, mesmo se tiver prejuízo. Exemplo: Borja foi adquirido por R$ 32 milhões. Se o clube vender o colombiano R$ 20 milhões, terá de devolver em até 2 anos R$ 12 milhões à Crefisa. Em caso de lucro, o valor fica com o Verdão (e consequentemente, abate do total devido).

"É um compromisso futuro, sim, mas é uma dívida coberta. Nós temos o ativo, que são os jogadores. Então, essa é uma operação casada, porque o Palmeiras devolve o dinheiro assim que vender os atletas. Na verdade, isso já era contemplado no contrato anterior" disse o presidente Maurício Galiotte, minimizando a "dívida" de até R$ 120 milhões que surgiu do dia para a noite.

De acordo com o presidente, o Palmeiras hoje encontra-se numa situação financeira confortável caso tenha que devolver algum valor à Crefisa: "Se a mudança em termos contratuais tiver algum impacto, o Palmeiras está em uma situação bastante confortável e tem prazo suficiente. É uma operação casada. Então, temos o ativo, que é o atleta, que é a garantia de toda a operação" explicou.

O Verdão fechou 2017 com faturamento recorde de R$ 531,1 milhões. Sem dívidas bancárias, o clube tem apenas o ex-presidente Paulo Nobre como credor; a dívida com ele, que chegou a ser de R$ 140 milhões, hoje é de apenas R$ 22 milhões e deve ser quitada ainda no primeiro semestre. Os R$ 120 milhões da Crefisa serão lançados como empréstimo no balanço de 2018.
 
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