Por Eduardo Luiz, da Redação PTD - 05/09/2019 - 12:47h.
Substituto de Felipão, Mano é apresentado no Palmeiras. Veja tudo que ele falou
Dentre vários assuntos, novo treinador falou sobre rejeição, estilo de jogo, passado no rival, elenco e chance de título no Brasileiro.

Contratado para o lugar de Luiz Felipe Scolari, demitido no início da semana em função dos maus resultados pós-Copa América, o técnico Mano Menezes foi apresentado oficialmente pelo Palmeiras no início da tarde de quinta-feira, na Academia de Futebol.

A coletiva teve início com o presidente Maurício Galiotte desejando sorte ao novo comandante: "Hoje temos um projeto vencedor, temos profissionais de ponta, uma estrutura moderna, e quando falamos em vencedor também pensamos em Mano Menezes. Estamos apresentando um profissional vencedor, renomado, com grandes trabalhos que tem tudo para fazer um grande trabalho conosco. Junto com o torcedor, temos convicção que teremos um trabalho de sucesso. Que a gente conquiste muitos títulos".

Na sequência Mano fez um breve pronunciamento: "Queria dizer ao torcedor da minha honra de estar aqui para iniciar um trabalho a frente do Palmeiras. Uma carreira como a minha de 20 e poucos anos é feita de capítulos importantíssimos, e espero estar iniciando hoje um capítulo importante nessa carreira. Me sinto muito honrado ocupando o lugar que grandes técnicos já ocuparam este espaço, e espero ter a trajetória que muitos deles tiveram".

Dentre vários assuntos abordados no primeiro contato com a imprensa, Mano falou sobre rejeição, passado no rival, estilo de jogo, elenco e chances de título no Brasileirão. Confira abaixo os principais pontos.

Rejeição

Sempre penso que o trabalho é o mais importante. Você não tem garantias nenhuma no futebol. A gente criou que quem faz mais investimento vai ser campeão. Se olhar no mundo todo não é assim. As vezes times como Manchester City, Barcelona, Real Madri não conseguem ser campeões, mas penso que o Palmeiras deve estar entre os primeiros, isso nos aproxima do título. Sempre ser protagonista é o que uma estrutura como a nossa produz ao Palmeiras. Sem pressão ou com pressão, sendo unanimidade ou não sendo. Se as coisas andarem bem, o torcedor será o primeiro a reconhece.

Quando recebi o convite para dirigir o Palmeiras, na segunda-feira à noite, certamente levei em consideração todos aspectos, mas não podemos não fazer aquilo que não pertence ao técnico fazer, e nós só podemos modificar essa situação de dentro pra fora. Não precisamos fazer milagre nenhum. O que temos de elenco, estrutura, são propícias para você entregar aquilo que o torcedor quer. O objetivo do torcedor é o mesmo que o nosso, que é ser campeão. Trabalharemos pra isso.

O Palmeiras é muito maior que essas questões segmentadas. Da mesma maneira que você não é unanimidade em um grupo, encontrei pessoas que sentem confiança na retomara. Olharam para trás e me viram em condições de comandar essa retomada.

Negociação com o Palmeiras

Quando sai do Cruzeiro minha ideia era não dirigir nenhum clube nesse ano, mas existem situações especiais, e essa é uma situação especial. Eu já havia conversado com o Palmeiras 2 anos atrás, e por questões de escolhas, na época entendi que deveria dar continuidade no Cruzeiro. Já existia uma convicção de que um dia trabalharíamos juntos. Entendi que o momento era esse.

Trocas de técnicos

Embora seja sempre traumáticas as trocas de comando técnico, elas se dão em um momento onde as coisas não estão andando tão bem. Acabo de participar de uma troca. Isso não quer dizer que a gente deixou de entender de futebol, muito pelo contrário. Sempre digo que existe momentos de chegar e de sair. Nós técnicos entendemos que isso faz parte da nossa vida. Particularmente tenho o privilégio de participar de projetos longos. Espero me entregar de corpo e alma para que seja novamente assim.

Momento do Palmeiras / Brasileiro

No caso do Palmeiras, na minha visão, não precisa ser trocado na totalidade. O Palmeiras, dos últimos 3 Brasileiros ganhou 2 e foi vice em 1. Não se pode destruir isso do dia para a noite. Quem já passou por situações como essa traz o conhecimento de saber se comportar nessa hora. O Palmeiras tem condições de disputa do título Brasileiro. Vamos nos dedicar em sua totalidade para disputar o título, e as próximas rodadas serão determinantes. É o momento onde as coisas se direcionam no campeonato. O Palmeiras parou de pontuar na proporção que vinha pontuando, que era extraordinária, mas tem capacidade para retomar essa caminhada. Estamos assumindo o comando técnico com essa convicção.

Passado no rival

Estamos em 2019. Certas discussões, certas questões, fazem parte de um tempo mais pra trás. O mundo está mais globalizado. Na medida que as coisas se tornam mais próximas, acontecem com mais naturalidade. Muitos profissionais já fizeram esse caminho, e quero fazer parte do grupo dos profissionais que tiveram sucesso no Palmeiras.

Estilo de jogo

Você constrói uma filosofia. Acho mais adequado respeitar a filosofia de cada clube, nem sempre consigo. Mas o mesmo técnico muda de estilo várias vezes. Se olhar minha trajetória, mudei muito. Muito se falam de volantes. Na seleção meus dois volantes eram Ramires e Paulinho. Vamos construir um trabalho juntos aqui no Palmeiras. Não tenho o hábito de decretar o estilo, a gente constrói.

Montagem do time

Na avaliação de fora pra dentro, o Palmeiras tem um elenco com características de jogadores para armar um maneira bem legal de jogar. Primeiro pensando num resultado que depois gere confiança para mostrar um futebol bonito de se ver. Mesmo na história do Palmeiras, as próprias Academias tiveram momentos diferentes, e tenho certeza que o torcedor gostou das duas.

Seria bem fácil dizer que jogo diferente do Felipão. Seria um desrespeito com o Felipão, e não faria isso. Ele escolheu uma maneira de jogar que vinha dando certo, mas o futebol à vezes produz algumas coisas inexplicáveis que não permite a sequência. Logo logo vocês vão ver a maneira escolhida para o time jogar.

Treinos abertos ou fechados

Penso que é importante a comunicação com nosso torcedor. Às vezes faço trabalhos estratégicos, e fecho alguns treinos, como em todo o mundo se faz. Isso não é nenhuma alusão ao que acontecia, só falo daquilo que vai acontecer daqui para frente.

Estreia no sábado contra o Goiás

Vou dirigir a equipe, sim. Estarei acompanhado dos profissionais que trabalharam durante a semana por coerência. Mas a partir de hoje a gente começa a direcionar a formação da equipe. Acho importante a presença do técnico no banco.
 
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