Por Eduardo Luiz, da Redação PTD - 05/11/2010 - 14:24h.
Arena: Junior Gottardi fala com presidente do COF

O Palmeiras Todo Dia, através de seu colunista Junior Gottardi, entrevistou o presidente do COF (Conselho de Orientação Fiscal), Antonio Augusto Pompeu de Toledo, a fim de esclarecer as especulações geradas pelo documento que foi elaborado pelo órgão e que chegará nas mãos do presidente interino Salvador Hugo Palaia.

PTD - Conforme veiculado pela imprensa, o COF protocolou um documento questionando algumas ações tomadas pela gestão interina. Quais são as dúvidas que Conselho tenta esclarecer?

AG - Basicamente, na reunião do último dia 21, ficou deliberado que a Presidência do Executivo deveria ser alertada de que: (i) a demolição das instalações do Clube deveria ser interrompida enquanto não fosse aprovado os termos da apólice do seguro performance (Performance Bond) que a WTorre tem obrigação de apresentar até o próximo dia 15 de novembro; (ii) a Diretoria de Marketing deveria apresentar dados esclarecedores quanto à rescisão do contrato com a empresa que administra o Projeto Avanti; (iii) o contrato com a Outplan não deveria ser rescindido sem que houvesse a devida  apreciação pelo COF, uma vez que sua contratação se deu em concorrência entre diversas empresas, homologada pelo COF; (iv) fossem evitadas novas contratações que pudessem comprometer gestões futuras; e (v) principalmente que se regularizasse a quitação dos empréstimos  pré-existentes, nos termos da reestruturação da dívida, aprovada pelo COF.

PTD - O COF pediu a paralisação das obras da Arena? Caso sim, por que?

AG - De maneira alguma. A deliberação do COF reproduzida na carta protocolada junto à Presidência recomendou a paralisação das DEMOLIÇÕES das instalações do Clube, enquanto não regularizada a garantia. E isto porque,  se não for aprovada esta garantia, a escritura de concessão do direito de superfície se resolverá (ou seja se tornará ineficaz) e, nesta hipótese, não existe qualquer garantia ou responsabilidade quanto às demolições efetuadas. Em outras palavras: ficaremos sem a Arena e sem as instalações anteriormente existentes. Entendemos que a autorização para estas demolições foi um ato de gestão temerária, assim como já tinha sido a demolição do Ginásio II. É importante frisar que, caso seja apresentada esta garantia a contento, nenhum problema haverá, pois a escritura será eficaz e a responsabilidade da WTorre estará clara quanto a todas as obras e demolições realizadas. Temos convicção de  que a WTorre, como empresa séria que é, dará a solução adequada para esta questão.

PTD - Qual é o risco na sua visão se as obras continuarem sem o seguro “Performance Bond”?

AG - Como foi dito acima, este ato de gestão temerária poderá gerar prejuízos ao patrimônio do Clube, caso a escritura com a WTorre não se aperfeiçoe.

PTD - Sobre o Avanti, há pouco reformulado, algum ‘problema’ observado pelo Conselho?

AG - Ainda não temos conhecimento oficial da existência de problemas. Apenas suposições, pois a Diretoria de Marketing não apresentou à Comissão do COF os dados solicitados, dentre eles o valor das receitas auferidas, dos gastos correspondentes, além das razões do pagamento de multa rescisória para a empresa que alegadamente não cumpriu com o avençado com o Clube.

PTD - E sobre a comercialização dos ingressos? O suposto rompimento com a Outplan e a volta da BWA? A atual gestão manifestou-se nesse sentido? O que de fato aconteceu para que o Conselho a questionasse?

AG - Também neste caso nada nos foi comunicado pela Diretoria Executiva. Porém, em razão das diversas manifestações no sentido de que a atual Diretoria pretendia rescindir este contrato, entendemos que a Presidência não deve contratar uma empresa que, na concorrência realizada, foi descartada pelo COF. A recomendação dada é no sentido de que este assunto seja trazido à análise do COF com todas as justificativas a respeito, o que – acreditamos – deverá acontecer em face do solicitado na carta endereçada à Presidência do Executivo.

PTD - Pela proximidade das eleições, é inevitável a pergunta: o que o Conselho pretende com este documento? Há motivações políticas?

AG - Procuramos manter o COF inteiramente isento das questões políticas. É inegável que muitas decisões podem ser adotadas com um reflexo político direto no Clube. Mas no COF, todos os integrantes, sempre apresentam as devidas justificativas para seus votos. Em muitas ocasiões, tivemos os membros que integram a chamada oposição votando a favor da aprovação de contas e da gestão do futebol, por exemplo. Em outros momentos, severas críticas. Atualmente, as contas foram rejeitadas nos últimos dois meses por unanimidade, o que comprova que o COF mantém critérios eminentemente técnicos e do interesse da SEP nas suas deliberações. A última reunião (dia 21/10, que originou a carta) demorou 4:30 horas, com debates de alto nível, deixando evidente que o órgão tem como principal objetivo orientar e fiscalizar os atos da Diretoria Executiva, pois se houvesse motivações políticas, todas as deliberações poderiam ter sido adotadas em menor lapso de tempo.

Junior Gottardi
jugottardi@palmeirastododia.com

 
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