Por Eduardo Luiz, da Redação PTD - 11/12/2012 - 09:45h.
Dossiê - Capítulo 8 no ar

CAPÍTULO 8

GESTÃO TIRONE E FRIZZO: A DESCONSTRUÇÃO

Além da questão comentada no capítulo anterior, envolvendo a resistência oferecida pela gestão do Sr. Arnaldo Tirone em assinar documentos que permitiam dar continuidade ao andamento das obras de demolição do antigo estádio Palestra Itália e permitir o início de construção da Nova Arena, entende-se a necessidade de que outras situações envolvendo casos e descasos dessa diretoria que precisam ser analisados. Estaria a gestão Tirone tentando deliberadamente desconstruir todos os atos pendentes e que haviam sido encaminhados pela gestão anterior?  Buscando subsídios, inicia-se esse capítulo recordando o imbróglio gerado pelo vice-presidente do clube, Sr.Roberto Frizzo, com o técnico Luiz Felipe Scolari, sobre a suspensão das despesas de hospedagem da funcionária que exercia a função de nutricionista dos atletas que compunham o elenco profissional do departamento de futebol do clube. A notícia foi publicada no site GLOBO ESPORTE em 05 de março de 2011, dois meses após a eleição de Tirone:

FELIPÃO SE IRRITA COM ECONOMIA DE DIRETORIA E DEIXA CONCENTRAÇÃO

A contenção de gastos promovida pela diretoria do Palmeiras começa a tirar do sério o técnico Luiz Felipe Scolari. Nesta sexta-feira, o Palmeiras decidiu que a nutricionista Alessandra Favano não precisaria mais se concentrar com o elenco nas vésperas dos jogos, o que significaria uma diária a menos de hotel para pagar. Felipão, porém, irritou-se com a medida e chegou a deixar a concentração na tarde de sexta para dar seu lugar à nutricionista. Segundo informações da diretoria, ele voltou e pernoitou com o grupo,

Antes do jogo contra o Santo André, neste sábado, o técnico não quis se pronunciar sobre o assunto e demonstrou certo desconforto. A tradicional entrevista coletiva que ele concede após os jogos foi cancelada. O vice-presidente Roberto Frizzo admitiu a economia, mas preferiu minimizar o fato.

- Isso faz parte de um corte de gastos, é natural o que estamos tentando implantar. É preciso reequilibrar as contas do Palmeiras, e para isso vamos economizar em tudo que for supérfluo. A nutricionista mora em São Paulo e julgamos que não seria necessário colocá-la na concentração - disse o dirigente, antes da partida deste sábado.

A política de contenção do Palmeiras já havia impedido o clube de contratar reforços, principalmente um centroavante. A última das tentativas, com Ricardo Bueno, do Atlético-MG, melou depois que o clube mineiro só aceitou negociar o atacante em definitivo. O Alviverde buscava um empréstimo ou troca por algum jogador do elenco.

Felipão já liberou espaço na folha salarial do clube para a chegada de novos nomes, com as saídas de Edinho, Vitor e Tadeu. Além disso, colocou Lincoln e Maurício Ramos na lista de negociáveis do Palmeiras. A intenção é envolver a dupla em alguma negociação para poder gastar menos.

NOSSO COMENTÁRIO

Faz-se necessário recordar que o técnico da Sociedade Esportiva Palmeiras não foi contratado pelo clube nessa gestão e sim pela gestão anterior, comandada pelo ex-presidente Luiz Gonzaga Belluzzo. Nesse caso, percebe-se que a ação do vice-presidente do Palmeiras já teria criado, logo na primeira semana de trabalho frente ao clube, um certo desconforto na sua relação ou, melhor dizendo, na relação da diretoria com técnico de futebol. Por que? Primeiro porque a decisão do Sr. Frizzo de impedir a nutricionista de permanecer prestando serviços durante o período da concentração dos atletas parece ter ocorrido sem nenhuma consulta ao técnico. Estando o técnico à frente, como comandante de uma comissão técnica do futebol, não seria natural a necessidade de, diante de qualquer decisão à respeito de modificações na estratégia relacionada ao futebol passasse ao menos pela consulta desse comandante? E quanto às contratações, as solicitações do técnico seriam ou não consideradas? Seria a contenção de gastos efetivamente o principal objetivo da diretoria ao tomar tal decisão?

Se as ações da diretoria comandada pelo Sr. Tirone buscavam gerar economia aos cofres da Sociedade Esportiva Palmeiras, como explicar o fato de que essa mesma diretoria desperdiçou a oportunidade de conquistar alguns euros para os cofres do clube? Esse dinheiro seria arrecadado com a participação do time profissional do Palmeiras em dois amistosos que seriam realizados na Espanha. O portal LANCENET publicou uma matéria em 11 de março de 2011 na qual o Sr. Roberto Frizzo “explicou” a razão do cancelamento desses amistosos:

DIRETORIA CANCELA AMISTOSOS DO VERDÃO NA ESPANHA

O retorno do Palmeiras aos gramados do futebol europeu está adiado. A diretoria resolveu cancelar os amistosos que faria na Espanha no fim deste mês de março. Dessa vez, não foram os problemas financeiros que atrapalharam o planejamento. Segundo dirigentes houve uma falta de "congruência".

- Os jogos foram cancelados. Pelo conjunto da obra, não ficou uma coisa congruente. As partidas eram em datas liberadas pela Fifa e até iríamos receber para disputá-las. Mas na análise de toda a conjuntura, achamos melhor não viajar - afirmou o vice-presidente de futebol do Verdão, Roberto Frizzo ao LANCENET!.

O Alviverde disputaria dois amistosos na Espanha. O primeiro, em 29 de março, contra Betis ou Mallorca. Já o segundo seria no dia 31, contra o Espanyol, em Barcelona. Pela programação inicial, a delegação viajaria no dia 26 e retornaria em 1º de abril. Nesse período, o time teria de pedir a alteração das datas dos jogos contra Bragantino, pelo Paulistão, e Uberaba-MG, pela Copa do Brasil.

NOSSO COMENTÁRIO

Caro leitor, se o clube tinha disponibilidade de data, iria receber um bom dinheiro para jogar dois amistosos, haveria a liberação do clube para realizar essas partidas e o vice-presidente diz que o Palmeiras acabou não realizando os amistosos pela falta de congruência, à que conclusão pode-se chegar? Procurando-se no dicionário o significado da palavra “congruência” encontram-se como sinônimos as palavras igualdade e coincidência. Caro Sr. Frizzo, faltou igualdade em quê? Coincidência com o quê? Que conjuntura foi analisada desfavorável a ponto de “acharem” melhor não viajar? Teria sido o fato de que esses amistosos foram acertados pela diretoria anterior, comandada pelo seu opositor o ex-presidente Luiz Gonzaga Belluzzo?

O óbvio é que o Palmeiras deixou de arrecadar dinheiro, mas, talvez ainda mais importante que o dinheiro não arrecadado, não teria sido ocorrido total falta de visão da diretoria em desperdiçar uma oportunidade ímpar do Palmeiras voltar a atuar em gramados da Europa?

Nesse sentido, julga-se importante recordar que o futebol profissional da Sociedade Esportiva já brilhou em gramados espanhóis conquistando por três vezes o famoso troféu Ramón de Carranza. O Palmeiras foi o primeiro clube brasileiro a conquistar esse troféu no ano de 1969, vencendo ninguém mais, ninguém menos que o time do Real Madrid. Aliás, nas duas outras conquistas palmeirenses, o Palmeiras voltaria novamente a impor uma derrota ao Real Madrid, desta feita no ano de 1975, vencendo também o poderoso Barcelona de Cruyiff em 1974.

Questiona-se se não seria básico o princípio de um gestor em buscar colocar o seu trabalho, o produto de sua empresa ou mesmo a empresa que ele está comandando em evidência em um mercado tão importante quanto é o mercado europeu? Uma gestão no futebol com essa falta de visão tende a desempenhar um trabalho efetivamente profissional? Seria essa falta de visão das coisas um prenúncio do que resultaria a gestão comandada pelos Srs. Tirone e Frizzo? Comparando a economia ocorrida com a diminuição dos custos de estadia não permitindo o alojamento da nutricionista com os atletas nas concentrações e os valores que deixaram de ser arrecadados quando o time do Palmeiras deixou de realizar os dois amistosos nos gramados espanhóis, caro leitor, não seria possível notar, parafraseando o Sr. Frizzo, “uma certa falta de congruência” por parte dessa diretoria?

Dando seqüência ao suposto processo de “desconstrução”, em 27 de maio de 2011, o site MÁQUINA DO ESPORTE divulgou a seguinte notícia:

PALMEIRAS PLANEJA RESSUSCUTAR AVANTI EM DOIS MESES

O Avanti, programa de sócios-torcedores do Palmeiras, está com os dias contados. Após a eleição de Arnaldo Tirone como presidente e a nomeação de nova diretoria de marketing, agora composta por três diretores, um dos focos do clube será a reformulação da campanha. A previsão é que nova ação seja lançada em julho.

"Nós entendemos que sócios-torcedores têm de ter vantagens que talvez o Palmeiras não tenha dado até agora", avalia Rubens Reis Júnior, diretor de marketing do Palmeiras. "Nós vamos pensar em descontos, brindes melhores, mais comodidade, mas é certo que precisamos alavancar isso em dois anos de forma violenta".

O Avanti, caso não seja totalmente extinto pelos novos dirigentes, deverá ser profundamente revitalizado, com alterações em preços, modalidades de adesão e vantagens concedidas. O intuito é tornar o Palmeiras um dos clubes com mais associados do país, algo que, nas atuais condições, está muito distante de acontecer.

Em outubro do ano passado, quando Rogério Dezembro ainda era diretor de marketing da equipe paulista, o programa de sócios do Palmeiras registrava quatro mil filiados. Esse número foi atingido depois de mais de um ano de existência da ação. O fracasso palmeirense, à época, foi creditado aos preços, que foram reduzidos.

Mesmo com valores 20% mais baixos e com a chegada de ídolos da torcida, como Kléber e Valdivia, o departamento de marketing do clube não conseguiu emplacar o Avanti. Agora, com Bruno Frizzo, Marco Polo Del Nero Filho e Rubens Reis Júnior como diretores de marketing, o Palmeiras espera enfim acertar no novo programa.

NOSSO COMENTÁRIO

O programa Avanti foi criado a fim de angariar sócios torcedores à Sociedade Esportiva Palmeiras e colocado em ação no ano de 2009, sob a gestão do Sr. Luiz Gonzaga Belluzzo. O programa foi paralisado quando do início da gestão Tirone, em 2010 com a justificativa de que precisava passar por melhorias a fim de tornar-se mais atrativo. O relançamento do programa deu-se apenas em junho do ano de 2012. Entende-se, nesse caso, a necessidade de um esclarecimento por parte dos dirigentes da Sociedade Esportiva Palmeiras se o tempo superior a um ano utilizado para fazer essas modificações no programa foi realmente necessário e também se as modificações realizadas trouxeram as melhorias idealizadas e conseqüentemente um maior número de sócios ao programa ou não. Interessante seria também uma leitura mais profunda sobre as duas versões do programa Avanti, a fim de verificar quais são os direitos desse tipo de “associação” perante os trâmites internos do clube como, por exemplo, direito de voto. Por meio dessa análise seria importante verificar se ocorreram ou não modificações sensíveis na segunda versão do programa Avanti em relação aos direitos do associado. Com a palavra os conselheiros.

Outro caso “interessante” da gestão Tirone refere-se aos novos empreendimentos, no caso, a construção do novo Centro de Treinamento na cidade de São Roque, próximo de São Paulo. Vejam a notícia veiculada no site globo.com em 06 de junho de 2011:

APÓS VISITA À SÃO ROQUE, TIRONE SE ACERTA E GARANTE OBRAS DE NOVO CT

Com início previsto para o primeiro semestre de 2011 e adiado para o fim do ano, a obra do novo CT para as categorias de base do Palmeiras, em São Roque, vai mesmo sair do papel. Após visitar a cidade e se reunir com o prefeito Efaneu Godinho, o presidente Arnaldo Tirone acertou os últimos detalhes para sacramentar o início dos trabalhos no terreno, cedido pela prefeitura em troca da contratação de mão de obra local e apoio a programas de incentivo ao esporte na cidade. O prazo de entrega é de 18 meses.

- Conversei com o prefeito, visitamos o terreno. Tudo que foi determinado vai sair do papel, agora é questão de tempo para definir as últimas burocracias. Mas para quem achava que não sairia, aí está. Vamos trabalhar muito para entregar tudo nos prazos estipulados – destacou Tirone.

A reunião foi na quarta-feira passada, e agora o Palmeiras confirma a retomada do projeto, lançado na gestão de Luiz Gonzaga Belluzzo – seu vice, Gilberto Cipullo, foi o principal idealizador. O terreno em São Roque, a 60 quilômetros de São Paulo, tem 65 mil metros quadrados e fica, segundo o clube, em um bairro de fácil acesso. Atualmente, a base treina em um CT em Guarulhos, próximo ao Parque Ecológico do Tietê. Problemas ambientais impedem a ampliação do espaço.

A obra será realizada em parceria com a construtora Carbone, o escritório de advocacia Pinheiro Neto e a agência de marketing Brunoro Sport Business, de José Carlos Brunoro, e está orçada em cerca de R$ 30 milhões. O principal diferencial será um alojamento para 80 atletas. Os recursos virão de uma Lei de Incentivo Fiscal, e o projeto já é aprovado junto ao Ministério do Esporte. A intenção também é utilizar o CT na pré-temporada da equipe profissional.

Dentro do Palmeiras, a expectativa era enorme pelo acerto com São Roque. Em reunião com os Eternos Palestrinos, grupo de sócios remidos que ajuda o clube, Tirone foi questionado sobre a viabilidade do novo CT e respondeu que as obras seriam realizadas. Para que as máquinas comecem a trabalhar, ainda faltam documentações exigidas pela prefeitura, que devem ser entregues nas próximas semanas.

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Destacou-se em negrito o trecho da notícia no terceiro parágrafo a fim de frisar que a idéia e os trâmites iniciais que permitiriam o acordo para a construção do novo CT partiu da administração do Sr. Belluzzo e não do Sr. Tirone. De acordo com a afirmação do presidente Tirone, tudo estava certo e o início das obras para a construção do novo CT aconteceria entre final de 2011 e o início de 2012. Contudo, passados aproximadamente seis meses daquele que seria o prazo estipulado para o seu início, as obras ainda não estavam ocorrendo. No início do mês de junho de 2012 o site UOL em parceria com a FOLHA DE SÃO PAULO publicou a seguinte matéria:

PALMEIRAS PERDE CHANCE DE TER CT DE R$ 27 MILHÕES

O Palmeiras desperdiçou aproximadamente R$ 27 milhões ao engavetar projeto de construir um centro de treinamentos para categorias de base financiado exclusivamente com dinheiro público. Apesar de ter recebido área de 65 mil metros quadrados em São Roque (a 66 km de São Paulo) e de ter obtido autorização para captar cerca de R$ 23 milhões, o clube nunca iniciou as obras. Os prazos para usufruir dos incentivos já expiraram.

A Prefeitura de São Roque já notificou o Palmeiras, pedindo a devolução do terreno avaliado em R$ 4 milhões que havia sido concedido ao clube para abrigar o novo CT.

Segundo o diretor de desenvolvimento econômico da cidade, Leodir Ribeiro, o acordo acabou em 6 de abril, e o time tem até a próxima semana para entregar a área."Temos outros projetos para instalar lá. Fizemos nossa parte. Todos os alvarás foram aprovados. Acho que eles estão perdendo um negócio muito bom", disse Ribeiro.

A data limite para levantar com empresas interessadas o dinheiro para financiar a obra também ficou no passado.

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Observem que o Palmeiras iria desembolsar muito pouco para realizar esse empreendimento, pois a verba seria concedida quase que na totalidade pelo Ministério do Esporte, por meio da Lei de Incentivo Fiscal. Em contrapartida caberia à Sociedade Esportiva Palmeiras a obrigação de fornecer treinamento a técnicos e professores da cidade. Entende-se, portanto, que o ocorrido só pode demonstrar a má fé ou má vontade por parte dessa diretoria em relação a dar continuidade aos projetos já iniciados na gestão anterior, como no caso dos jogos amistosos do Palmeiras na Espanha, ou a total falta de capacidade da atual diretoria comandada pelo Sr. Arnaldo Tirone em gerir o clube. De qualquer forma, assim como no caso dos jogos amistosos que deixaram de ser realizados em campos da Europa, mais uma vez os cofres da Sociedade Esportiva Palmeiras acabaram sendo lesados em função de erros da administração Tirone e mais uma vez, ações pendentes e que haviam sido encaminhadas pela gestão anterior acabaram não tendo continuidade.

Outra situação que mostra o despreparo do grupo comandado pelo Sr. Tirone em gerir a Sociedade Esportiva Palmeiras foi mostrada pela matéria do portal MARCA BRASIL – IG, publicada em 14 de Dezembro de 2011:

PALMEIRAS ATRASA PAGAMENTOS E MULTA POR EWERTON CRESCE 100%

O Palmeiras desperdiçou mais de R$ 600 mil devido a um atraso de três meses no pagamento da multa rescisória do atacante Ewerthon. Devido à demora, o clube precisou pagar em dobro os direitos de imagem do atleta, divididos em cinco parcelas e com vencimento em datas diferentes.

O detalhe é que os departamentos financeiro, jurídico e administrativo do clube, além do setor de contabilidade, foram avisados no dia 2 de fevereiro de 2011 que precisariam quitar pelo menos uma parte da dívida até o dia 15 de abril do mesmo ano para evitar o aumento do problema. E tudo isso aconteceu justamente no período em que o clube fazia de tudo, até cortava impressoras coloridas, para economizar dinheiro.

O iG teve acesso a dois documentos. Um deles mostra o acordo feito entre Palmeiras e jogador. Segundo apurou a reportagem, Ewerthon deixaria o clube com direito a receber cerca de R$ 3,2 milhões. O valor foi diminuído após acordo comandado pelo ex-advogado do Palmeiras André Sica, ainda na gestão de Luiz Gonzaga Belluzzo. O saldo devedor caiu para R$ 1,7 milhão, valor dividido em R$ 1,1 milhão de direitos trabalhistas e os R$ 600 mil de direitos de imagem. A única condição imposta pelo atacante foi uma grande multa em caso de atraso.

A primeira parcela, vencida em 19 de janeiro de 2011, com o valor de R$ 202 mil, foi paga normalmente ainda pela gestão de Belluzzo. As três na sequência, cada uma no valor de R$ 100 mil e com vencimento nos dias 15 de fevereiro, 15 de março e 15 de abril, foram deixadas de lado, acarretando em um aumento de R$ 600 mil para R$ 1,2 milhão. O detalhe é que, pelo acordo, esse valor que era parcelado precisaria ser pago à vista.

Arnaldo Tirone ficou sabendo do atraso e foi imediatamente cobrar o então gerente administrativo, Sérgio do Prado, que se defendeu com um documento protocolado por todas as áreas. O cargo de Sérgio não permitia que ele pagasse as dívidas, já que sua função era apenas gerenciar os problemas e delegar as funções. Neste caso, o pagamento ficaria sob responsabilidade do vice-financeiro Walter Munhoz e dos funcionários contratados para aquele setor, encabeçado por Marcos Bagatella, indicado de Mustafá Contursi.

“Eu fui atacado covardemente por várias vezes pelas mesmas pessoas. O que joga do meu lado é a verdade, que não prescreve. Eu sempre cumpri minhas funções do jeito mais correto possível e sempre fui atacado. Mesmo encaminhando os documentos e provando que a culpa não era minha, as pessoas insistiam em tentar me derrubar”, comentou Sérgio em contato com o iG. “Eu enviei documento até para quem nem devia falar nada e ficou me criticando”, completou.

Questionado sobre o problema, Gilto Avallone respondeu com versões contraditórias. Primeiro, afirmou que o departamento financeiro foi avisado quando a dívida já havia sido vencida. Depois, informado do documento, disse que precisaria buscar mais detalhes e solicitou contato com Walter Munhoz para melhores explicações.

Também em contato com o iG, Walter Munhoz reclamou da alta dívida deixada pela gestão anterior e disse que o clube renegociou os valores devedores. O vice-financeiro apontou um suposto rombo ao assumir o setor e citou vários números. Mas não disse se a dívida com Ewerthon aumentou ou diminuiu e nem comentou o motivo do atraso do pagamento.

“No dia 18 de janeiro, um dia antes do término da gestão, foi assinada a rescisão antecipada do contrato de trabalho do jogador. Com o clube com saldo bancário de R$ 1,256 milhão e dívidas já vencidas e não pagas pela gestão de R$ 50,056 milhões, tentamos desde o início renegociar o valor, sem sucesso. No dia 28 de novembro, foi conseguido um acordo com os advogados do jogador. Agora, a dívida será paga em 12 parcelas, sendo que a primeira vence no dia 15 de dezembro e a última no dia 16 de novembro de 2012”, afirmou ele por meio de e-mail.

Por meio de seu empresário, Ewerthon também não falou em valores e apenas confirmou que o pagamento do acordo ficou atrasado em mais de seis meses, mas que um novo acordo foi feito e que a dívida seria paga.

A reportagem ainda tentou contato com o presidente Arnaldo Tirone por celular desde sexta-feira e não obteve retorno. Marcos Bagatella, gerente financeiro, disse que não fala com a imprensa. O diretor jurídico, Piraci Ubiratan, não respondeu às tentativas. André Sica, o ex-advogado do clube, apenas afirmou que fez parte das renegociações, mas não quis comentar o tema.

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Seria essa mais uma demonstração de revanchismo da atual gestão com a gestão anterior? Estaria a gestão Arnaldo Tirone mais interessada em desmontar as ações pendentes da gestão anterior do que realmente desenvolver ações que levem ao crescimento e engrandecimento da Sociedade Esportiva Palmeiras? O fato é que o atraso dos valores devidos ao atleta Ewerton e o aumento dos valores a serem pagos devido à multa prevista levou a um grupo de conselheiros a pedir uma investigação mais apurada do fato, uma vez que havia indícios de que o diretor jurídico do Palmeiras, Sr. Piraci Oliveira, estaria envolvido na questão. Sobre essa ação dos conselheiros foi divulgada matéria na seção DE PRIMA, publicada pelo LANCENET em 17 de Janeiro de 2012.

PIRACI É ALVO DE INVESTIGAÇÃO NO PALMEIRAS

Quinze conselheiros do Palmeiras entraram na semana passada com um pedido de investigação contra Piraci Oliveira. O diretor jurídico é visto como responsável pelo aumento da dívida do clube com Ewerthon. Ele, no entanto, afirma que não se envolveu na rescisão com o atacante e que a dívida é muito inferior a R$ 600 mil, como declarado pelos conselheiros.

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Em outra mão de conduta, ou seja, de forma contrária aos quinze conselheiros que manifestaram-se preocupados com o prejuízo decorrente desse “esquecimento” por parte da diretoria, manifestou-se o Sr. Arnaldo Tirone com um certo descaso sobre o suposto envolvimento do Sr. Piraci no prejuízo de 600 mil reais causados pelo aumento de 100% da multa do jogador Ewerton. A manifestação do Sr. Tirone, pode ser observada na matéria transcrita abaixo, conforme foi publicada no site VERDAZZO! Em janeiro de 2012:

Imagine que você é um ex-jogador em atividade, está na sua casa de praia descansando, e de repente toca seu celular. Do outro lado da linha, alguém lhe diz: “olha, eu sei de um jeito que você pode ganhar R$ 600 mil, dentro da lei, é só você me dar uma parte e ficar calado“. Se foi isso o que realmente aconteceu, ninguém sabe, mas não dá para descartar a hipótese.

O caso tem que ser investigado com rigor, mas parece que a diretoria do clube, estranhamente, se resignou com a perda e vai varrer a sujeira pra baixo do tapete. A mesma diretoria que criou caso por causa de diária de nutricionista no hotel, que cortou o toner colorido nas impressoras, que demitiu profissionais competentes, sempre sob a justificativa de cortar gastos – ou migalhas. Se somarmos todas essas “economias” não se chega a esses R$ 600 mil.  Há duas semanas o grupo Fanfulla promoveu uma confraternização de fim de ano, como é tradicional, na Academia de Futebol. Já quase no fim, depois que vários associados já tinham deixado o local, Tirone chegou para prestigiar o evento. Além de ter sido cobrado severamente durante cerca de uma hora e meia sobre diversos assuntos, desde contratação de atletas, passando por gestão, marketing, política, bastidores, e tudo o mais que os leitores possam imaginar, foi questionado sobre esse caso. Sua resposta foi preocupante.

- O Piraci [de Oliveira] perdeu nessa, mas já ganhou bastante em outros assuntos. O saldo é positivo.

Isso foi dito na frente de cerca de 50 associados. De maneira inacreditável, o presidente do clube justificou a queima de seiscentos mil reais com outros supostos ganhos para o clube por parte do departamento jurídico. Claro, gerou muita indignação, e mais cobranças. Tirone manteve-se minimizando o caso.

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Observa-se no primeiro parágrafo da matéria publicada no site VERDAZZO, destacado em negrito  que, de fato,  investigações seriam e continuam sendo necessárias a fim de esclarecer de uma vez por todas qual foi a quantia paga ao referido atleta decorrente da tal multa. E também para esclarecer se o erro ocorreu por falta de competência ou de propósito, por má fé e interesse nas circunstâncias ou oportunidades geradas pelo ato.

Outra situação exemplificando o suposto processo de “desconstrução” por parte da gestão Tirone de todos os acordos firmados pela gestão anterior, deu-se quando o Comitê de Orientação Fiscal, liderado pelo Sr. Mustafá Contursi “conseguiu” a reprovação de um acordo financeiro conquistado pela diretoria anterior permitindo quitar dívidas, entre elas à da contratação do atleta chileno Valdívia, contratado para compor o elenco profissional de futebol do clube. Segundo consta, a diretoria da gestão Belluzzo havia conseguido um aporte financeiro que garantiria quitar boa parte das dívidas do clube, incluindo a dívida contraída na contratação de Valdívia. Na época, o COF, comandado pelo grupo do Sr. Mustafá Contursi, recomendou ao Banif não fornecer o aporte financeiro pois, caso a gestão Beluzzo ou seus aliados não vencessem a eleição do ano seguinte, não haveria garantias para que o acordo financeiro fosse cumprido, o que levou a instituição a negar o aporte.  Com isso, as dívidas de momento, inclusive a relacionada à contratação do atleta Valdívia, não foram pagas. Ao não ocorrer o pagamento da dívida usando o acordo realizado pela gestão anterior, a forma encontrada pela gestão Tirone para resolver o problema foi  publicada em 20 de Dezembro de 2011, pelo portal GLOBO.COM.

POR VALDÍVIA, PALMEIRAS FAZ “CREDIÁRIO” E PAGARÁ 157% DE JUROS ATÉ 2015

Mesmo jogando pouco e contestado por parte da torcida e diretoria, Valdivia vai custar caro aos cofres do Palmeiras. Bem caro. O investimento, que era de R$ 14 milhões, deve acabar na casa dos R$ 36 milhões, por conta de juros e correção - 157% a mais do que o valor original.

Valdivia foi contratado em agosto de 2010 do Al-Ain, dos Emirados Árabes. Como o Verdão não tinha recursos próprios, recorreu a uma carta de crédito de € 6,2 milhões (R$ 14 milhões na época) do Banco Banif. Foi a saída encontrada pela direção anterior, comandada por Luiz Gonzaga Belluzzo, para bancar o retorno do então queridinho da torcida.

Belluzzo saiu, um novo grupo assumiu, e a dívida foi sendo postergada. O novo presidente, Arnaldo Tirone, também não conseguiu juntar recursos para pagar a dívida, que vencia em agosto. O Banif concordou em postergar a cobrança por mais alguns meses. Mas o prazo acabou. E um novo acordo teve de ser costurado

O clube parcelou a dívida que tem com o Banif em 48 pagamentos, de valores não confirmados oficialmente, mas que chegam a aproximadamente R$ 750 mil cada. No fim, o Palmeiras vai pagar mais do que o dobro do valor inicial: cerca de R$ 36 milhões.

Com o parcelamento, a dívida só termina de ser paga entre o fim de 2015 e o início de 2016 – o vínculo do Mago com o Verdão vence antes, em agosto de 2015. Ou seja: Valdivia terá 32 anos quando o Palmeiras terminar de pagar a dívida pela sua contratação. No valor final estão incluídos todos os encargos burocráticos da transação, que não tinham relação com o Banif, mas foram atrelados ao mesmo pagamento depois de um acordo.

Em agosto deste ano, o total da dívida chegava a R$ 20 milhões. Os juros embutidos pelo banco farão o número aumentar muito. O vice-presidente financeiro Walter Munhoz sabe disso, mas confessa que não houve alternativa melhor para selar um acordo com o Banif.

- Demos uma parceladinha na dívida sim, só assim poderemos pagar tudo. Não posso revelar valores porque há uma cláusula de confidencialidade. Mas como há juros, é natural que esse número seja um pouco maior do que o inicial - admitiu o dirigente.

Durante a temporada, o presidente Arnaldo Tirone cogitou negociar Valdivia para honrar a dívida provocada pela chegada do mesmo jogador. Recebeu apenas uma proposta do Al-Sadd, do Qatar, mas recusou. Agora, a postura da diretoria é outra: dar todo o suporte ao Mago para que ele volte a brilhar e consiga uma sequência de jogos. O Palmeiras entende que ainda tem chances mínimas de recuperar o investimento.

O presidente Arnaldo Tirone foi procurado para falar sobre o assunto, mas não respondeu às chamadas. O vice-presidente Roberto Frizzo admite que o Palmeiras vai pagar mais pelo Mago, mas acredita que o jogador pode responder com boas atuações.

- Ele é um jogador importante. O pagamento é assunto do departamento financeiro, mas nós acreditamos que ele pode render muito mais. 2012 pode ser o ano dele, sem lesões, que é o mais importante - disse Frizzo.

Até agora, Valdivia não justificou o enorme esforço feito para a sua chegada. Nesta temporada, o Mago disputou apenas 28 das 69 partidas do Palmeiras (40,5% do total), e fez quatro gols.

NOSSO COMENTÁRIO

De uma forma ou de outra, caro leitor, deixando de pagar a multa do atleta Ewerton ou construindo esse novo acordo para o pagamento do atleta Valdívia, não teria sido esse mais um caso de negligência por parte da diretoria comandada pelo Sr. Arnaldo Tirone em relação aos compromissos firmados pela gestão anterior? Não estaria mais uma vez a gestão Tirone mostrando a sua falta de capacidade em administrar a Sociedade Esportiva Palmeiras?  Não estaria mais uma vez a gestão Tirone lesando os cofres da Sociedade Esportiva Palmeiras? Aguardam-se, também nesse caso, novos esclarecimentos e novas investigações.

Amanhã, Capítulo 9: "Gestão Tirone e Frizzo: A Desorganização"

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