MURICY RAMALHO E MAIS (10/02/2010)
 

Dentro de campo a semana não foi nada boa para o nosso glorioso Verdão, na Quinta um primeiro tempo sofrível causou um empate contra a lusinha, em mais uma lambança do Armero sofremos um gol de um atacante mais gordo que o ronalducho, e poderia ter sido pior se nosso goleiro não fosse o Marcão, fez umas duas boas defesas. No intervalo o Muricy conseguiu organizar melhor o time em campo, e não demorou para empatarmos o jogo com um gol do Danilo, daqui a pouco ele vai ter que ficar com a 9 mesmo, até que fomos melhor que a Portuguesa na segunda etapa, mas nada que nos fizesse merecer a vitória, a não ser por uma bola na trave do Diego Souza, mas se considerarmos algumas defesas difíceis do Santo o placar foi justo.

Lenny voltou a atuar neste jogo, e em 15 minutos foi mais efetivo que o Robert foi em três jogos.

No domingo visitamos o Bragantino, e o que parecia fácil se complicou e muito. Graças a Deus o Armero foi vetado antes do jogo, e hoje nosso melhor lateral é um volante destro jogando improvisado na esquerda, Wendel ao menos não comprometeu. Fizemos um gol logo no início do jogo, em uma bela assistência Diego Souza deixou Cleiton Xavier na cara do gol, que concluiu mais bonito ainda, e ampliamos no começo do segundo tempo, Wendel foi à linha de fundo, está vendo Armero, e no cruzamento o goleiro do Bragantino se atrapalhou, aí sem goleiro o Robert conseguiu fazer 2 a 0 para nós.

Parecia que seria fácil, mas pouco tempo depois o Braga fez um em uma cobrança de falta, nessa São Marcos falhou, e aos 30 minutos chegaram ao empate numa falha da nossa zaga. E para o alívio de todos Palmeirenses conseguimos o gol da vitória aos 38 minutos do segundo tempo. Em mais uma assistência de Cleiton Xavier, Lenny fez o gol da vitória.

Assistindo aos melhores momentos do jogo vemos que o Bragantino teve mais chances de gol do que o Palmeiras, e se não fosse o Marcos fazer boas defesas teríamos perdido o jogo.

Mas o importante são os três pontos, principalmente neste momento que tudo parece insistir em dar errado.

O ponto positivo fica para o gol do Lenny, espero que ele consiga ter uma boa seqüência agora, no começo da temporada passada ele foi muito bem, e nos será muito útil neste ano, jogar bola ele sabe, só precisar por os pés no chão e a cabeça no lugar. Em time de Daniel e Robert, Lenny é Pelé.

Um dos pontos do baixo rendimento do time tem sido o preparo físico, nosso time não consegue manter um bom ritmo de jogo durante toda a partida, a pequena quantidade de jogadores no elenco interferiu neste ponto também. Mas já está na hora do preparo físico dos jogadores melhorar.

Nosso departamento médico deve ter uma sala muito bonita, nossos atletas adoram ficar por lá, o Lenny voltou, agora só falta o Mauricio e o Léo, poucos times têm dois zagueiros do nível desses dois, mas precisam se recuperar. Será que nosso departamento médico tem algum problema? Nossos jogadores demoram a se recuperar, mas temos que considerar que o Mauricio forçou bastante no fim da temporada passada para poder voltar ainda no Brasileiro, e talvez por isso sentiu agora no começo da temporada, e o Léo também vinha de contusão no Grêmio, só espero que voltem 100% recuperado para que possam nos ajudar, são ótimos zagueiros.

Nesta Quarta iniciamos a disputa da Copa do Brasil, depois de conseguir ficar fora da Libertadores temos que encarar essa competição com a obrigação de titulo, espero que os jogadores pensem assim também. Vamos até Teresina enfrentar o Flamengo do Piauí, só consegui descobrir que eles são os atuais campeões Estaduais, me parece que não fizeram nem um jogo oficial ainda neste ano.

Temos que buscar uma vitória por dois gols de diferença, para já voltarmos classificados e assim ganharmos uma semana a mais de folga mais a frente, mesmo sem reforços acredito que podemos vencer. Claro que sabemos bem os cuidados que se deve tomar com essa competição, por ser neste sistema de mata-mata qualquer vacilo pode ser fatal.

Enfim chegou um reforço para o meio campo, depois de muita dificuldade nossa diretoria conseguiu apresentar o meia Lincoln de 31 anos, que foi Campeão defendendo Schalke 04 da Alemanha e Galatasaray da Turquia.

Tenho boa expectativa em relação a esse jogador, acredito que vai se dar muito bem por aqui, principalmente pelo futebol que jogou pelo Schalke na Alemanha, onde era ídolo do time mais popular do país. Vamos ter que esperar pelo o menos umas duas ou três semanas para que ele possa estrear com a linda camisa Palestrina, já que estava desde maio sem participar de uma partida de futebol. Não pareceu fora de forma na apresentação, sinal que estava se cuidando fisicamente, e se mostrou muito motivado por estar no Palmeiras.

E chegou arrepiando com a imprensa, do jeito que o Palmeirense gosta.

Semana passada não falei nada da diretoria, até por que se torna chato e repetitivo, mas vamos lá.

Se olharmos os outros times veremos que todos tem ao menos um time formado, e nós ainda não, deveríamos ter um meia e um atacante de verdade pelo o menos para essa estréia na Copa do Brasil, para termos um ótimo time é o que falta, um cara para jogar com o Cleiton e mais um que faça gols, e mais umas duas ou três contratações para termos um bom elenco.

Vão sempre dizer que querem jogador de qualidade e por isso demoram para contratar, mas pelo o menos esses dois (meia e atacante) jogadores de qualidade já deveriam ter chegado, o Lincoln acho que vai se destacar muito no futebol Brasileiro, mas precisávamos de mais um que chegasse pronto para jogar.

Concordo que não saía contratando qualquer porcaria, ainda mais agora que nos livramos de praticamente todas. Mas será que é tão difícil agilizar a contratação do Ewerton e do Velásquez, até por que esses não são jogadores top de linha e não tem vários times tentando contrata-los, mas mesmo não sendo jogadores top acredito que nos ajudariam bastante nesse momento, esse paraguaio é sim uma boa aposta.

Eu apoio e confio muito no Belluzzo, mas parece que ele perdeu a oportunidade de mudar toda a diretoria de futebol no fim do Brasileiro, e vai perder outra se não se desfazer logo do Toninho Cecílio pelo o menos.

Se esperta Luiz Gonzaga Belluzzo. E Continuamos no aguardo de novidades, é o que nos resta.

Sandro Silva foi para o Botafogo, que vá com Deus, não queria mais jogar no Verdão agora vai ter que jogar no Foguinho.

Sei que a maioria dos Palestrinos deve ter visto a ótima entrevista do nosso técnico para o site Terceira Via Verdão, mas vou reproduzir alguns pequenos trechos por realmente valer a pena.

3VV: Você vê muito futebol?
MR: Se eu vejo futebol? eu vejo futebol qualquer hora livre que eu tenho. Eu não posso permitir que um diretor de um clube ou uma pessoa da imprensa pergunte para mim se eu conheço um time tal no Japão e eu não conheço, ou um jogador de não sei onde. Por exemplo, no futebol é assim: tem um time que precisa contratar daí tem um monte de esperto que fala – aqui tem um jogador que é bom prá caramba – mas esse jogador tem um problema no “cruzado” [ problema de joelho ], jogou muito pouco por lá, ficou fora tantas partidas. Aí você pergunta: como é que você sabe? Eu vivo disso, eu tenho que acompanhar.

3VV: Você tem algum banco de dados?
MR: Não tenho, eu tenho tudo na cabeça.

3VV: É mesmo?
MR: Sim, porque eu vejo demais futebol. Eu vejo qualquer futebol,  então eu vejo A3/A2, vejo Japão, Inglaterra, vejo de tudo. Então, por exemplo, não se pode admitir um técnico de hoje, vem o Presidente do clube perguntar de tal jogador e ele falar “não sei”. Isso é um absurdo! Por quê? Porque você tem internet, você tem televisão, tem transmissão de campeonatos, então é um absurdo. E isso já ajuda um clube, então por isso que, por exemplo, alguns técnicos permanecem um pouco mais na ponta do que outros. Os técnicos que estão permanecendo na ponta são os caras que nunca param de estudar, nunca param de ver futebol são dedicados, são viciados em futebol.

3VV: Você já foi obrigado a aceitar jogador?
MR: Sim, pelos amigos aí [ olhando para a direção do muro do vizinho; todos riem  ] .
HB: Quais são os cuidados que você tem com a base? Porque a torcida vê a Copinha por exemplo e vê que tem 5 jogadores que pode jogar no time titular. 
MR: Porque hoje é gostoso você falar da base, você não quer falar lá de cima, mas não é fácil jogar. Mas todo clube é assim...
HB: Como assim?
MR: Todo  lugar é igual!! Veja como é que é, as pessoas esquecem, mas eu não. Há 3 anos, a imprensa pressionou porque o time do Corinthians estava uma merda, e diziam “tem que pôr uns moleques lá”. Aquele cara do canal 11, como é que chama?
Todos: Chico Lang.
MR: Queimaram todo mundo.
HB: O que acontece?
MR: É que não pode cara! Não pode, tem que tomar todos os cuidados, tem que  preparar o cara. Essa camisa [ pega uma camisa do Palmeiras que estava na mesa ] é pesada. Você no pode simplesmente colocar o cara de uma vez. O moleque entrou agora 4ª feira, o Gabriel [ Silva ], porque ele já estava aqui. Ele treinou muito antes com os profissionais. Então ele já estava aqui. Então você não pode chegar simplesmente porque o jogador arrebentou na Copinha e colocar em campo. Não pode porque essa camisa é pesada, você não tem idéia.
MR: Eu conversei com o Juninho aqui um tempão, e perguntei de alguns jogadores. Tem jogador [ do time da Copinha ] que está no ponto, mas tem jogador que não. O Ramos por exemplo que é um jogador interessante. Mas ele às vezes participa pouco do jogo. Repara que o cara na televisão às vezes fica 5 minutos sem falar o nome dele. Isso não pode.  Então só pega a bola, dribla e chuta?  
Então o jogador tem que ser orientado, tem que treinar, porque não pode um jogador ser só de uma jogada. O treinador adversário assiste o jogo e fala – está vendo aquele número 10? Ele só tem uma jogada que ele arruma com o pé esquerdo e solta a porrada, então marca essa jogada. Então ele tem que ser orientado, treinar jogada em profundidade, treinar jogada em diagonal,  aprender a vir buscar mais a bola.
JOTA: E consegue mudar isso?
MR: Sim, o Juninho está fazendo o trabalho com ele. E ele faz assim: – eu vou te pôr aqui [ faz a cena com as mãos como se estivesse orientando em campo colocando o jogador na ponta esquerda ]– você faz o cara jogar a bola e ir às costas do lateral, vai lá sofrer um pouco. Por quê? Porque vai dar profundidade.  Isso daí treinador preguiçoso não faz. Mas aqui a gente faz. O Juninho está orientando o menino.
JOTA: Por que nenhum técnico brasileiro nunca deixou nada escrito? Não tem um livro de técnico brasileiro de táticas? Não livro de memórias, mas livro de táticas.
MR: Sabe o que eu acho? Eu acho que no Brasil a gente discute muito pouco futebol, muito pouco.

3VV: A gente percebe que você mexe pouco no time, pelo menos com troca de jogares durante o jogo. É falta de opção no banco ou é um estilo?
MR: Não, aqui é mais por falta de opção mesmo.
JOTA: Era só o seu pai que era palmeirense?
MR: Eu também era. Na minha casa eu convivi com: Servílio, Seo Valdir, Djalma Santos, e o Carabina. O Carabina parecia irmão do meu pai. Então através do Carabina ele fazia churrasco na minha casa e o Carabina levava todos eles. E eu era pequeno ficava no meio dele. Eu conheço todas essas feras aí. Na época eram todos famosos, mas eles iam lá, claro que todos escondidos, mas ficava, na minha casa o meu pai fazia churrasco para eles. 

HB: Como foi a história do Ademir da Guia? 
MR: Eu tinha 17 anos. Eu sempre me concentrava, mas eu nunca trabalhei, mas o Zé Carlos era titular daí ele se machucou. O Silva, que era o treinador, então ele falou que eu poderia jogar, mas daí ele nunca mais me tirou.
Eu fui convocado para seleção paulista de futebol, mas na época era como se fosse para a seleção brasileira, então tinha Luis Pereira, Leivinha, Ademir da Guia, só fera era uma seleção brasileira, puta time para caramba. E a gente ia se concentrar no Morumbi. Daí quando eu cheguei ao Morumbi eu tinha muita curiosidade, mas só que antigamente a relação com os jogadores era de muito respeito, então o Pelé, Rivelino, você jogava com esses caras tinha até medo. 
Hoje não [ risos ].
Antigamente tinha muito respeito pelo cara. Aí cheguei lá começou chegar só fera, então Clodoaldo, aí fui lá ver o quarto com quem ia ficar.

HB: Que ano que foi isso?
MR: Foi em 74/75, alguma coisa assim.

JOTA: No Trofeu Médici
MR: Aí com quem eu estava no quarto? Com o Ademir da Guia! Sai correndo para o telefone.
Daí eu fui correndo peguei a lista e liguei, mas eu estava todo apavorado, todo nervoso daí eu falei pro meu pai – o senhor não sabe quem está no meu quarto! Quem está no seu quarto? Ademir da Guia!! [ risos ] 

MR: Ele falou: "Puta que pariu como é que pode!". Meu pai ficou super emocionado.

Todos na sala riram. Muricy não deve ter percebido, mas os olhos estavam brilhando.

Muricy Ramalho: O final do ano foi o pior da minha vida, porque eu perdi. Então o meu sonho é ser campeão brasileiro pelo Palmeiras esse é meu sonho. Eu vou lutar para caramba para ser campeão, por quê? Porque é simples: o Palmeiras, o tratamento que me deram na minha chegada, o meu medo era esse,   o tratamento que me deram aqui foi brincadeira em termos de torcida, diretoria, foi do caralho. Então eu sou um cara muito agressivo, eu não sou paraquedista, porque senão eu teria ido para outro time  que me ofereceram muito mais que o Palmeiras, a verdade é essa, mas vim aqui porque queria ser campeão, mas não fui campeão e isso me machucou.

Eu não vou sossegar, vou trabalhar para caralho, a gente vai ter um começo difícil, que já era previsto já tinha conversado com a diretoria. Temos os problemas de contratações, porque a gente não vai ter dinheiro, vamos sofrer com crítica porque todo mundo está vendo para lá e para cá, às vezes sem dinheiro também, mas não sei como eles fazem essa mágica aí porque eles também devem.

Mas o meu sonho hoje é ser campeão no Palmeiras porque é uma coisa que engasgou, ficou aqui, mas eu vou ser. Não é só eu porque a gente percebe na diretoria, no presidente, no Cipullo, no Toninho. Naquele dia lá com o Botafogo foi uma coisa terrível. As pessoas pensam que a gente não sente com aquilo, mas parece que caiu um teto em cima da nossa cabeça, entendeu? Uma coisa que estava perto, mas não deu certo. Então esse é meu sonho hoje, eu sei que é o sonho do Palmeiras porque ninguém aceitou isso, não aceita. A gente é obrigado a passar, mas não aceita. Isso é um sonho cara, por Deus, mas é sem demagogia sem nada. Por isso eu fiquei aqui.

É isso pessoal, todos os créditos desta entrevista fantástica fica para toda a turma do 3VV, o Vicente Criscio, Jota Christianini, e todos que fazem parte da equipe.

E quem não leu ainda esta entrevista faça logo, www.3vv.com.br , é um pouco extensa, mas vale muito a pena essa leitura.

Admiro ainda mais o Muricy, sou fã mesmo desse cara. E acho que merece o respeito de todos os palestrinos.

Só pra distrair, trecho de uma entrevista do Muricy para o jornal O Lance. Em 06/02/2010.

LANCENET!: A coisa que você menos gosta é dar entrevista?
Muricy Ramalho: Não é que eu não gosto de dar entrevista. Outro dia falei para um blog de palmeirenses e fiquei duas horas conversando com os caras. Para falar de futebol, dou entrevistas longas. O problema é que algumas pessoas fazem muita fofoquinha, isso eu odeio. Uma entrevista legal eu dou para qualquer um.

Toma imprensa de merda.

Agradeço a Todos os comentários da coluna passada, estarei respondendo dentro do possível aos comentários.

Deixo um abraço também ao Leonardo Paglioni, grande Palestrino, trocamos muitas idéias no Boleiragem Verde.

E para terminar, foi muito divertido ver o goleiro de Hóquei do time do Jardim Leonor sendo humilhado pelos meninos do Santos. Ele merece passar essas vergonhas, e ainda tenta se fazer de vítima, ele devia reconhecer o talento do jogador brasileiro.

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