"O Palmeiras é muito maior do que eu" (20/04/2010)
 

Inconteste. Raras são as vezes que um jogador dá uma declaração que não permite dúvida. Quando acontece, como neste caso do zagueiro Danilo, merece destaque. Merece paráfrase.

A consequência habitual para o deslize de um zagueiro é o gol adversário. Se falha na marcação, a zaga alviverde, quando não salva pelos milagres do último Homem santo, compromete o placar. O erro cometido por Danilo, homem primata, promete custar ao Palmeiras mais do que já custou o sensacionalismo selvagem que nos tem sido servido pela sociedade midiática. Rodízio farto. 

Além da superexposição negativa da marca, os riscos de punição exemplar na Justiça Desportiva são imensos. Danilo Laranjeira, jogador do Palmeiras, será porco expiatório. Mais um. Não é novidade. Há ainda a Justiça Comum, por crime de injúria racial. E o ‘júri’ popular que tem se mostrado inclemente. Tribunais suficientes, portanto. Aqui, o beque não será julgado. Nem acusado. Nem defendido. 

É em defesa do Palmeiras, muito maior do que ele, que sai esta coluna em edição excepcional. Amanhã, o Alviverde pisa no gramado alheio com vantagem construída de forma copeira, fundada no 1x0 caseiro obtido com raça. Raça, destino irônico... Vantagem digna que o rival pretende arrancar dos nossos pés abusando, desonesto, de artifícios extracampo. 

O torcedor do Atlético ameaça. Caras pintadas para a batalha, estádio negro. O torcedor do Palmeiras não é negro, não é branco, não é amarelo, nem vermelho. É verde. Família de sangue esmeralda que lutou contra o maior preconceito histórico visto no mundo do futebol. Quiseram-nos colônia, fizemo-nos Nação. O atleticano quer guerra? O palmeirense quer garra. E vitória. Quer, novamente, superação.

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