"Futebol, hoje, não é para amador" (11/05/2010)
 

“E muito menos para gente atrasada”, completou o presidente da S.E.P., Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, em entrevista recente concedida à Pró-Palmeiras*.
 
Desta vez, antes de parafrasear, faz-se necessário contextualizar. Belluzzo, ao falar sobre a estimativa do valor a ser cobrado pelos ingressos na Arena, discorria sobre a importância de arrecadação das receitas de bilheteria. Destacava que o “futebol é muito caro” e citava o conflito entre os desejos do torcedor: elenco qualificado em campo, arquibancada a baixo custo. Contexto posto, novo enfoque.

Futebol, hoje, é para profissionais. Porém, quando se observa o organograma do departamento na S.E.P., lê-se amador. A diretoria responsável pelo Futebol Profissional é, contrariando inclusive a precisa constatação do presidente, amadora. Encabeçada pelo vice Gilberto Cipullo, a cúpula conta com Seraphim Del Grande, Savério Orlandi e Genaro Marino. Quatro diretores não remunerados que dedicam ao Clube tempo livre e escasso.

Abrigados por uma estrutura político-administrativa arcaica e questionável, regidos por um Estatuto atado a normas obsoletas (muitas aprovadas durante a administração Contursi), são e estão os homens que comandam o carro-chefe da Sociedade Esportiva Palmeiras. Enquanto isso, a Nação debruça a discussão sobre intenção e caráter, premissas frágeis. Enquanto isso, nós estamos debatendo pessoas, não os sistemas e os métodos que as envolvem.

Pragmática, esta edição dispensa poesia. Não interessa, aqui, se os atuais diletantes são bem-intencionados, tampouco se, ou quanto, amam o Escudo. Esta coluna dispensa ainda o maniqueísmo moral. Não importa, agora, se bons ou maus, se éticos ou não. Esta ‘Paráfrase’ restringe-se ao alerta: estamos travando batalha errada. Exigir a substituição de um amador por outro é medida paliativa que não atinge a raiz do problema. É ineficaz. 

Enquanto a altercação girar sobre nomes próprios, estará girando em falso. Nome é consequência, não é causa. Cipullo, Del Grande, Orlandi, Marino. Eu, vocês. Amadores. Futebol, hoje, não é para eles, não é para nós. Muito menos é para mentes atrasadas, condição que, com frequencia, independe da idade. Pela separação entre o Social e o Futebol do Palmeiras! Pela profissionalização completa da gestão sobre o Futebol! Eis os lemas de uma luta pela qual vale o combate. E o debate. 

*A íntegra da entrevista de Luiz Gonzaga Belluzzo está disponível no site da Pró-Palmeiras. Clique aqui para assisti-la.

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