"Temos de fazer o trabalho com os pés no chão" (06/07/2010)
 

Entre o otimismo e o pessimismo, é o realismo cravado nas palavras do auxiliar-técnico Flávio Murtosa que marca o início da temporada 2010 para o Palmeiras.

Em tempos presentes e difíceis, a memória conjuga os verbos no pretérito perfeito. Se hoje não somos, ontem fomos felizes. Sempre. Sempre? Em 18 de março de 1998, no Palestra Itália, diante do placar  Palmeiras 1x4 Mogi Mirim, estavam cerca de 1.500 palmeirenses. Nas ‘bancadas’, entre eles, não havia um feliz. Em campo, também infelizes: Velloso; Pimentel (Arílson), Roque Júnior, Cléber e Júnior; Galeano, Rogério, Zinho e Alex (Chris); Paulo Nunes e Oséas. Luiz Felipe Scolari.

O lanterna do Campeonato Paulista, que até então havia marcado dois gols na segunda fase do torneio, goleara o Palmeiras em casa. É... não havia espaço para felicidade. O time desafiara o Hino. Defesa falha, ataque ineficiente. Em resposta, a Nação desafinaria o canto. “Ão, ão, ão, fora chimarrão"; "Ô, ô, ô, ô, queremos treinador". "Fora Felipão!". Fora Felipão? Fora Felipão. Então aconteceu, é fato. É... Mas o Alviverde ainda não conquistara a América. Então está explicado. Está?

Depois do sucesso no primeiro semestre de 99, quando fomos felizes, veio o fracasso. À vitória, seguiram-se derrotas. Mundial, Brasileiro, Mercosul. Em janeiro de 2000, voltou a acontecer. “Acorda, Palmeirense!”, protesta parte da torcida pedindo a saída da co-gestora e do técnico. Faixas são exibidas nos jogos da Copa São Paulo, cartazes são colados nos muros da Academia. Fora Parmalat!”; “Fora Felipão!”. Não há imunidade que resista à dor da perda. Então está explicado.

Eis que o passado, pelo inconsciente coletivo idealizado perfeito, revelou-se imperfeito quando revisitado. Que a diretoria da SEP trabalhe com os pés no chão. Que não incorra nos mesmos erros. Que não espere da Nação razão plena. Que não exija de todo palmeirense contrariar a natureza intrínseca ao torcedor, a de ser passional. Aos homens que comandam o Palmeiras, a Paráfrase clama: preservem Felipão. Blindem elenco e comissão técnica. Esta é uma responsabilidade que cabe a vocês, não a nós.

*Comentários ofensivos à Nação (parte ou todo) são dispensáveis. A torcida palmeirense, tão fatiada, dispensa mais segregação. É passada a hora de nos respeitarmos. Alguém, em algum ponto, deve começar. Que seja aqui, a partir de agora.

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