"O time tem a minha cara" (20/07/2010)
 

"Não é porque perdeu que não tem a minha cara", completou Luiz Felipe Scolari, na entrevista pós-estréia, assumindo parte da responsabilidade pela derrota do Palmeiras.


A declaração também. Chamar a responsabilidade para si, diante de um placar adverso, é a cara de Felipão. É o caráter de Felipão. É, além da inquestionável qualidade profissional, o que o diferencia dos demais. Mas o Palmeiras que entrou em campo, domingo, ainda não tem a cara dele. Esse time não nasceu com o sobrenome Scolari, nem recebeu educação familiar. É, a bem da verdade, uma equipe até ontem órfã, recém-adotada, que se mostra disposta a evoluir. Uma equipe com vontade.

Está na cara dos jogadores. Vontade de aprender, de conquistar, de vencer. Vontade explícita em cada dividida, em cada passe, em cada olhar que, depois do erro, busca orientação à beira do gramado. Ou que procura aprovação depois do acerto. Gabriel comemorou e olhou para Felipão. Leo caminhou para o vestiário olhando para Felipão. Vontade de confiar e de crescer. É um time a ser forjado, ainda incompleto, porém aguerrido. E carente. Faltam treino e entrosamento. E tática.

Ao meio-campo falta técnica. E magia. Ostentar a 10 Alviverde, historicamente divina, exige imponência e algo mais. À zaga faltou o titular. À meta, o santo. Ao ataque, Camisa 9. À lateral, experiência. Ao todo falta banco. E o carinho da ‘parceira’. Falta profissionalização à diretoria. De tudo o que falta, arrisco, é a profissionalização que fará mais falta quando faltarem vitórias. Falta muito. Talvez, para 2010, falte tempo. À temporada faltou planejamento. Fosse uma ciência exata, restava esperar 2011... Não é.

Futebol é o jogo do imponderável, é o desafio à lógica. À prova, ângulo inverso. Em 2009 faltava bem menos, na teoria quase nada, mas... Faltou o que não se planeja, o que não está à venda. Não há cláusula contratual que garanta atitude, não há salário que assegure entrega. Em 2009 faltou alma. Alma ganha jogo? Não. São precisos 11 corpos sãos. Uns criativos, outros destrutivos. Um armador. Um ou dois craques. Um bom finalizador... Talento e garra. E os titulares precisam de reservas. Boa parte ainda falta... Alma não falta mais. Um Palmeiras com alma é a cara de Felipão.

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