"Não estou preocupado" (10/08/2010)
 

A frase é de Luís Felipe Scolari, o nosso Felipão, dita domingo após o empate do Palmeiras com o Goiás, no Serra Dourada.


Qualquer técnico que afirmasse tal coisa após uma sequência de cinco jogos sem vitórias no Palmeiras seria taxado de mentiroso. Diriam pelos cantos tratar-se de mais um devaneio ou algo dito para esconder os erros dos maus resultados. E mais, sua cabeça seria pedida nas alamedas e a pressão estaria à beira do insustentável.

Mas Felipão tem credibilidade o suficiente para poder afirmar tal coisa. Porque é sincero e afirma sem pudor que não está preocupado, mas também porque é corajoso o suficiente para dizer que "é preciso pensar um pouco mais na Sul-Americana, porque ali também vale vaga [para a Taça Libertadores]. Do jeito que estamos no Brasileiro, somando um ponto por jogo, vamos somar uns 30 e poucos no final, que é uma situação de brigar para não cair. Tentaremos concretizar a vaga na Libertadores pela Sul-Americana", o que se por um lado já entristece o palestrino mais imediatista ou angustiado, por outro não esconde de ninguém que para o caminho das conquistas falta muito, sobretudo tempo.

E é isso que o torcedor palmeirense precisa entender hoje: não precisamos nos preocupar, mas também não é saudável esperarmos muito deste time ainda neste ano. O Palmeiras por sua tradição e história é obrigado a brigar pelo título de tudo que disputa, mas hoje a nossa realidade não é essa. No Brasileirão pelo menos a situação está muito complicada. Foquemos na Sul Americana, desse tipo de competição o Felipão entende. E vale a pena lembrar o que nosso técnico é capaz de fazer.

Parece óbvio, mas é bom sempre refrescar a memória e lembrar certas coisas. Não do topo da América com Alex, Zinho, Arce, César Sampaio, Evair e outras feras. Não do topo do mundo com o Brasil de Marcos no gol e companhia estelar no ataque. Não. Temos que lembrar que foi num meio-de-campo com Dinho, Luís Carlos Goiano, Arilson e Carlos Miguel que Felipão levou o Grêmio ao lugar mais alto da América em 1995. Temos que lembrar que em 1991 o então desconhecido Luís Felipe Scolari levou Alexandre; Sarandi, Vilmar, Altair e Itá; Roberto Cavalo, Gélson e Grizzo; Zé Roberto, Soares e Jairo Lenzi ao título de Campeão da Copa do Brasil, pelo Criciúma.

É disso que Felipão é capaz. É por isso que podemos nos dar ao luxo de mesmo com um jejum de cinco jogos ainda acreditar no futuro deste trabalho, porque raramente quando Felipão está no comando de algo o trabalho não é bom. E hoje nossa realidade é essa, um time limitado, muitas vezes até deficiente em certos setores, mas orientado por uma pessoa altamente qualificada e capaz de conseguir façanhas inacreditáveis, justamente com times tecnicamente fracos.

Ainda vale destaque outra fala do nosso comandante, na realidade a frase completa do título desta coluna: "A partir do momento em que tivermos todos à disposição, teremos condições de mudar esquema, jogadores. Tem jogador que chegou na quinta e já jogou nesse fim de semana. A torcida precisa entender isso. Não estou preocupado".

Palmeirense, acredite. Não há um só palestrino contente com o 'discurso do ano que vem', todos nós queremos muito e para agora. Mas nem tudo que queremos é possível. Dê tempo, ofereça calma, compartilhe tranquilidade. Esse é o atalho para que no fim desse longo e árduo caminho compartilhemos de muita felicidade.  Enfim, não se preocupe, pois temos um grande líder que nos dará alegria mais cedo ou mais tarde.

Por Álvaro Costa
alvaro.costa@palmeirastododia.com

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