"Nosso time vem resgatando a alma" (24/08/2010)
 

Ainda falta muito. Ainda há irregularidade. Ainda há deficiências. Mas na última quinta-feira, dia 19 de agosto, o Palmeiras mostrou que a alma de um gigante não morre!


José Tadeu Mouro Júnior. Esse é o nome do autor da frase que dá título a essa paráfrase. Esse é o nome do nosso camisa 20, autor de dois gols na mágica noite de quinta-feira passada. Tadeu, que remete a São Judas Tadeu, santo das causas desesperadas, e jogador indicado por um santo goleiro de nome Marcos, xará de Marcos Assunção, outro herói do jogo contra o Vitória.

Deixando de lado o primeiro parágrafo com tantos nomes que mais faz lembrar enredo de novela mexicana, é bom constatar que realmente o Palmeiras vem resgatando a sua alma. Há algum tempo o palmeirense esperava por isso. Esperava por uma reviravolta, por alcançar algo quase impossível. E isso veio de forma incontestável no Pacaembu.

Antes mesmo de o jogo começar já havia algo muito diferente no ar. Uma atmosfera que por mais palavras que existam na língua portuguesa é impossível de transcrever, de verbalizar. Mas esperem um pouco. De onde vem esse resgate, quem é o responsável por conseguir canalizar toda essa energia e transformar o que até pouco tempo atrás mais parecia um bando desinteressado em um time lutador?

Desculpem a repetição, perdão pela insistência, mas é fato: Felipão é o grande responsável por esse resgate da alma palmeirense. É ele quem faz o limitado Tadeu acreditar que pode decidir uma vaga numa Copa Sul Americana. É ele quem convoca e a torcida obedece, inflamando um Pacaembu numa noite gelada.

O ‘Bigode’ tem um dom muito mais valioso que o entendimento tático: o entendimento humano. Ele entende cada necessidade dos seus comandados. Ele sabe colocar cada peça para funcionar da melhor maneira. Ele sabe exatamente qual a carência da nossa torcida. Óbvio que nossa maior carência, nosso maior desejo são títulos, mas nenhum palmeirense que eu conheço aturava mais ver um time sem alma, um time sem vontade, um time que não dava a menor importância para o Palmeiras.

E agora temos isso. Pouco, é verdade, pro tamanho das nossas exigências, pouco diante de nossa história, mas muito diante da nossa necessidade atual.

Domingo, contra o Guarani a partida foi atípica. Depois do jogo de quinta-feira, era de se esperar que sob um sol escaldante a coisa funcionasse mais ou menos como funcionou. Ainda mais com a valiosa ‘ajuda’ de Sálvio Spínola. Mas o processo de resgate da nossa alma já teve início e é irreversível. É bom demais saber que perdendo, empatando ou ganhando, enfim, habemus alma.

Quando as aspas abrem parênteses para uma homenagem

Hoje a Paráfrase é um pouco mais triste e quebra o protocolo ao se permitir uma homenagem.

No último domingo, 29, o time de craques do Palmeiras lá no céu ganhou um reforço: Valdemar Carabina, 78 anos, faleceu em Salvador, em decorrência de Azheimer. Valdemar foi um dos maiores zagueiros de nossa história, peça fundamental da Primeira Academia.

Um dos poucos privilegiados que vestiram a camisa do Palmeiras por mais de 500 vezes, Valdemar deixa saudade e de onde quer que esteja estará torcendo e ajudando o Escudo que tanto defendeu.

Descanse em paz, Valdemar, a Nação ainda está de luto pela sua perda, mas sua história e seu legado ficarão para sempre.

Até um dia...

Por Álvaro Costa
alvaro.costa@palmeirastododia.com

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