"Ele não vai ficar sem comida no prato" (21/09/2010)
 

O torcedor falando isso é uma coisa, já um diretor...


Quando li essa frase semana passada fiquei estarrecido. Não por possuir procuração para defender Lincoln, o ‘ele’ da frase. Muito menos por achar a frase em si espantosa, já que qualquer torcedor fala isso em mesas de bares, torça ele pro time que torcer. O problema é um diretor da Sociedade Esportiva Palmeiras falar isso em público.

Quando Genaro Marino disse que Lincoln não ficaria sem suas refeições, ele escancarou a todos um dos nossos maiores males: a falta de profissionalismo.

Não quero aqui nesse espaço julgar o homem Genaro Marino, nem mesmo o profissional que ele é fora do clube. O problema é que ele não é gestor de futebol. Nem ele, nem ninguém que cerca Belluzzo. Nem outros de outras chapas políticas. Ninguém. Não se trata de joguete entre oposição, situação, terceira alternativa, nada. Não há profissionais para gerenciar o departamento de futebol do Palmeiras.

Vivemos da entrega do departamento de futebol a técnicos de renome. Quando o ‘professor’ da vez acerta a mão, beleza. Quando erra, quem paga é o Palmeiras.

O Verdão precisa de uma vez por todas profissionalizar o seu futebol se quiser se manter a altura de sua própria grandeza. O estatuto não permite? Terceiriza! A Arena é prioridade? Quero ver um estádio que sobreviva sem futebol.

As eleições vem aí, estão próximas, mais perto do que imaginamos e qual candidato levantará a lebre da profissionalização? Alguém envolvido no processo político está preocupado com isso ou com poder, com cargos, com louros?

Todas as grandes marcas do mundo só sobrevivem através de estruturas e processos de gestões eficientes e melhorados constantemente. E o Palmeiras é uma grande marca do futebol.

Já chega de achar que a culpa da situação do nosso amado clube é de técnico x, jogador y. Não é. E nem é bom se falar em culpa, pois nesse caso há responsabilidade. Muitos foram os responsáveis por fazer o Palmeiras estar como está. Muitos mesmo. Inclusive o que vos escreve por nunca cobrar o profissionalismo como se deve indo lá no clube e exigir mudanças no sentido estrutural. A responsabilidade é nossa.

Ou a gente aprende a cobrar e exigir as mudanças que esse gigante precisa, ou continuaremos a reclamar de técnicos, jogadores e daqui a pouco até do gandula.

Profissionalização, meus caros, essa é a palavra. Pelo bem do Palmeiras que seja sempre esse o foco.

Por Álvaro Costa
alvaro.costa@palmeirastododia.com

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