"É preciso muito mais do que só qualidade" (05/10/2010)
 

Felipão deu um parecer sobre a atual safra das nossas categorias de base, estaria ele correto?


Felipão afirmou que hoje para jogar no Palmeiras não há ninguém pronto nas categorias de base alviverde, que só qualidade não basta. Confesso não ficar surpreso, mesmo reconhecendo que esta geração semifinalista da Copinha tem muita gente talentosa.

A empolgação com nossa garotada deve-se em parte por poucas vezes temos visto jovens bons de bola nas nossas divisões inferiores. E encheu os olhos o que Gabriel Silva, Luíz Felipe, Ramos e companhia limitada fizeram no torneio. Mas é pouco, muito pouco para se lançar no profissional todos de uma só vez.

Eu no meu leigo conhecimento futebolístico acharia o máximo ver o Luís Felipe na reserva do Vítor, o Ramos na reserva do Valdívia e por aí vai. Mas não é assim que funciona. Jogador de futebol não é atleta de game onde se avalia somente os seus critérios técnicos e pronto, apertando alguns botões ele executa todos os comandos.

É muito complicado gerenciar o começo de carreira de um jovem. Vejam o Gabriel Silva, nossa maior jóia, a maior revelação da geração “Copinha 2010”: tremeu nos primeiros jogos, demorou a engrenar, depois entrando aos poucos foi se soltando e hoje não vejo o time do Palmeiras sendo escalado sem o garoto. Mas houve um processo, etapas a serem seguidas e que estão rendendo alguns frutos.

Agora peguem o exemplo do Lenny: menino talentoso, driblador, mas que lançado aos 16 anos no time titular do Fluminense, claramente não segurou o rojão. Tecnicamente eu não duvido da capacidade do Lenny. Mas fica claro que algumas etapas no processo foram puladas. Quais? Não sei, se soubesse eu seria coordenador de categoria de base por aí.

Óbvio que alguns jogadores pulam etapas. Nossa equipe que disputou a série B revelou alguns valores e sabe-se lá Deus se houve processo estruturado, etapa bonitinha, tudo conforme manda o figurino. Sem contar vários outros atletas de outros clubes que simplesmente aparecem e jogam. Mas será isso regra ou exceção?

Há de se dar um voto de confiança para treinadores como Muricy e Felipão. Eles sabem o que falam. Muitas vezes nós todos só vemos um jogo ou outro, nem sabemos como é o garoto no dia-a-dia. Eu confesso envergonhado que sempre pedi o Ramos no time, mas fiquei sabendo essa semana que o garoto está há um tempão machucado. Ou seja, estava cobrando por algo que nem tinha base pra avaliar!

Mas tem outro lado: o primeiro que apresentar o mínimo de chance de despontar no profissional tem que ser testado, respeitando sempre os critérios de avaliação da comissão técnica. O Patrik, por exemplo, muita gente fala que é ruim mesmo, que não tem jeito, mas deve ser testado mais. Porque chega dessa história de jogador não ir bem aqui e ir bem em um rival ou em clube do Sul do país. Chega. Teste-se à exaustão esses meninos. Até acabar toda a paciência de nós torcedores, todas as esperanças da comissão técnica e por aí vai.

Enfim, espero que dias melhores para as nossas categorias de base venham. Mas que venham para ficar, não somente uma revelação ou outra esporadicamente, muito menos que seja fruto de um treinador em especial que quando sair levará consigo a receita do sucesso.

Por Álvaro Costa
alvaro.costa@palmeirastododia.com

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