Um título (28/11/2010)
 
Domingo, 7 da manhã... Acordo para ir até as bilheterias do Estádio Jaime Cintra, casa do Paulista de Jundiaí (campeão da Copa do Brasil de 2005). Chego por volta das 7h30, já havia uma pequena movimentação, de umas 20 pessoas. Compro meu ingresso, pago meia por estar com a camisa do clube, totalizando quatro reais para a arquibancada.

Saio do estádio e volto para a casa de um amigo meu, para nos reunirmos e irmos juntos. Por volta das 9h, saímos para o estádio e caminhamos juntos por um longo tempo. Sem ingresso para três amigos, uma cena cômica, nos oferecem três ingressos por dez reais e aceitamos. Mais de três mil pessoas tentavam entrar no estádio, onde umas dez mil já estavam acomodadas e mais mil pessoas tentavam comprar o ingresso.

Entramos, com sucesso... Já era 10h, foi só chegarmos a um local da arquibancada e o juiz apitou o início de jogo, os sete sentados, juntos com mais uma cidade inteira, colocando suas esperanças no time que estava decidindo a Copa Paulista, que garante vaga para a Copa do Brasil. Um início feio, duas equipes fracas... A tradicional torcida do Paulista de Jundiaí fazia festa, com a Raça e a Galoucura, o estádio era um só.

Do outro lado, o recém-fundado time dos empresários Red Bull levava cinquenta torcedores de Campinas ao estádio. No primeiro jogo, um empate em um a um, por melhor campanha, outro empate dava o título ao Paulista. O jogo estava horrível, com poucas chances, muitos chutes para frente. A torcida não se cala e ainda chegava muita gente.

Intervalo... Momento de descer das bancadas e ir até a barraquinha e comer o melhor cachorro quente da cidade, tomar algo e voltar para ver o segundo tempo. O estádio lotou, não havia nenhum lugar vago, exceto as cadeiras numeradas. A torcida cantava forte, porém calou-se logo aos cinco minutos... Um erro da zaga, Rafael (atacante do Red Bull) finalizou contra o goleiro Vinícius, que falhou... Um a zero para o time de empresários.

A cidade parecia mais triste, a torcida no entanto continuou. Dez minutos, o Paulista invadiu a área e o zagueiro do Red Bull puxou o atacante do Paulista, se jogou no chão segurando ele, pênalti mais claro que isso é impossível. O estádio parou, de frente para nós o camisa 9 do Paulista se encaminhou pra cobrança. Goleiro de um lado, bola do outro... Bola na trave.

Xingamentos, ofensas e tudo o que era possível pra cima deles... Recuadas para o goleiro, passes errados, falta de criatividade... Um time morto, sem garra, que não corresponde a sua torcida que gritava e apoiava. Mais de mil pessoas saiam do estádio faltando ainda 15 minutos. O Paulista estava derrotado para um time de empresários? Não, uma voz da torcida ecoava e pedia reação.

Falta clara, perto da área... O péssimo camisa 8 se encaminhou para o cruzamento, ela passou pelo zagueiro... Pelo atacante... Por todos, tiro de meta. Nova jogada do Paulista, faltava uns 5 minutos... Escanteio, novamente o camisa 8 e novamente pra fora. A torcida ia se calando, apesar dos gritos pedindo o gol, mas desanimados. O time, horrível, não correspondia. Os empresários do Red Bull estavam sendo campeões, um título para o futebol "moderno".

NÃO! Não é esse o futebol que move o torcedor de uma cidade como Jundiaí a estar do lado do seu clube, no seu estádio, na sua torcida! Falta perigosa para o Paulista, aos 42 minutos... Novamente o 8 cruzou, do lado esquerdo... A zaga subiu e não achou, mas o atacante 9 que perdeu o pênalti cabeceou firme, desvia no zagueiro e sai pelo lado direito...

Olhei no relógio, marcava 43mins32segds, o goleiro do Paulista foi para o ataque, quando o meia Marquinhos (o péssimo 8) cruzou, a bola relou na cabeça do centro-avante e Rodrigo chegou por trás, subiu mais alto e o Paulista ganhou a primeira pelo alto que foi direto pro gol. Na rede, vai buscar!

A torcida em festa! Comemoramos, gritamos, e tudo isso numa só voz! O juiz deu quatro minutos, longos de mais para os 15 mil restantes! A torcida em voz pedia o final do jogo e ele veio, Enfim, Paulista Campeão! E fica uma lição ao Red Bull que o futebol passa: o time pode ser inferior a um time de empresários, os jogadores horríveis, mas juntos com a torcida, que é o que realmente importa, podemos vencer qualquer coisa! Parabéns, Paulista de Jundiaí! Hoje, a batalha contra os empresários e o novo e deprimente futebol, nós vencemos. Na raça e no final, com Palmeirenses, Gambás, Bambis e todos outros clubes cantavam juntos pelo time da cidade, aliás, este é o maior exemplo de força: torcida é o maior patrimônio do clube, pode fazer um clube campeão! Imaginem o poder, então, da torcida do Palmeiras! Basta acreditar, como os torcedores do pequeno Paulista acreditaram, pois apesar do time horrível em campo, quem move o clube não é os jogadores, nem diretores e sim os torcedores!

Se, por um clube de uma cidade, todas as torcidas dos grandes se uniram e levaram o time ao título, só nos resta tirarmos como exemplo e nos unirmos em busca de uma nova arrancada!

Palmeiras, JÁ!
Palmeirenses, JÁ!

Por Vitor Gropelo (Skull do fórum)

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