"O Palmeiras tem história, é um nome forte" (20/01/2011)
 

Eis o que Roberto Frizzo, novo vice de futebol disse, após eleito. A minha pergunta é: esse nome continuará forte ou farão de tudo para enfraquecê-lo?


Torci, somente isso eu fiz, muito pela eleição de Paulo Nobre, não por achá-lo o Sassá Mutema Alviverde, mas por compartilhar com muitas de suas ideias. Mas não foi possível e agora não é hora de lamentar o ocorrido. É hora de tirarmos lições e abrirmos os olhos para o que vem adiante.

A lição número um é que, infelizmente, não dá, ainda, para chegar ao poder no Palmeiras somente com boas intenções. É preciso fazer o que o coreógrafo manda e bailar conforme o tango. Paulo Nobre terá que se adaptar a isso, para fazer com que suas boas ideias tenham respaldo convertidos em votos no conselho, enquanto o quadro de conselheiros for este. Não é uma lição inédita, nem autêntica. Li no Verdazzo, no post escrito pelo Conrado e concordo com ele. Porém, já havia pensado nisso e é salutar repetir,

Dito isso passamos para a lição número dois: é preciso ter uma oposição no Palmeiras. Oposição, não traição. Nada de gente jogando contra, fazendo birra e sabotando o clube. É preciso ter uma oposição atuante, saudável e construtiva. Quando poder, o desafio é se manter leal às suas convicções, princípios e valores. Quando oposição, o desafio é dosar o que é crítica e o que é destruição, separar o que é se opor a ideias, do que é se opor ao clube e até mesmo a pessoas. O que vimos nos anos de gestão Belluzzo foi uma oposição cruel e mesquinha, bem da verdade muito alimentada por erros administrativos da situação. Agora, quem já foi situação tem o dever de saber se comportar como gente que quer o bem do Palmeiras. É o mínimo que se espera.

A terceira lição (não que esteja querendo ser professoral, até porque me incluo no aprendizado dessas lições humildemente, como cada um de nós) é a de por em prática aquilo que disse Belluzzo há dois anos quando vitorioso e saindo do Palestra Itália abraçado a um Frizzo derrotado: “acabou a era do ódio no Palmeiras”. A frase é tão impactante que pensei em parafraseá-la no retroativo. Mas só de citá-la já está de bom tamanho. Todos, vejam bem, eu escrevi todos, sem exceção alguma, precisam entender que a filosofia do ódio não levará o Palmeiras a lugar algum, inclusive, este nome forte que Frizzo mencionou corre sérios riscos de virar deboche caso não encaremos isso como um desafio constante: minar o ódio.

É natural, assim como em tudo na vida, que haja discordância entre partes. Só não pode haver é discórdia. A diferença entre um termo e outro é basicamente que da discordância nasce o consenso, a discussão sadia, a troca de ideias. A discórdia, talvez por recordações da infância, sempre me fez lembrar de balbúrdia, briga.

Todos que são oposição hoje, dentro e fora do clube, pois o Palmeiras não se restringe à rua Turiassu, devem ter ciência que odiar quem hoje está no poder não leva a absolutamente nada. É preciso calma, estratégia, perspicácia e sagacidade para agir sem destruir.

E o ódio tem que ser eliminado não só da política alviverde, mas também da sua torcida comum, das organizadas, das listas de e-mail, dos fóruns de discussões, enfim, da vida palestrina. Sei que não é nada fácil, pois se fosse o mundo seria um lugar bem diferente. Mas num lugar onde todos choram e riem pelo mesmo motivo, é possível sim tentar. Basta, de fato, querer.

E além de lições é hora de abrir o olho. Abrir o olho para tudo que há de errado no clube. Abrir o olho e se ligar que não existe tema indiscutível, nem pessoa não autorizada a debater ou a ajudar em tema x ou y. É hora de todos fiscalizarem o Palmeiras e cobrar atitudes para a correção dos rumos. Todos! Do porteiro do prédio que acompanha o Palmeiras no radinho, até àquele sócio mais longevo de associação. É dever, creio que o único, do torcedor querer o bem do seu time do coração e fiscalizando estará atuando neste sentido. Pois é muito fácil enganar sem fiscalização, mas com uma massa em cima, a chance diminui sensivelmente.

E para finalizar, boa sorte a Arnaldo Tirone, Roberto Frizzo e todos os eleitos. Boa sorte se vocês forem contribuir para a nossa história e nome. Caso contrário, é bom se prepararem. Desta vez a torcida estará realmente de olho.

Por Álvaro Costa
alvaro.costa@palmeirasotodia.com

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