"O Valdívia é massa!" (17/03/2011)
 

O dia de uma Paráfrase diferente


Aqui nessa coluna já parafraseamos técnico, jogadores, dirigentes, uma grande quantidade de gente envolvida com o Verdão. Todos com nome, sobrenome... Mas desta vez é diferente.

Fiquei afastado da Paráfrase por um tempo  por conta de casamento, lua de mel, essas coisas que seres humanos mortais também fazem. E foi na lua de mel que ouvi a frase acima.

Em uma tarde de descanso no município de Jequiá da Praia, mais precisamente no complexo de Dunas de Marapé, litoral sul de Alagoas, fui surpreendido por um garoto que aparentava uns seis anos e que vendia um rádio com um adesivo do Flamengo. Brinquei com o menino e disse que se o rádio fosse do Palmeiras, mesmo sem eu precisar do aparelho, ele teria feito uma venda.

Qual não foi minha surpresa quando o garoto disse: "Ei, mas eu sou Palmeiras!"

Devolvi dizendo ser ele já um bom vendedor, pois se eu dissesse ser vascaíno ele provavelmente diria ser também, se dissesse ser santista ele também o faria.

Com expressão séria, quase como de quem se sente ofendido ele colocou o rádio no chão e chamou um amigo que abordava outros turistas na tentativa de vender algumas miudezas: "fala aqui pro moço qual time eu torço!"

O amigo respondeu de primeira: "esse aí é Palmeirense doente."

Depois de perguntar que raios um palmeirense fazia vendendo coisas do Flamengo, comecei a conversar com o menino, que disse ser muito fã do Verdão, ser fã do Cleiton Xavier, pois o mesmo é natural do mesmo estado, enfim, foi uma conversa gostosa, mas notei que ele não tinha tantas informações a respeito do Palmeiras, o que era natural e compreensível, além de ser um prato cheio para atualizá-lo.

Perguntava se ele sabia da volta do Kléber, do Felipão e do Valdívia, quando tomei um susto: ele deu um pulo, fez o famoso gesto do chororô e gritou: "O Valdívia é massa!"

Era a inocência e a pureza em estado bruto. Era amor incondicional, era sentimento genuíno de quem mesmo muito longe sente o amor ao clube como qualquer outro torcedor.

Ao me despedir do garoto fiquei pensando: "Poxa, tão longe do que se ama, mas tão intenso o que se sente..."

Fiquei com a sensação ruim no fim. Além desse que vos escreve não ter gravado o nome do menino, fiquei chateado também com o fato do Palmeiras não explorar a marca como deveria.

Oras, se o amor ao time por si só já consegue recrutar torcedores Brasil afora, imaginem um marketing com um trabalho de desenvolvimento decente?
Imaginem uma massiva exploração que tivesse como objetivo expandir o alcance deste gigante?

Fico triste de saber que hoje não existe gente competente na Sociedade Esportiva Palmeiras para alavancar isso.

Somos mais de 15 milhões somente na base das glórias, da história, dos ídolos, dos jogos e do amor, mas quantos seríamos com um trabalho decente?

Espero estar vivo para presenciar o dia em que este gigante se tornará algo que eu não terei palavras para ilustrar. E para que isso aconteça é preciso renovação política e de mentalidade.

Mas como todo sonhador, acredito que tal dia chegará, pois depende de todos nós, mas é possível.

Por Álvaro Costa
alvaro.costa@palmeirastododia.com

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