"Não tenho um goleiro titular" (23/03/2011)
 

Felipão, com uma frase aparentemente sem importância, abre espaço para uma reflexão sobre a categoria de base. Estranho? Confira o raciocínio lendo a Paráfrase desta semana.


Quando perguntado sobre um possível retorno de Marcos, Felipão rasgou elogios aos goleiros do Palmeiras. Elogiou Deola, Bruno, Marcos e até mesmo Fábio, de 19 anos, a quem ele disse "estar louco para dar uma chance".

E o que isto tem a ver com a categoria de base? Tudo. Vejamos adiante o porquê de hoje o técnico se dar ao luxo de não ter um goleiro titular, fazendo contraponto ao retrocesso a que o Palmeiras se submeteu em termos de categoria de base.

Valdir Joaquim de Moraes, em meados dos anos 60, criava no Palmeiras a função de preparador de goleiros. Nascia ali um trabalho que mudaria a história do futebol brasileiro: Antes inferiores a uruguaios e argentinos, hoje o Brasil é um dos maiores formadores na posição. Por tabela o Palmeiras é, sem sombra de dúvidas, o maior formador de goleiros do país – arrisco dizer do mundo. Tudo graças a um método de trabalho aprimorado ano após ano, desenvolvido com critério, aperfeiçoado, embasado e que, com toda certeza, conta com investimentos de recursos, sejam eles humanos, financeiros, materiais ou científicos. E o resultado para o Verdão é este: hoje o Palmeiras forma goleiros tão bons que tanto um garoto de 19 anos, como um ídolo pentacampeão mundial, contam com a confiança do experiente treinador.

E logo o Palmeiras, sabedor da necessidade de uma estrutura de desenvolvimento adequada para a formação de goleiros, reconhecido internacionalmente pelos seus métodos, é vítima de um duro golpe nas categorias de base.

Quando li no Verdazzo um relatório extremamente bem feito pelo grupo Fanfulla acerca das categorias de base, fiquei estarrecido. Nada é mais contraditório: o mesmo time que é referência em formação de goleiros, que segue sua filosofia metodológica a risca é vítima de si mesmo na formação de jogadores das outras posições.

Gostaria muito de entender o norte das decisões apontadas no relatório. Não se corta investimentos em formação de base. Está muito claro que uma das saídas para os times brasileiros arrecadarem grana é na formação de atletas, seja para aproveitamento próprio, seja para venda.

Não quero pensar em má fé, mas a troco de quê um time corta psicóloga, demite funcionário que apresenta resultados, abandona projeto de CT em São Roque, dentre outras medidas apontadas no relatório?

Os títulos nas categorias inferiores e o aproveitamento de vários meninos da base no profissional – por necessidade ou não – são indicadores cabais da competência de Biazotto; e quem puder passar por Guarulhos e dar uma olhadinha no CT, entenderá rapidamente a necessidade de São Roque.

Estão querendo diminuir a despesa de casa cortando o dinheiro da comida ou estão preparando terreno para ações obscuras, visto que a categoria de base é um terreno fértil para favorecimento político e negociações obscuras?

Quem tiver essa resposta concreta, por favor, me mande por email, coloque nos comentários, porque, definitivamente, não dá pra entender.

O Palmeiras não sabe aproveitar o exemplo nem do que ele mesmo faz de melhor.

Por Álvaro Costa
alvaro.costa@palmeirasotodia.com

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