Arnaldo Tirone vs Arena Palestra Itália (29/04/2011)
 

Pessoal, estou há um bom tempo sem escrever a minha coluna aqui no PTD, a razão disso são os últimos acontecimentos que venho acompanhando no Palmeiras e para não prejudicar o clube preferi ficar calado.

Infelizmente não gostaria de estar escrevendo esse texto, gostaria de estar dando os parabéns para o presidente Arnaldo Tirone e o diretor de futebol Roberto Frizzo pela conquista do Paulistão ou da Copa do Brasil, mas como tudo para nós palmeirenses é complicado, vou ter que comentar essa situação ridícula que estamos atravessando nesse momento tão importante da nossa história.

Como todos sabem eu sou uma das pessoas que mais acompanhou de perto o andamento de todo o processo da Arena; tenho que lembrar que o meu amigo Claudio Baptista Jr. colunista do 3VV também é outra pessoa que sofreu junto comigo todos os dramas durante esses últimos três anos, aliás ele é na minha opinião um dos maiores especialistas quando se fala sobre as exigências do famoso Padrão FIFA. Não se esqueçam de ler o ótimo post que ele fez sobre uma eventual parada da obra no link abaixo:

http://3vv.com.br/index.php?option=com...

Então eu tenho tranquilidade em falar sobre o assunto e vou tentar nesse texto explicar o ponto mais controverso (mais uma vez) a respeito do projeto.

Seguro (Performance Bond) - Esse é o mecanismo que garante a continuidade da obra, se eventualmente a construtora que está realizando o projeto não tiver condições de finalizá-la. Se isso eventualmente acontecer, o seguro é acionado e cobre a parte restante do financiamento até que outro parceiro entre no projeto e conclua a obra.

Agora a pergunta é: o seguro cobre os R$ 330.000.000,00?

Não, mas a prática de mercado é essa (eu me informei com alguns especialistas na área e me confirmaram isso), mas de quanto é a porcentagem do nosso seguro então?

O seguro cobre 42% do valor da obra, como já falei um valor normal em um empreendimento desse porte. Só que estamos esquecendo um detalhe importante, o empréstimo do Banco do Brasil é R$ 150.000.000,00.

Agora reparem em um detalhe interessante que poucas pessoas prestaram atenção...

Se somarmos R$ 150.000.000,00 + 138.600.000,00 = R$ 288.600.000,00

Esse é o valor total que está garantido, mas tem um pequeno detalhe que vai fechar esse quebra-cabeça; já foram gastos nas obras de demolição e de construção + de R$ 40.000.000,00!

Então vamos fazer a conta final para saber se a obra toda está segura:

Financiamento do Banco do Brasil = R$ 150.000.000,00
Seguro de 42% da obra = R$ 138.600.000,00
Gastos até o momento na obra =  R$  40.000.000,00
Soma total = R$ 328.600.000,00

Se o custo total da obra é de R$ 330.000.000,00 e nós temos garantidos para a obra R$ 328.600.000,00!

Qual é o risco que o clube e a WTorre estão correndo????

A obra está coberta em exatos 99,57%

Vocês acham que com esses números que apresentei acima existe o risco da obra não sair???

Existem diversos outros aspectos que já falamos milhares de vezes aqui no PTD e no La Nostra Casa sobre o assunto e não vejo necessidade de falarmos novamente como por exemplo, quanto o Palmeiras vai ganhar em cada propriedade do negócio, de quem é a bilheteria e etc...

Se alguém ainda quiser saber sobre esses assuntos, por favor entrem no link abaixo:

http://www.novaarena.com.br/duvidas.html

Voltando a falar desse imbróglio que está sendo muito desagradável para toda a torcida palmeirense e a Wtorre, a minha opinião é a seguinte:

- Se o presidente Tirone queria rever o contrato que foi assinado na gestão passada e aprovado, no Conselho Deliberativo, COF e principalmente na Assembleia de Sócios, ele deveria ter feito isso de uma forma muito discreta e jamais falado publicamente detalhes que devem ser sempre discutidos apenas entre quatro paredes com nossos parceiros.

- Um detalhe muito importante durante essa eventual renegociação, seria aproveitar fatos novos (isenção fiscal por causa da Copa das Confederações ou da Copa do Mundo)  para que com isso, o nosso Presidente tivesse em mãos alguma coisa REAL para poder  barganhar algum benefício extra para o clube. Não consigo achar um jeito de rediscutir o  contrato sem ter nada em mãos para oferecer!

- Enquanto o Presidente Tirone fica obcecado em renegociar o contrato com a WTorre, SCCP e o SPFC estão pleiteando e conseguindo do governo, milhões e até bilhões de reais de $$$ público para obras no entorno do Morumbi e Itaquerão e o pior é o incentivo fiscal para o futuro estádio do SCCP. Enquanto isso nossa diretoria perde o foco e a oportunidade de ouro de pleitear ISONOMIA para o governo como nossos rivais estão fazendo.

- Outro grave problema dessa confusão pública é que a imagem do clube vai sendo jogada no lixo. Essas atitudes intempestivas apenas afastam os possíveis interessados na compra dos Naming Rights, Camarotes Corporativos e outras propriedades. Quem vai ter segurança em investir em um negócio em que ninguém fala a mesma língua e pessoas ligadas ao presidente tentam sabotar diariamente o projeto da Arena?

Também consultei alguns juristas sobre a atual situação e o parecer de um deles é o seguinte sobre o imbroglio:

“A polêmica sobre a execução do contrato entre Sociedade Esportiva Palmeiras  e a construtora WTorre  nos remete a discussão dos princípios que devem nortear os contratos. Todos os contratos devem ter como um dos seus principais pilares o princípio da boa-fé objetiva. Esse princípio ordena que as partes comportam-se dentro de um padrão de confiança e lealdade, esse comportamento é responsável por deveres secundários mesmo que não previsto em contrato, para que seu fim seja alcançado e realizando as expectativas que foram vislumbradas no momento da sua celebração. De modo claro e objetivo, as partes devem agir com boa-fé antes, durante e após o contrato.

O que vemos no caso em tela é um contrato com validade jurídica, que teve todos os seus requisitos preenchidos (livre manifestação de vontade; - capacidade dos contraentes; - consentimento; -licitude do objeto; -possibilidade jurídica; -economicidade; - objeto determinado) ter sua execução em risco devido a conduta omissiva de uma das partes.

Esse tipo de omissão não encontra respaldo em nosso ordenamento jurídico,  podendo levar os contratantes ao indesejado litígio, no qual a parte que for considerada culpada deverá indenizar à aquela que agiu com boa-fé.

Se a situação entre as entidades for resolvida da pior forma, e as notícias veiculadas forem verídicas,  caberá a Sociedade Esportiva Palmeiras o pagamento de uma indenização de dezenas de milhões de reais a sua parceira, além do prejuízo à imagem e a confiabilidade da instituição.

Entretanto o prejuízo financeiro seria  apenas o início de uma nova desavença, já que o mandatário que causou deliberadamente  a ocorrência do ato ilícito, sem utilizar os instrumentos legais para discutir o equilíbrio socioeconômico do  contrato, poderia ser demandado pela instituição esportiva visando a reparação pelos danos causados por seus atos.

Diante de tal quadro, espera-se que os representantes das entidades ponderem quanto as suas posições, não deixando culminar no cenário acima exposto, nos quais todos perdem.”

Fica claro no texto acima, que eventualmente em caso de quebra contractual por parte do Palmeiras, o nosso presidente poderá ser processado e os seus bens pessoais estarão correndo risco.

Falta ainda colocar alguns pingos nos “is”.

A situação que atravessamos agora também não é culpa única e exclusiva da atual diretoria, mas se algumas ações tivessem sido feitas pela diretoria passada, a situação poderia não ter chegado nesse ponto.

Tivemos a oportunidade de sermos o clube para receber a abertura da Copa de 2014; o Walter Torre Jr. se prontificou a alterar o projeto, mas o então governador de SP José Serra, não quis comprar a briga com o SPFC (na época o estádio indicado para ser a sede em SP era o Morumbi). O problema é que nosso ex-presidente e a diretoria de planejamento deveriam ter batido de frente (isso em 2009) e brigado com unhas e dentes para conseguirmos ter o evento no Palestra Itália e dificultar a vida dos nossos rivais que não receberiam $$$ público e incentivos fiscais do governo.

O problema de comunicação é outro ponto que me tira do sério; eu cansei de pedir para a diretoria de planejamento da gestão passada, que se criasse um hotsite da Arena para a torcida ter um canal de comunicação e também tirar as dúvidas principalmente de sócios/conselheiros, mas mais uma vez a minha sugestão entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Eu entendo que a responsabilidade de comunicar o andamento do projeto é do Palmeiras, pois a WTorre não tem torcida, né?! Portanto isso é responsabilidade do Palmeiras.

Outra gravíssima falha da diretoria de planejamento foi a não contratação de um “Project Manager” que tivesse experiência na construção de uma Arena multi-uso moderna; infelizmente não existe nenhum profissional no mercado brasileiro que acompanhou passo a passo a obra de um complexo desses que é muito diferente de uma construção de um prédio comercial. Hoje, uma pessoa com bom conhecimento técnico poderia estar ajudando nas conversações com a WTorre e tirando as dúvidas de forma bem didática dos nossos conselheiros, sócios, torcedores e imprensa. O Palmeiras gasta tanto dinheiro em áreas do clube que não dão retorno nenhum (só na bocha o clube gasta R$ 400.000,00 por ano), porque não foi gasto 10 ou 15 mil euros para termos esse profissional tão importante para nos auxiliar?

Uma coisa eu tenho que elogiar o Professor Belluzzo, é que se não fosse a sua participação na Arena, o negócio jamais teria saído, pois em uma reunião na WTorre eu escutei do próprio Walter Torre Jr. a frase abaixo:

“Fechei a parceria com o Palmeiras por causa da credibilidade do Belluzzo.”         
Walter Torre Jr.

Para encerrar quero fazer um apelo ao Presidente Arnaldo Tirone; gostaria que o senhor pensasse um pouco mais no que a futura Arena Palestra Itália representa para o Palmeiras e sua torcida. Por favor presidente, não pare a obra e entre para a história do clube como a pessoa que ajudou a modernizar o nosso querido Palestra Itália!

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