"Enquanto não der o último apito..." (14/06/2011)
 

“...não vai ter time que possa respirar”, constatou Felipão, sábio, na coletiva pós-jogo. Internacional 2x2 Palmeiras.


Sábio, não por acaso é mestre. Mestre é quem vivencia para, experiente, ensinar a viver. Palestra Itália, 21 de maio, 1999. Copa do Brasil, quartas de final, jogo de volta. Quando fora, Flamengo 2x1. Voltara em desvantagem, com a obrigação de vencer. Apito inicial, mal passara um, Palmeiras 0x1. Então, vira-se obrigado a vencer por dois. Intervalo. Enquanto não soar o último apito, não pode respirar. Restavam 45’.

Que entre em campo o filho do vento, rápido. Antes dos 15’, Oséas 1x1; 1x2 Rodrigo Mendes. Três em 30’?! Sem respirar, até o apito final, dá. Júnior 2x2. Quatro atacantes, duas na trave, e lá se vão mais dez. Escanteio. Quarenta mais um, Euller 3x2. Tempo regulamentar, dos quatro restantes, por capricho, dispensa um. Escanteio. Duas vezes ele, outro cabeceio, 4x2. Acréscimos. Aos 48’, ecoa inaudível o som derradeiro. 

O grito da Nação que tomou o estádio, hoje toma a memória. Lembranças de uma arquibancada eufórica, caótica, feliz... Hoje, diante do mesmo técnico e distante daquele time, time que não respirava enquanto não ouvia o último apito, o palmeirense é saudade. Mas também é esperança. Esperança de que o mestre ensine outro time a existir, a respirar, a ser... Palmeiras. Do início ao fim, sem respirar, a superar.

Por Flavia Camargo
flavinha@palmeirastododia.com

*Para rever os lances do jogo mais emocionante da História, eleito pela Placar, clique nos links: Parte I; Parte II; Parte III e Parte IV.

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