Empréstimos podem ser a saída para o rebaixamento (20/11/2012)
 
Depois de uma queda, é preciso levantar a cabeça e se reerguer. Esse é um mandamento da vida. Mas, nesse meio tempo entre a queda e o levante, é preciso refletir para entender o que foi feito de errado e o que resultou nessa queda.

E, no Palmeiras, não é diferente. Porém, aqui não teremos muito tempo para reflexão, afinal o ano que vem será um ano que poderá selar o andar da carruagem verde pelos próximos anos.

A Libertadores e, infelizmente, a Série B estão aí. Dois campeonatos infinitamente diferentes -  seja em prestígio ou em qualidade técnica, mas que serão fundamentais para preparar para a Sociedade Esportiva Palmeiras para o seu centenário e que deverão ser encarados com a mesma seriedade e competência.

O atual presidente, Arnaldo Tirone, deixará para próximo presidente um legado podre e uma missão árdua: conciliar esses dois campeonatos, algo jamais encarado por um clube da magnitude do Palmeiras.

Além de conciliar propostas e perspectivas diferentes, o próximo presidente e, mais do que ele, o diretor de futebol, terão de lidar com diferentes pressões, estratégias e, sobretudo, receitas para ambos os campeonatos.

Para nossa alegria, as receitas de televisão – uma das mais importantes para o clube – não serão reduzidas, pois o contrato firmado com a Rede Globo e que rende cerca de R$ 70 milhões aos cofres do clube não sofrerá redução por conta do rebaixamento. Mas, com uma condição: isso só é válido caso o clube retorne à primeira divisão no ano imediatamente seguinte ao rebaixamento.

Ou seja, subir se torna uma obrigação que, além de emocional, é também financeira. Caso contrário, os valores do contrato serão reduzidos em 50%, o que pode desencadear um verdadeiro apequenamento das receitas do clube.

No mesmo sentido, o contrato com a KIA também não sofrerá redução, o que faz muito sentido, pois nessa hora precisamos de verdadeiros parceiros nos apoiando. Os R$ 25 milhões anuais estão mantidos.

Sendo as verbas mantidas, acho que nada mais razoável do que montarmos um time arrebatador para 2013. Para muitos isso vai parecer utópico, mas acredito que a provável eleição de Paulo Nobre e a pressão da WTorre podem mudar bastante o cenário atual do Departamento de Futebol.

Com o que entendo do mercado desportivo, sugiro ao próximo presidente que faça o seguinte: invista o dinheiro em empréstimos de jogadores consagrados.
Não venho aqui sugerir nomes, pois não é o momento. Ao meu ver, antes de contratarmos, as dispensas devem ser definidas, de uma vez por todas. Ou fica, ou sai.

Mas quanto à metodologia a ser seguida, acho é hora de sugerirmos algo diferente para um momento diferente.

Seduzir jogadores, no atual momento, é loucura. O clima no clube é péssimo, a imprensa é ardilosa com o elenco e a torcida está muito nervosa. Isso faz com que outros clubes que irão disputar a Libertadores saiam na frente no quesito contratações, principalmente aquelas realizadas em definitivo.

Os contratos de “vendas” de jogadores hoje são preferívelmente longos, principalmente para atletas com mercado (o que, no futebol, significa liquidez). E para esse tipo de negociação ter segurança para o clube, os contratos possuem multas rescisórias altas e que barram negociações por valores baixos, o que deixa os atletas com receio de entrar em uma furada e perder sua “mobilidade”, para deixarem o clube quando o caldo entorna.

Por isso, acredito que esse é o momento ideal para tentarmos empréstimos de curto prazo, entre seis e oito meses. Esse tipo de negociação envolve, assim como as contratações em definitivo, contrapartidas financeiras ao clube que cede o atleta. No entanto, devido ao retorno do atleta, os valores envolvidos são inferiores e nem sempre luvas são pagas aos atletas, mas somente os salários ou parte deles.

Isso significa que teremos maior poder de negociação, pois podemos oferecer maiores valores como pagamento aos clubes (principalmente europeus) que cederem atletas qualificados. Só para exemplificar em uma conta simples, se um clube tem um jogador que recebe R$ 500 mil mensais, pagamos R$ 2 milhões pelo empréstimo de seis meses e os salários.

Esse clube, em um negócio como esse, terá o salário desse jogador pago por um ano, sendo que ele ficará no Palmeiras por apenas seis meses, podendo voltar valorizado como campeão da Libertadores. O risco é baixo.

Para o jogador também é bom, pois caso ele esteja na reserva de seu time, ele terá a chance de se destacar como titular de um dos maiores times do Brasil, na disputa da Libertadores, voltando valorizado. O pior que pode acontecer é ele voltar ao seu time, assim como saiu, ou ser hostilizado por um breve período.

Na Europa, muitos jogadores de qualidade estão encostados ou na reserva de seus times e, adicionando isso ao fato de que o continente está em crise e os clubes estão precisando de dinheiro, devemos voltar nossos cofres para esse tipo de negócio.

Se tentarmos contratar em definitivo, vão nos cobrar a peso de ouro. Os empréstimos também não sairão baratos, mas é um investimento mais plausível e alinhado ao curto prazo que temos para alcançar nosso objetivo. Quem vier, vai ter que vir para vestir a camisa e jogar para ganhar.
E que venha a Libertadores.

Abraços,

Felipe Barreto Veiga
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