O pirata abandonou o barco (13/02/2013)
 

Tinha acabado de desembarcar em Salvador para o carnaval, quando um amigo me enviou uma mensagem dizendo "fodeu".

Quando perguntei o que havia acontecido, já imaginava que era algo sobre o Palmeiras. Mas, obviamente, não imaginava que ele se referia à saída do Barcos para o Grêmio. Ao saber do que se tratava a preocupação de meu amigo, fiquei atônito, mas achei que poderia ser mais uma notícia plantada para desestabilizar o time, que parecia começar a engrenar no paulistão. Me enganei.

No fim da tarde, já se dava como certa a saída de Barcos e, como contrapartida, viriam alguns jogadores e uma compensação financeira. Então, ponderando a atual situação do elenco, pensei: "Brunoro e Nobre estão cortando na carne, mas a negociação pode ter sido boa para se formar o elenco que não temos."

Essa seria a única justificativa aceitável para nos desfazermos do nosso melhor e mais constante jogador, um quase ídolo da torcida, faltando uma semana para libertadores.

O que parecia ser uma negociação bem feita, que inclusive quitaria nossa dívida com a LDU, mostrou que, na verdade, estamos repetindo os erros do passado. Só que dessa vez é com as pessoas a quem confiamos o poder e de quem fomos quase que "cabos eleitorais".

Barcos já foi apresentado ao Grêmio e ainda não recebemos a confirmação de nenhum dos atletas do Grêmio que seriam envolvidos na troca, além de termos sido inescrupulosamente criticados pelo pai e agente de um deles, o Marcelo Moreno, que já disse que não vem.

Ao mesmo tempo, Brunoro e Nobre sumiram e não esclareceram em que pé está a negociação e ninguém da atual gestão atende aos telefonemas da imprensa e dos torcedores.

Vendo tudo isso acontecer, fui tomado por uma tristeza que não senti nem na recente queda para a série b. Afinal, perder em campo faz parte do futebol.

Mas essa foi uma derrota moral. E perder a moral é algo que a vida não permite. Nós podemos apanhar e cair dia após dia, até conseguirmos bater e levantar. Faz parte da vida. O que não podemos é mostrar nossas fraquezas dessa forma. Isso nos acovarda, nos diminui.

Barcos nunca foi e nunca será ídolo. Bom jogador e profissional, mas fraco no caráter – algo que demonstrou desde antes de sua chegada ao Palmeiras, quando exigiu aumento dos valores de luvas e salários para assinar o contrato com o clube.

Mesmo prestigiado pela torcida, cedeu às pressões do irmão para sair e agora é apenas mais um da lista dos que abandonaram o barco. Que faça bastante dinheiro por lá e que, se voltar para SP a passeio um dia, seja duramente ignorado por nossos torcedores, esses sim verdadeiros ídolos do Palmeiras.

Eu não torço para jogador e nem para diretor. Eu torço pelo PALMEIRAS. E que se foda o Barcos.

Abraços,

Felipe Veiga

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