MINHA PRIMEIRA PIPA (13/10/2014)
 


Criada na longínqua China, as pipas serviam inicialmente como sinalizadores militares.

Tempos depois, tal invento serviu de lazer a este colunista, outrora um menino que contava 8 anos e pouco conhecia da engenharia de voo.

Trocada por uma garrafa de cerveja vazia, minha primeira pipa chegou às minhas mãos munida de rabiola, carretel de linha "10" e lata de óleo vazia, logística mais que suficiente para fazer brilhar os olhos de qualquer criança.

Minha sensibilidade não entendia que o vento era indispensável para o voo. Corria de um lado para o outro e nada acontecia.

Meu pai observava-me atentamente e resolveu intervir. Um pouco de experiência não faria mal a ninguém: "A pipa não sobe porque o vento é fraco. Ao final da tarde a temperatura cairá, a brisa chegará e a hora da festa nos encontrará" - claro que as palavras não foram estas, mas foi assim que aprendi a lembrar delas.

Sendo assim, a temperatura caiu, a brisa chegou e a pipa alçou voo. Lado a lado, atentos ao céu, eu e meu pai desfrutamos de um final de tarde maravilhoso - uma das melhores lembranças de minha infância.

Sábado à noite, no Estádio Municipal do Pacaembu, a temperatura subiu, a brisa inexistiu e a pipa palmeirense insistiu em alçar voo. Somente Valdívia - dentro das quatro linhas - e a "Torcida" - fora dela - foram capazes de mudar a meteorologia do jogo.

A "Sociedade" foi forte e na verdade não se resumiu apenas a Valdívia e "Torcida". Ela foi um time de futebol.

A cada quarto de hora disputado, a "Sociedade" procurou lembrar cada espectador que o jogo teria um vencedor - e ele não seria do sul.

A "Sociedade" vai reencontrando o respeito perdido pelo caminho, mesmo que de forma destemida - e aí cabe encontrar o equilíbrio.

Quem sabe o ano surpreenda ao mais passional dos palmeirenses e não fique apenas na luta contra a parte inferior da tabela. Porém, que este entusiasmo não penetre o vestiário.

O final de semana provou que a "Sociedade" unida dificilmente tomba frente às dificuldades. Nunca nos faltará vento.

Deus te abençoe onde estiver, meu pai.



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Quarta-feira voltaremos (resistindo ao inevitável)!


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O escritor e colunista Catedral de Luz nasceu na turbulenta década de 60 e adquiriu valores entre as décadas de 70 e 80 que muito marcaram sua personalidade, tais como Palmeiras, Beatles, Letras, Espiritismo e História.... Amizades ... Esposa e Filha.

Os anos 90 ensinaram-lhe os atalhos, restando ao novo século a retomada da lira e poesia perdidas.

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