Por Eduardo Luiz, da Redação PTD - 06/12/2012 - 10:46h.
Dossiê - A Farra dos Empresários

CAPÍTULO 4

A FARRA DOS EMPRESÁRIOS

Não é de hoje que se ouve comentários sobre a influência de empresários nas negociações de atletas relacionados às categorias de base do Palmeiras. São denúncias de pagamento de comissões, interferência direta em escalações, pressões de toda sorte. Tratando de forma aberta essa questão, ocorreu a publicação de uma matéria pelo portal TERRA, em 13 de maio de 2003:

EMPRESÁRIOS DOMINAM DIVISÕES DE BASE DO PALMEIRAS

Vagner (ele mesmo, o Vagner Love) é a maior promessa do Palmeiras depois de anos. E já é realidade para Gilmar Rinaldi. O empresário detém 40% do passe do jogador. Edmílson, outra revelação das divisões de base, pertence ao Palmeiras, mas em parceria com outro empresário: Iko Martins, ex-sócio de José Mário Pavan na gestão do União São João.

O presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi, confirmou isso no programa Bate Bola, da ESPN Brasil, na última sexta-feira. Admitiu que boa parte das divisões de base do clube está nas mãos de empresários. E que eles trafegam também pelo Palmeiras B, a sucursal que pretende ser um celeiro de craques para o clube.

"Hoje tenho quatro jogadores em parceria com o Palmeiras", diz o empresário Sérgio Mazza.

Mazza tem, hoje, parcerias com o Palmeiras nos passes do zagueiro Carlos Eduardo e do meia Lozov, ambos do Palmeiras B. Do atacante Ânderson, dos juniores. E do lateral-direito Pedro, que jogou nos profissionais e está no Figueirense.

"Todos os clubes fazem coisas parecidas", diz o presidente Mustafá Contursi sobre essas parcerias.

Anos atrás, Mustafá conversou com a Parmalat sobre a possibilidade de clube e multinacional criarem um largo projeto para as divisões de base. Mustafá diz que a conversa não foi adiante porque jamais houve uma proposta concreta. No que é rebatido por José Carlos Brunoro, ex-diretor de esportes da multinacional.

"Eu conversava por meio do vice-presidente Serafim Del Grande. Ele trazia os recados de que o presidente não queria a parceria".

"Se o Palmeiras tivesse uma estrutura mais competente não dependeria tanto de empresários", afirma Sérgio Mazza.

Entre 1993 e 1996, a Parmalat sonhava ampliar a parceria com o Palmeiras da categoria profissional. Não conseguiu porque Mustafá Contursi não aceitou que a multinacional ficasse com 50% dos valores obtidos em eventuais negociações. Em vez de construir alojamentos, o Palmeiras ergueu um ginásio para as modalidades olímpicas.

Quando a Parmalat deixou o time, em janeiro de 2000, o clube tinha R$ 40 milhões em caixa. Era do que se gabava o presidente Mustafá Contursi. Três anos e 54 contratações depois, o clube tem R$ 8 milhões em caixa, de acordo com a oposição.

Mustafá contesta o valor apontado pela oposição. Ele diz que o clube tem R$ 20 milhões em ativos, mas o problema é que uma parte não está nos cofres.

Por que um clube precisa de um empresário? Quem conta é Sérgio Mazza, sócio do Palmeiras, que trafega com tranqüilidade pelas divisões de base do clube.

Mais ou menos como fazia Wágner Ribeiro, responsável pelas carreiras de Kaká, França e Robinho, enquanto os presidentes Paulo Amaral e José Augusto Bastos Neto mandavam no futebol Tricolor.

"Por que um clube precisa de empresário? Bem, eu trabalho com confecção, onde a crise chegou há cinco anos. No futebol, chegou faz só dois anos. Antes disso, eu podia descobrir um jogador, levá-lo ao clube e, depois da aprovação, reivindicar uma remuneração".

Hoje em dia o clube não paga. Então, o que acontece? Combinamos uma porcentagem dos direitos. Fico com 10%, 20%. O contrato entre o clube e o atleta diz que o empresário ficará com uma porcentagem de uma negociação.

"É assim que funciona. Claro que, quanto melhor a estrutura do clube menor a dependência do empresário", explica.

NOSSO COMENTÁRIO

Entende-se que as partes do texto que se encontram em destaque demonstram claramente como as coisas aconteciam (e, provavelmente, continuam acontecendo)  nos “bastidores” das categorias de base. O que causa estranheza, para não dizer indignação, é o entendimento de que a base poderia ter sido profissionalizada da mesma forma que o futebol profissional, na época da Parmalat, já que essa era a intenção da empresa parceira da Sociedade Esportiva Palmeiras. Todavia, a princípio, por afirmar que a empresa Parmalat jamais havia feito uma proposta oficial para que a parceria inicial fosse estendida às categorias de base (argumento prontamente rebatido pelo Sr. José Carlos Brunoro, representante direto da Parmalat no Palmeiras) e depois, pelo fato de que o Sr. Mustafá não teria concordado com a divisão dos lucros dessa nova parceria, o processo de profissionalização das categorias de base do futebol palmeirense acabou por não ocorrer. Daí, perguntamos, entre Brunoro, um homem experiente na gestão esportiva e o Sr. Mustafá, um “obscuro” personagem da política palmeirense, em qual palavra dever-se-ia dar créditos?

Ocorrendo no texto a menção da herança de R$ 40 milhões que a Parmalat disponibilizou para a Sociedade Esportiva Palmeiras, quando do encerramento da parceria, entende-se oportuno aproveitar a oportunidade para mais uma vez, assim como ocorreu no CAPIÍTULO 1 desse “documento”, solicitar ao Sr. Mustafá Contursi esclarecimentos sobre o paradeiro desse dinheiro.

Ainda abrangendo a questão sobre as “ingerências” ocorridas no futebol da Sociedade Esportiva Palmeiras, entende-se importante observar a reportagem assinada por Danilo Lavieri que foi publicada no dia 31 de maio de 2012 no site UOL, onde o autor denuncia a existência de um ”ESQUEMA SÃO CAETANO”. Sugere-se, nesse caso, aos leitores que têm estômago fraco que leiam com cautela:

OPOSIÇÃO DO PALMEIRAS APURA ATUAÇÃO DE EMPRESÃRIO E SUPOSTO “ESQUEMA SÃO CAETANO”

Conselheiros ligados à oposição do Palmeiras levantaram suspeitas em torno da atuação do empresário e ex-jogador Giuliano Aranda. As suspeitas são de que Magrão, como é conhecido o agente, estaria aproveitando o fato de ser genro de Nairo Ferreira, presidente do São Caetano, para conduzir negociações entre os dois clubes, beneficiar a equipe do ABC e ganhar porcentagens em cima dos negócios.

Betinho veio do São Caetano após o fim de seu contrato no Azulão. Mazinho e Fernandinho vieram do Oeste, mas têm direitos econômicos no São Caetano. Depois de sair do Palmeiras, Carmona foi para o S. Caetano e já tem proposta. Lateral direito Artur é do S. Caetano e chegou ao Palestra por empréstimo. Luan é de Magrão e custou R$ 500 mil de comissão. Patrik é outro jogador de Magrão que, segundo conselheiro, é favorecido.

Nos últimos cinco meses, quatro jogadores que chegaram ao Palmeiras têm algum tipo de ligação com o São Caetano: Artur, Betinho, Fernandinho e Mazinho. O primeiro tem os direitos econômicos presos ao time do ABC e está no Palestra Itália por empréstimo. O segundo, por sua vez, chegou ao time de Felipão após ter seu vínculo encerrado com a equipe do Anacleto Campanella.

Já Mazinho e Fernandinho, que chegaram no início de maio vindos do Oeste, têm parte de seus direitos econômicos no Azulão. A divisão com o São Caetano foi confirmada pelo diretor de futebol da equipe do interior paulista, Cidão de Freitas.

Há ainda o caso de Pedro Carmona. O jogador foi dispensado do Palmeiras no mês passado e acertou com o São Caetano. A oposição palmeirense, no entanto, lamenta que o clube alviverde não tenha negociado o meia em janeiro, quando recebeu uma proposta do futebol japonês.

Coincidentemente, o presidente do time do ABC confirmou também ter recebido uma proposta por Pedro Carmona e estuda negociá-lo. O meia disputou apenas um jogo pelo São Caetano.

“O Carmona vai para o São Caetano e vai ser vendido por lá, tem outros vários jogadores do São Caetano caindo de paraquedas aqui. Eu não posso afirmar nada, mas tudo isso é estranho”, reclamou o oposicionista Seraphim Del Grande, ex-diretor de futebol do Palmeiras.

Além dessa proximidade com o São Caetano, os oposicionistas também lançam dúvidas por conta da proximidade de Magrão com Galeano, já que o empresário era justamente quem cuidava, mesmo que de modo informal, da carreira do agora gerente de futebol palmeirense.

No ano passado, Magrão já havia sido alvo de polêmica no Palmeiras. Empresário de Luan, ele foi decisivo para a transferência do atacante, no ano passado. Os oposicionistas, no entanto, reclamaram do fato de o agente ter recebido duas comissões (uma pelo empréstimo e, posteriormente, uma de R$ 500 mil, pela negociação definitiva), já que a prática não é comum no futebol.

Magrão, ex-atacante do Palmeiras e de outros times, hoje é empresário de futebol. Além de Luan, Magrão também é empresário de Patrik. O jogador foi contratado pelo Palmeiras quando estava no São Caetano. Apesar de, inicialmente, ficar na equipe B alviverde, foi alçado ao elenco principal assim que Galeano foi contratado como gerente de futebol.

O UOL Esporte conversou com Nairo Ferreira, Magrão e Galeano. O presidente do São Caetano confirmou que o empresário é casado com sua filha, mas negou que este fato esteja favorecendo o clube que preside em negociações com o Palmeiras.

O empresário justificou a investigação envolvendo a sua atuação no clube alviverde como parte de um jogo político. “Eu fui jogador na época do Seraphim, por exemplo, e ele é um dos que está reclamando. Entendo que ele faça isso por estar na oposição e queira atacar a situação. Mas não tem nada disso”, disse Magrão.

Já Galeano, por sua vez, não nega nenhuma informação e, assim como Magrão, também credita a investigação aos problemas políticos internos do clube. “Aqui no Palmeiras tudo tem um fundo político. Mas vale ressaltar que o Patrik, por exemplo, foi contratado justamente pelo Seraphim”, completou.

O empresário, por meio da sua assessoria de imprensa, negou qualquer ligação com Galeano e ter se beneficiado com as negociações entre São Caetano e Palmeiras.

Confira a nota:

"A respeito das últimas informações divulgadas pela imprensa, o empresário Giuliano Aranda vem por meio de sua assessoria esclarecer que:

Inicialmente lamenta a falta de responsabilidade de alguns dirigentes ao levantarem acusações sem nenhum tipo de prova e, principalmente, usar a imprensa como plataforma política, já que se aproximam as eleições na Sociedade Esportiva Palmeiras.

Giuliano Aranda trabalha diretamente apenas com o atacante Luan Michel de Louzã e com o meia Patrick Camilo, atualmente no Palmeiras. O empresário afirma que não tem nenhum tipo de ligação com os outros atletas citados na matéria do Portal UOL vinculando seu nome.

Giuliano Aranda também ressalta que além do Palmeiras, agencia jogadores em diversas outras equipes tanto no Brasil quanto fora do país e lamenta ser alvo de acusações “vazias” e oportunistas.

O agente rechaça qualquer tipo de ligação direta com o ex-jogador Galeano, atualmente coordenador técnico do Palmeiras. Ambos apenas jogaram juntos.

O empresário faz questão de ressaltar que seu vinculo familiar com o presidente do A.D. São Caetano, Nairo Ferreira de Souza não interfere em sua atuação profissional, que é independente e dentro da ética.

Giuliano Aranda já comunicou seus advogados, que vão tomar as medidas cabíveis na justiça contra as falsas informações.”

NOSSO COMENTÁRIO

No dia seguinte à essa reportagem o site TERCEIRO TEMPO, do jornalista Milton Neves, em matéria assinada por Vitor Pajaro, divulgou a seguinte notícia:

TIRONE É ACUSADO DE ESCONDER COMISSÃO PAGA A EMPRESÁRIO E COF PROMETE REUNIÃO TENSA

A ligação do empresário Giuliano Aranda, o Magrão, com o Palmeiras continua dando dor de cabeça para a diretoria. Depois do UOL Esporte noticiar que os opositores da atual gestão levantaram suspeitas em torno da atuação do ex-jogador no clube, foi a vez de um dos membros efetivos do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) revelar que o presidente Arnaldo Tirone escondeu o real valor da comissão paga ao empresário na contratação do atacante Luan.

Segundo Gilto Avallone, o documento que ilustra a reportagem comprova que Magrão recebeu R$ 500 mil de comissão por ter agenciado a chegada do atacante. "Mentiram para mim, eles mandaram uma relação que mostra que o valor seria de R$ 400 mil e que só duas parcelas de R$ 100 mil haviam sido pagas", disse, revoltado.

O integrante do conselho afirmou ainda que irá cobrar uma justificativa da atual diretoria na noite desta quinta-feira, quando será realizada uma reunião do COF.

"A reunião hoje vai ser um pouco mais tensa. Não vou falar nada ainda para não precipitar as coisas. Eu tenho uma desconfiança e se for isso mesmo, terei certeza".

Na época, os oposicionistas já tinham sido contra a comissão para o empresário. Eles alegavam que seria um absurdo o agente ter recebido duas comissões (uma pelo empréstimo e outra pela negociação definitiva), já que a prática não é comum no futebol.

O pedido de Felipão, que gosta muito do futebol de Luan, teria feito a atual diretoria aceitar o que foi imposto pelo agente, mesmo contra alguns integrantes da cúpula atual. A reportagem tentou falar com o presidente do Palmeiras e não obteve sucesso.

NOSSO COMENTÁRIO

Entende-se que seria no mínimo ingenuidade considerar que as ingerências então cometidas durante a gestão Sr. Mustafá Contursi enquanto estava diretamente à frente do comando da Sociedade Esportiva Palmeiras pudessem não estar sendo cometidas na gestão dos anos de 2011 e 2012, dessa feita sob o comando do Sr. Arnaldo Tirone. Por quê? Poderia questionar o leitor... Vale recordar que durante a campanha para a presidência da Sociedade Esportiva Palmeiras, ocorrida no final do ano de 2010 e início de 2011, já que as eleições para presidente nesse clube regularmente ocorrem no final de janeiro, um dos “cabos eleitorais” do então candidato Arnaldo Tirone foi justamente o Sr. Mustafá Contursi. Confirmando essa ligação e ratificando a influência do Sr. Mustafá sobre a gestão do Sr. Tirone, devemos ler a matéria publicada no jornal esportivo LANCENET, publicada no dia seguinte ao veredicto que conclamou Arnaldo Tirone como presidente da Sociedade Esportiva Palmeias::

Paulo Nobre e Salvador Hugo Palaia, derrotados, somaram 117 votos, nem perto dos 158 de Tirone. Desde a eleição de Affonso Della Monica (201 votos contra 40 de Seraphim Del Grande), em 2005, não havia uma goleada nas urnas.

– Esses votos mostram que o Conselho não está contente. O Palmeiras está precisando de uma virada. Mas eu não posso prometer isso no primeiro momento. Eu prometo transparência e dignidade com o dinheiro do clube – afirmou o novo presidente do Palmeiras.

– Essa votação me incentiva e me credencia a ter uma tranquilidade maior para tocar o Palmeiras – completou Arnaldo Tirone.

Opositor ferrenho às últimas duas gestões, Mustafá Contursi agora é situação. Membro do COF, o ex-presidente será uma espécie de conselheiro especial de Tirone.

– Se ele precisar, é minha obrigação ajudar. Não só estar por trás, mas também pela frente – afirmou o ex-presidente palmeirense.

Contursi ficou 12 anos no poder (década de 90 e início dos anos 2000), marcado por glórias na era Parmalat e pela queda para Série B, em 2002. Mustafá deixou o comando no início de 2005, após volta à Série A e, em seguida, rachou com o sucessor Affonso Della Monica.

– É preciso dar uma enxugada. O maior problema não está no futebol, mas nas despesas indiretas: contratos, assessorias, consultorias, contratação de funcionários por tempo indeterminado, salários elevados, quadro funcional que hoje é mais de 700 – disse Mustafá.

NOSSO COMENTÁRIO

Qualquer semelhança no jeito tironiano de ser em comparação ao jeito contursiano não se trata de mera coincidência. São fragmentos em forma de pó originários do mesmo recipiente flácido e resistente, ou seja... FARINHA DO MESMO SACO!!!

EM TEMPO!!!

Além de José Merici Neto e Valmir Borine, ressaltamos e agradecemos a direta colaboração de VINÍCIUS MACHADO, também colaborador do PALMEIRAS TODO DIA. Todos os créditos reservados a esse grande palmeirense também.

Amanhã, Capítulo 5: "A Censura" e Capítulo 6: "As Denúncias de Fraudes"

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