Por Eduardo Luiz, da Redação PTD - 07/12/2012 - 10:24h.
Dossiê - Capítulos 5 e 6 no ar

CAPÍTULO 5

A CENSURA

Tempos atrás abriu-se um debate no fórum PTD (Palmeiras Todo Dia)  sobre a existência de um possível movimento de censura dentro do clube buscando coibir a manifestação de associados contra os desmandos e ingerências realizados por parte da diretoria da Sociedade Esportiva Palmeiras. A princípio, da forma como as discussões e informações surgiram no fórum, a existência desse movimento de censura acabou sendo tomada como uma especulação. Todavia, após observar a matéria publicada em 15 de janeiro do ano de 2004, na FOLHA DE SÃO PAULO, assinada por Fernando Mello, a existência do referido movimento foi confirmado:

NOVO ESTATUTO TORNA OFICIAL A CENSURA NO PALMEIRAS

O novo estatuto do Palmeiras, bloqueado pela Justiça comum na semana passada, oficializa a censura no Parque Antarctica e dá à diretoria poderes para expulsar do clube os sócios que fizerem críticas à administração.

Com maioria folgada no Conselho Deliberativo, os advogados da situação esperam derrubar no Tribunal de Justiça a liminar obtida pela oposição para implantar a “Constituição palmeirense”, que coloca o clube de acordo com a Lei Pelé e com o Código Civil.

A Folha teve acesso ao documento, que permite ainda a inclusão da Sociedade Esportiva Palmeiras como única sócia da Palmeiras S.A., empresa criada por Mustafá Contursi sem aval preliminar do Conselho Deliberativo.

Os trechos mais polêmicos do novo estatuto dizem respeito à possibilidade de a Diretoria Executiva (presidente e os quatro vices) eliminar, “por justa causa”, sócios que cometerem falta grave.

Segundo o artigo 33, é classificado como grave as seguintes infrações: “acusar, publicamente, qualquer autoridade da SEP ou criticar ato da administração”, “apresentar-se dentro da SEP, para prática desportiva, com uniformes ou trajes diversos daqueles determinados pela Diretoria Executiva” e “manifestar-se contra a SEP nas competições desportivas”, entre outras.

No estatuto anterior, aprovado em 16 de dezembro de 1996, essas práticas já estavam vedadas aos sócios. A diferença é a inclusão, no novo código, do seguinte parágrafo: “A infração a qualquer dispositivo contido neste artigo por qualquer associado constitui justa causa para a exclusão do infrator do quadro associativo”.

Na campanha que antecedeu a última eleição do clube, no início de 2003, Contursi suspendeu dois sócios ligados à facção Muda Palmeiras, que trajavam camisa da oposição. Os dois foram à Justiça e anularam a punição.

Questionado pela Folha se a nova redação não oficializava a censura no Parque Antarctica, Antônio Carlos Corcione, diretor jurídico palmeirense, concordou. “Em nove meses de trabalho, ninguém tinha falado disso. Tendo a concordar com você, é esquisito mesmo. Me comprometo a levar aos conselheiros sua visão e, se eles concordarem, retiraremos o parágrafo único”, afirmou.

O advogado, no entanto, disse que o estatuto não aumenta o poder do presidente. “Ao contrário. Antes, ele poderia suspender um sócio por até um ano. Era uma coisa abusiva. O máximo, agora, são apenas 60 dias.”

Outro ponto da “Constituição palmeirense” que irritou a oposição foi o aumento da carência para que o sócio tenha direito a voto - passou de um para três anos.

Na prática, isso significa que o grupo de Mustafá Contursi tem tudo para seguir no poder, mesmo se o presidente se afastar, como prometeu. “O colégio eleitoral será o mesmo de 2003. E é justo que seja, até para evitarmos a adesão de sócios que nunca pisaram no clube e que só vêm aqui para votar”, diz Corcione.

NOSSO COMENTÁRIO

Entende-se como no mínimo questionável o fato da diretoria comandada pelo Sr. Mustafá Contursi promover mudanças no estatuto que possibilitassem, entre outras coisas, criar condições de suspender ou até mesmo expulsar sócios que fizessem críticas diretas à administração, ou seja, à própria diretoria. Contudo, mais do que coibir manifestações críticas à gestão administrativa, o novo estatuto ainda proibia manifestações de apoio às chapas contrárias à chapa apoiada pela direção em períodos de eleição. Que objetivos teria a diretoria da época a tomar tais atitudes? Causar-lhe-ia estranheza, caro leitor, se o fato da implantação da censura no Palmeiras fosse uma tentativa de calar as críticas dos conselheiros da oposição à falta de transparência no processo da “parceria” firmada pela diretoria entre a Sociedade Esportiva Palmeiras” e a empresa PALMEIRAS S/A? Não seria no mínimo suspeito uma diretoria, no seu último ano de gestão (2004), criar “novas” regras impedindo que sócios até então eleitores tivessem que esperar mais dois anos para voltar a adquirir o direito do voto? Utilizar-se do seu poder à frente de uma instituição criando formas de impedir críticas ao seu próprio trabalho e impedir manifestações abertas de sócios a grupos de oposição?  Você, caro leitor, não gostaria de obter respostas por parte do Sr. Mustafá Contursi e membros da sua diretoria à época sobre as indagações aqui colocadas?


CAPÍTULO 6

AS DENÚNCIAS DE FRAUDES

Entre tantas denúncias de fraudes, desmandos, ingerências e prejuízos aos cofres da Sociedade Esportiva Palmeiras, diante de tantas evidências de incursões por parte da diretoria comandada pelo Sr. Mustafá Contursi com o objetivo de deixar as contas e os negócios envolvendo o Palmeiras fora do foco da imprensa e da torcida, alguns jornalistas se interessaram em investigar alguns fatos que estavam sendo levantados pelo Ministério Público, orientado pela CPI do futebol. Como resultado dessas investigações, a FOLHA DE SÃO PAULO publicou notícia veiculada em 18 de Outubro de 2008, assinada por Eduardo Arruda, Lilian Christofoletti e Ricardo Perrone:

MINISTÉRIO PÚBLICO INVESTIGA SUSPEITA DE ESQUEMA DE NOTAS FRIAS: TESTEMUNHAS FALAM EM COMPRA DE DÓLARES E ÁRBITROS

O Ministério Público paulista investiga suposto esquema de emissão de notas frias no Palmeiras. De acordo com o órgão, o clube teria sido lesado ao menos entre 2001 e 2004.

Três dos depoentes afirmam que a operação envolveria compra de dólares e de juízes.

Foi aberto um procedimento criminal e outro cível para apurar, respectivamente, suposta prática de enriquecimento ilícito e superfaturamento por parte de dirigentes. Todos os citados negam as acusações.

São 16 os suspeitos de enriquecer ilegalmente. Esse é o segundo caso envolvendo notas fiscais num clube paulistano. O primeiro foi no Corinthians, arqui-rival palmeirense.

Nos dois casos, a suspeita principal é a de que o esquema serviria para remunerar dirigentes que, em tese, se dedicam aos clubes voluntariamente.

Por meio de depoimentos de ex-funcionários e de documentos, a Promotoria entende que a emissão de notas frias era prática comum e que há indícios de uso de empresas fantasmas. Agora o órgão quer saber o tamanho do rombo no caixa.

A primeira acusação foi feita por Carlos Kamal, ex-supervisor do vôlei do Palmeiras, que trabalhou no clube entre 1988 e 2004. Outros dois ex-funcionários da agremiação confirmaram o que foi dito por Kamal.

Em depoimento à Promotoria, Kamal afirmou que, entre 2001 e 2004, “foram praticados crimes de estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, entre outros”.

De acordo com a versão dele, o esquema começou em 2001, quando o então jogador de vôlei do Palmeiras Talmo de Oliveira “pediu a emissão de nota fiscal para a empresa FT Esportes Ltda. para acerto de Imposto de Renda de R$ 5.000, sem que existisse contrapartida em serviços prestados ao clube”.

O ex-funcionário afirmou ter recorrido a Durval Colossi, tesoureiro do Palmeiras na época], que teria dito que tal operação só poderia ser autorizada pelo então presidente do clube, Mustafá Contursi. Segundo ele, dois ou três dias depois, Colossi autorizou a emissão da nota para a FT Esportes. Cópia da nota, de 6 de junho de 2001, foi entregue à Promotoria.

Dias depois, ainda segundo Kamal, a então diretora do Palmeiras Dirce Pagnotta e Colossi voltaram a procurá-lo pedindo a emissão de outras notas frias por ordem de Mustafá “para a compra de dólares americanos para pagamento a árbitros de futebol profissional”.

O Ministério Público também ouviu Luiz Simões de Oliveira, assistente técnico do vôlei entre 1990 e 2001, que afirmou ter visto “três ou quatro vezes o Talmo na sala do Kamal preenchendo notas frias”. “A informação que tenho é que era para a compra de árbitros a pedido da diretoria, da Dirce [Pagnotta], do Luiz Carlos [Pagnotta] e do Mustafá”, contou em seu depoimento.

Em março deste ano, foi ouvido Paulo César de Aguiar, preparador físico do time de vôlei entre 1995 e 2002.

Em depoimento, Aguiar disse que as declarações de Kamal são verdadeiras e que, por ter dividido a mesma sala de trabalho com o ex-supervisor, presenciou o preenchimento das notas e ouviu que o objetivo era comprar dólares e árbitros.

O ex-supervisor entregou ainda 21 notas à Promotoria, que totalizam R$ 94,78 mil. A suspeita da Promotoria, no entanto, é que o esquema tenha desviado quantia bem maior.

O Ministério Público analisa a situação patrimonial dos 16 membros da diretoria citados e de dez empresas ligadas a cartolas de Mustafá. Na esfera criminal, apura-se se as notas vieram de empresas fantasmas.

NOSSO COMENTÁRIO

Emissão de notas frias. Como justificar legalmente tal ato? Impossível. Como entender a função da emissão de notas frias? Entende-se que tal ato só pode ocorrer com o intuito de utilizar essas notas a fim de buscar justificar gastos irregulares quando da prestação de contas. Mas, gastos irregulares com o quê, ou com quem? A princípio os investigadores citaram a possibilidade de ter ocorrido a compra de dólares e de árbitros. Dólares até compreende-se ser possível, só restaria saber em que ou para quem esse dinheiro foi aplicado ou entregue. Agora, utilizado para a compra de árbitros? Entende-se que, sinceramente, nesse caso, a suspeita não deveria cair sobre o time do Parque Antárctica, já que nos campos de futebol o histórico que se mostra sobre a Sociedade esportiva Palmeiras SEMPRE foi de ser prejudicada por erros de arbitragem. Todavia, se essa compra de árbitros viesse a ser comprovada, saindo por parte “daquela” gestão, certamente se ocorresse a comprovação não haveria espanto. Quem sabe, se esses jornalistas investigassem outro parque... Contudo, quando os jornalistas citam nomes de pessoas que teriam testemunhado a emissão de notas frias, inclusive com supostas justificativas de onde o valor descriminado nessas notas seria aplicado, ou melhor, desviado, questiona-se, quais os resultados dessas denúncias? Três dias depois, a mesma FOLHA DE SÃO PAULO, através dos jornalistas Eduardo Arruda e Ricardo Perrone, publicou uma nova matéria sobre o assunto:

PROMOTORIA APURA OUTRA FRAUDE NO PALMEIRAS

O suposto esquema de emissão de notas frias que teria lesado o Palmeiras entre 2001 e 2004, como revelou a Folha no sábado, não é o único apurado pelo Ministério Público paulista no Parque Antarctica.

Uma nota no valor de R$ 76.487,75, emitida em nome do clube pela Valtec Wicom Comércio e Serviços Ltda, no dia 1º de novembro de 2006, também gerou a suspeita de fraude. Este novo caso ocorre já na atual administração, de Affonso Della Monica, presidente do clube desde janeiro de 2005.

E, mais recente, aparentemente não tem ligação com o anterior, da época em que Mustafá Contursi era o mandatário. O mecanismo, porém, seria o mesmo: manutenção de caixa dois para o pagamento de conselheiros, oficialmente não remunerados.

Os promotores ficaram intrigados porque a Valtec firmou com o clube, em setembro de 2006, contrato de prestação de serviços de consultoria de seguros. Mas, pelo cadastro nacional de pessoa jurídica, sua atividade é “comércio varejista especializado em equipamentos de telefonia e comunicação”. O clube ficou de pagar R$ 326 mil em quatro parcelas. O representante do Palmeiras no contrato é José Cyrillo Jr., então vice do clube. Hoje, ele é diretor administrativo.

Pela investigação preliminar do órgão, o endereço da empresa, na zona norte de São Paulo, não bate. A Folha foi ao local e não encontrou sinal da Valtec. Ninguém estava na casa.
Uma vizinha, que não quis se identificar, afirmou que lá vive uma família e que, em 2004, o imóvel era ocupado por uma empresa de contabilidade.

O Ministério Público não localizou Roberto Carlos D” Almeida, que no contrato é procurador da Valtec. A combinação desse fato com o endereço incorreto e a prestação de um serviço que não é o do ramo de atividade da empresa geraram a suspeita de nota fria.

“O Ministério Público faz mais diligências para tentar localizar a empresa e o dono. Queremos saber se ela prestou o serviço, se ela pode trabalhar com seguros, de onde veio o dinheiro e para onde foi”, disse o promotor José Carlos Blat.

NOSSO COMENTÁRIO

Dessa feita, as denúncias recaíram sob a gestão do Sr. Affonso Della Monica, com supostos desvios de dinheiro dos cofres com o objetivo específico de remunerar conselheiros. Mais do que o desvio de dinheiro, não teria o leitor curiosidade em saber qual seria o interesse por parte daquela diretoria em, utilizando uma expressão popular, “manter os conselheiros no cabresto”? No mesmo dia em que a Folha de São Paulo publicou essa matéria, o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, em matéria assinada por Juliano Costa, publicou o direito de resposta do Sr. Mustafá Contursi sobre as acusações que estavam sendo imputadas à sua gestão:

MUSTAFÁ CONTURSI NEGA DESVIO DE DINHEIRO NO PALMEIRAS

O ex-presidente Mustafá Contursi classifica como "caluniosas" as acusações de que tenha existido um esquema de notas frias no Palmeiras entre 2001 e 2004, fim de sua gestão. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público.

Mustafá diz que já prestou depoimento e que está à disposição das autoridades para prestar novos esclarecimentos. "Já dissecaram minha vida uma vez. Pegaram a declaração de Imposto de Renda e questionaram até gastos de R$ 400. Não encontraram nenhuma irregularidade e, no final, me deram um atestado de idoneidade."

Nas investigações, até a filha de Mustafá, Milene, apareceria como suspeita de enriquecimento ilícito. "Ela vive na Alemanha e já avisei que, pelo crime de enriquecimento de cultura, vai pegar prisão perpétua", ironizou Mustafá.

As denúncias foram feitas por Carlos Kamal, ex-supervisor do departamento de vôlei do clube. Outros dois ex-funcionários, mantidos em anonimato, teriam confirmado as acusações. "Este cidadão [Kamal] moveu ação trabalhista contra o clube. Pediu R$ 4,5 milhões e ganhou R$ 380 mil, por determinação da Justiça. Não duvido que os outros dois também não tenham ações trabalhistas contra o clube."

Mustafá diz não ter dúvidas de que a exposição desse inquérito, que existe desde 2004, veio à tona por motivos políticos. "É muito estranho que um assunto como esse, já batido, volte com tudo justamente numa semana de muita agitação política no clube."

Segunda-feira será votada pelo Conselho Deliberativo a proposta de Affonso Della Monica de reforma do estatuto do clube, com pretexto de "adequação de calendário". O projeto precisará ser aprovado também numa Assembléia de Sócios. Se passar, Della Monica fica no cargo até dezembro de 2009, e não até o próximo mês de janeiro, como está programado.

Mustafá é contra e tem um grupo de seguidores que também votará contra. Na visão do ex-presidente, as denúncias contra ele visam a minar sua força política e garantir a aprovação do projeto de Della Monica - que, ironicamente, era vice de Mustafá entre 2001 e 2004.

NOSSO COMENTÁRIO

E então, caro leitor? As respostas foram esclarecedoras? Seria, utilizando-se do velho jargão político, tudo manobra ou “intriga da oposição”? O Sr, Mustafá tentou justificar as denúncias do Sr. Carlos kamal, conforme mostra a matéria. Mas, mesmo nessa tentativa de justificar as acusações o Sr, Mustafá não estaria o mesmo dando um exemplo de quão nociva à Sociedade Esportiva Palmeiras a sua gestão foi? Observem, caríssimos amigos leitores, a incapacidade de administrar o Palmeiras acabou desfalcando o cofre da instituição em, segundo o próprio ex-presidente, cerca de R$ 380.000,00 devido a ações trabalhistas. Trezentos e oitenta milhões no mínimo. E quanto às outras acusações? E quanto aos outros acusadores? Quais motivos teriam os acusadores?

 No dia 02 de Junho de 2012, no site LAMCENET, na coluna DE PRIMA foi publicada uma matéria da qual, destacam-se as seguintes palavras:

Dois ex-diretores da gestão de Mustafá Contursi prestaram depoimentos nos últimos dias, após a 23ª Delegacia de Polícia de São Paulo reabrir o inquérito que apurava a existência de notas frias no Palmeiras, entre 2000 e 2005.

Conselheiros do Palmeiras afirmam que membros da atual diretoria incentivaram o recomeço das investigações, cujo maior alvo é o ex-presidente Mustafá Contursi, que comandou o clube entre 1993 e 2004.

NOSSO COMENTÁRIO

Quais conselheiros teriam incentivado novas investigações? Certamente esses não estão entre aqueles supostamente agraciados com os benefícios irregulares. Entende-se, nesse caso, a necessidade de acreditar que há motivos nobres em ações desenvolvidas pelos conselheiros, afinal, apesar das acusações de supostas irregularidades, não se pode jogar todos numa mesma vala. Até por questão de esperança, entende-se a necessidade de acreditar na existência de trigo no meio do joio.  Ainda sobre investigações de fraudes, em período mais recente, em 26 de Janeiro de 2012, Danilo Lavieri publicou no site UOL um texto em que denunciou três ex-dirigentes da “gestão” Luiz Gonzaga Belluzzo (2009-2010) de terem desviado recursos do clube:

RELATÓRIO DO PALMEIRAS APONTA QUE VERBA DESVIADA PODE TER VIRADO SUBORNO A FISCAIS

O relatório final do Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) do Palmeiras sobre os quase R$ 300 mil que sumiram das contas do clube indica que a verba pode ter sido usada para subornar fiscais da Receita Federal. Segundo o documento que o UOL Esporte teve acesso, diz que fiscais foram cobrar impostos atrasados pessoalmente no clube, quando o então presidente, Luiz Gonzaga Belluzzo, estava internado no hospital, e Salvador Hugo Palaia era o presidente interino. No dia seguinte a visita, cinco comprovantes de recebimento adiantados (tratados como "vales no relatório) de R$ 50 mil apareceram no caixa, levantando a suspeita por parte do órgão que orienta e fiscaliza o presidente, Arnaldo Tirone.
A análise foi conduzida e assinada por Alberto Strufaldi, Emílio Acocella, Francisco Gervásio Primo e Gilto Antônio Avallone, todos membros do COF, que ouviram os envolvidos no caso. A conclusão foi de que a verba não entrou no caixa do Palmeiras, mas também não entrou na conta dos três ex-diretores que estão sendo investigados pelo sumiço: Francisco Busico, Antônio Carlos Corcione e Pedro Jorge Renzo de Carvalho. Como o destino do dinheiro ainda é desconhecido, o relatório pede a expulsão dos três do quadro de associados e considera o trio culpado.

No relatório, há documentos assinados por Pedro Jorge Renzo de Carvalho e por Antônio Carlos Corcione de dois depósitos na conta do clube de R$ 888.104,22 e R$ 260 mil, datados do dia 6 e 7 de outubro de 2010, respectivamente. A verba inicialmente foi depositada na conta de Renzo pela exigência da Justiça Federal de que tudo fosse repassado a uma agência da Caixa Econômica Federal.

Na época, o banco estava em greve, e o clube não poderia abrir nenhuma conta. Com medo de que a decisão fosse cancelada mediante uma nova ação judicial, Renzo repassou a verba para seu domínio e, em seguida, com o fim da paralisação da instituição financeira, enviou ao clube, segundo documento obtido pelo UOL Esporte.

O fato é que só aproximadamente R$ 1,1 milhão dos R$ 1,4 milhão que a agremiação ganhou na 5ª Vara Cível da Justiça Federal entraram no balanço do clube, também de acordo com o relatório. Segundo explicação de Corcione e de Renzo, eles entregaram a verba no clube e tiraram R$ 30 mil para o pagamento de um escritório de advocacia que agiu em Brasília prestando serviços ao clube neste caso. Há recibo no relatório do COF comprovando a ação.

O documento também contém um protocolo assinado pelo então diretor financeiro, Francisco Busico, de que ele havia recebido os R$ 260 mil em dinheiro vivo. Ele, por sua vez, explica que estava no hospital, acompanhando sua mulher que estava internada em estado terminal, e que assinou sem ver o pacote de dinheiro, apenas confiando em Corcione e Renzo. Sua mulher morreu no dia 7 de novembro de 2010.

Procurado pessoalmente pela reportagem nesta quinta-feira, Busico disse que está tranquilo e que não precisaria roubar o clube para sobreviver. Ele lamenta o fato de sofrer acusações mesmo se dedicando ao clube enquanto sua mulher estava internada. O ex-diretor afirma ainda que por diversas vezes colocou dinheiro do próprio bolso para cobrir furos no caixa, mas sem apresentar comprovantes disso.

Corcione, por sua vez, colocou o sigilo bancário e fiscal à disposição do Conselho para que a decisão de retirá-lo ou não do quadro de associados seja tomada e disse que a investigação vai parar antes da conclusão por intervenção da Justiça Comum. Segundo ele, não há argumentos legais para que um órgão do clube siga com esse processo de maneira interna. Atualmente, Pedro Renzo já está com processo judicial para provar que não tem culpa e estuda cobrar honorários do clube após o fim do imbróglio.

Ambos argumentam que toda a investigação que está sendo conduzida no COF contra eles tem fundo político.

Até o fim do mês, novas testemunhas do caso serão ouvidas. Com esse processo concluído, o presidente da comissão instaurada no Conselho, Seraphim del Grande, vai dar seu parecer. Caso seja decidido que os três devem ser expulsos, a maioria absoluta dos conselheiros, ou seja, cerca de 150 pessoas, precisam acompanhar a decisão do relator.

NOSSO COMENTÁRIO

Desta feita, as denúncias de fraude deram-se em ocorrências de suposto desvio de dinheiro ocorridas na gestão do Sr. Luis Gonzaga Beluzo. As investigações ocorreram pelos membros do Comitê de Orientação Fiscal, já na gestão do Sr. Arnaldo Tirone (2011-2012).

Em 12 de agosto de 2012, foi publicada no PORTAL IG, setor de esportes, a seguinte matéria com novos “esclarecimentos” sobre o  assunto:

Conselheiros esquecem "partidos" e tentam esclarecer os R$ 300 mil que não aparecem na contabilidade

Um suposto sumiço de até R$ 300 mil das contas do Palmeiras está mobilizando todas as alas do Conselho palmeirense e até mesmo unindo rivais da política. As constantes conversas entre Seraphim Del Grande, que apoiou Paulo Nobre na última eleição, e Piraci de Oliveira, ligado a base que elegeu Arnaldo Tirone, são só um exemplo disso. Eles tentam deixar as diferenças políticas de lado para entender o destino dessa verba e, se preciso, punir os culpados.

O fato é que em 2010, com a autorização do clube, Pedro Jorge Renzo de Carvalho, advogado do Palmeiras e sócio de Antônio Carlos Corcione, que é conselheiro do time, resgatou cerca de R$ 1,1 milhão de valores referentes a tributos discutidos na Justiça. Posteriormente, a contabilidade do clube só registrou a entrada de aproximadamente R$ 880 mil. Renzo, que também é advogado do presidente Arnaldo Tirone, foi questionado sobre o assunto e defendeu-se exibindo documentos que foram assinados por Francisco Busico, então responsável pelo departamento financeiro do clube.

Ele ainda explicou que essa diferença de quase R$ 300 mil foi paga em dinheiro para cobrir um furo no caixa e colocou-se à disposição do comitê de sindicância que foi eleito pelo COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) para novos esclarecimentos. Parte dessa quantia ainda teria servido para o pagamento de um advogado e essa operação também teve recibo.

Na última quinta-feira, inclusive, esse comitê fez uma nova reunião, colheu novas declarações e deve exibir um relatório com conclusões nos próximos dias. Corcione explica que tudo não passa de uma confusão da contabilidade do clube e faz questão de ressaltar a idoneidade de Busico e Renzo.

NOSSO COMENTÁRIO

Que o leitor chegue às suas próprias conclusões. Sugere-se, no mínimo, que as investigações continuem em andamento. Ainda sobre fraudes, nova matéria foi publicada na WEB, no dia primeiro de junho de 2012 sob autoria e responsabilidade do Sr. Ricardo Perrone:

INQUÉRITO POLICIAL INVESTIGA SUSPEITA DE DESVIO DE DINHEIRO E OUTRAS IRREGULARIDADES NO PALMEIRAS

Corre na 23ª Delegacia de Polícia de São Paulo um inquérito que promove devassa na vida do Palmeiras entre o início dos anos 2000 e 2010. Os investigadores farejam desvio de dinheiro, envolvimento de cartolas com empresários e sonegação fiscal, além de outras suspeitas.

A investigação começou no Ministério Público, em 2007. Um ex-funcionário, ao cobrar direitos trabalhistas, fez uma série de acusações. Uma delas é a de que a diretoria, então comandada por Mustafá Contursi, apresentava notas frias para justificar gastos informais. No MP, o ex-presidente e outros citados negaram todas as acusações.

Sem provas contundentes, a promotoria enviou o caso para Polícia Civil. E novas denúncias apareceram. Entre elas, está um contrato de seguro. O serviço teria sido pago a uma empresa que trabalha com eletrodomésticos, indício de uso de notas frias.

Empréstimo de dirigente para o clube sem contrato e pagamento feito por empresário de jogador para cartola engrossam o inquérito, que tem 11 volumes.

Mais de uma dezena de dirigentes deve ser ouvida. Os policiais pretendem chamar ex-presidentes e ex-diretores.

Um dos envolvidos nos trabalhos disse ao blog que tudo o que se imagina de irregularidade no futebol aparece nas denúncias. Daí a serem verdadeiras são outros quinhentos.

Muitas das denúncias são consideradas vagas e diretores citados não estão mais em seus cargos. A principal dificuldade da polícia nesse cenário é a produção de provas.

“Sei que existe a investigação, mas não tenho detalhes. Meu nome não aparece ali, não é nada recente, nada que diga respeito a essa administração”, afirmou Tirone ao blog.

NOSSO COMENTÁRIO

Espera-se, caro amigo leitor, que esse inquérito iniciado em junho de 2012 possa realmente realizar a varredura indicada na matéria e que muitos esclarecimentos sobre as mais diversas situações “obscuras” expostas nesse trabalho possam vir à tona, não somente com o objetivo de trazer esses esclarecimentos, mas, também de punir os culpados pelos desvios caso sejam confirmados, imputar penas financeiras exigindo o retorno do dinheiro , se de fator comprovados os desvios, aos cofres da Sociedade Esportiva Palmeiras  e também coibir futuras ações que possam lesar o patrimônio dessa instituição.

Segunda-feira, Capítulo 7: "A Campanha Contra a Arena Palestra Itália"

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